Zé de Dalva

 
O Senhor José Ventura da Silva, conhecido como Zé de Dalva – esta é a forma mais comum no interior da Paraíba de nomear as pessoas: dá um apelido com a referência do conjuge ou parente –   é o dono da barraca mais antiga, histórica e folclórica da cidade de Amparo/PB que fica localizada no canteiro central da avenida principal da cidade.
Segundo ele, a barraca tem mais de 16 anos, começou a funcionar na época que Amparo não era cidade, era uma vila que pertencia a Sumé, há 30 km de estrada de barro. O municipo de Amparo tem cerca de 2.000 hab. e a maioria da população mora na zona rural.
Um fato que me chamou muito atenção é que ele acorda cedo e faz o café. Às cinco horas da manhã abre a barraca. Não tem ninguém na rua ainda. Daí, ele assobia avisando que o café está pronto. Os homens que moram nas imediações, respondem com um assobio, também. Então, as portas das casas começam a abrir uma por uma e os homens saem ainda com o rosto marcado pela noite de sono, uns sem camisa, outros com a roupa íntima… Todos vão tomar o café do seu Zé de Dalva e botar a conversa em dia. É um ponto de encontro dos Homens. Neste café só rola papo de homem… coisa de macho como diz o palavreado dos nativos.
 Este café tem algo de misterioso, atrativo e folclórico, pois é o primeiro alimento a ser ingerido por estes fregueses tão assíduos. É um momento de descontração, de conversa, de compartilhar a vida. O cafezinho tornou-se um alimento que conforta também a alma e dá um brilho diferente para a vida deles. Por isso que é folclórico: é um costume cotidiano. Este encontro matinal tem uma função, um prazer bem específico na vida destas pessoas. Muito interessante!!! Um encontro que tem um código e um significado bem específico.
Pensativo  Quando fui tirar as fotos e conversar com ele sobre a barraca,  disse-me: “a barraca tá famosa agora… até foto tão tirando”.  Nas entrelinhas desta frase de seu Zé de Dalva podemos perceber a auto-estima elevada dele pelo fato de estar sendo visto como alguém importante, valorizado
Este homem simples que tem sustentado sua familia até agora com esta barraca e seu cafezinho histórico é, na verdade, um ícone do homem interiorano, nordestino, sofredor e trabalhador.  Um exemplo de vida.

 

2 pensamentos sobre “Zé de Dalva

  1. Olá Sr. Divanicio, adorei o artigo, ele me motrou um lado que nunca tinha observado (mesmo sendo cidadão amparense com orgulho), esta parte folclórica de uma simples ação como esta. A unica correção que faço ao seu artigo é que o individuo personagem principal do artigo é mas conhecido como Zé de Dalva (e não como Zé de Dora, como consta no texto).
    Parabens pelo trabalho e obrigado por ajudar a difundir a cultura de uma pequena cidade que possui cidadãos tão cativantes.

    EDSON!!!

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