Pessoas, Poses e Posses

“As pessoas que se sentem amadas dão menos valor as coisas”  é o título de uma matéria que recebi esta semana do “Psicologado.com” . De acordo com os pesquisadores das universidades de New Hampshire e Yale, nos EUA, liderados pelo Dr. Edward Lemay, as pessoas com sentimentos de segurança interpessoal mais intensos – uma sensação de ser amado e aceito pelos outros – acreditam que seus bens têm menos valor do que as pessoas que não compartilham desses sentimentos.

“As pessoas valorizam suas posses, em parte, porque esses bens lhes dão uma sensação de proteção, segurança e conforto,” explica Lemay.  Ao ler esta afirmação fiquei pensando exatamente nas razões por que a cada dia que passa as pessoas dão mais valor as aparências e posses, a questão do “ter” em detrimento do “ser” como bem discute Erick Fromm.

Na verdade, estas descobertas só vêm ratificar o que muitos autores da psicologia já haviam discutidos há tempos atrás.  Estamos cansados de ver pessoas que discriminam aquela outra que é pobre ou não está adequado conforme o status quo;  que brigam por causa de dinheiro, herança; que passam por cima do semelhante para poder ter mais. Vivemos num mundo individualista que o que vale é ter mais e mais (de forma voraz). Parafraseando os resultados da pesquisa, este comportamento é, na verdade, para compensar um vazio; é um sintoma.  Este é o grande mal da civilização moderna. Tenho atendido muitos adolescentes e “calouros” de cursos universitários com crises existenciais e adaptativas por estes motivos: a ênfase na questão do “ter”, das aparências e das posses versus o “ser” enquanto pessoa.

Esta questão do apego e maxi-valorização das posses traz à tona outra questão muito discutida que é a necessidade do “se mostrar”. O músico Lobão falou muito bem sobre isto na sua música: “É tudo pose“.  É  impressionante como tem gente com este comportamento sintomático; NINGUÉM SUPORTA aqueles comportamentos e  papos patéticos de pessoas superficiais e coquetes que a  todo momento quer mostrar poses e posses. É como se  o ser  humano fosse uma mercadoria. Percebo que a auto-estima da maioria das pessoas, na verdade, é medida pela quantidade de posses que elas tem e a pose é o termômetro do gráu de traumatismo afetivo do Homem pós-moderno, ou seja, enquanto mais  problemas com relação ao afeto na sua história de vida, maior é a necessidade de  ostentar, “se mostrar”, de apego as coisas materiais, de falar sobre aventuras e conquistas que envolvam dinheiro. Enfim, o dinheiro e o poder é uma droga perigosa nas mãos de uma pessoa com história de carências. Funciona na maioria das vezes para compensar e prencher um vazio.

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