A Câimbra do Escritor, Você e o Outro

   Todo mundo sabe que o começo de um novo relacionamento é cheio de emoções e expectativas. Mas, o relacionamento mais importante que temos é conosco mesmo, especialmente quando se trata de gerir a nossa saúde. Aprender a lidar com uma condição de deficiência como a CE (Câimbra do Escritor) tem um impacto direto sobre a nossa auto-estima, e, portanto, nossas relações com os Outros. As relações com a própria saúde variam dependendo de quanto tempo se tem lidado com esta doença. Quando percebemos que a nossa condição de limitação pode afetar ou mudar a nossa vida, o relacionamento  com o Outro, muitas vezes,  tende a ser terrível, cheio de decepções e frustrações.  A aceitação é um processo gradual que vem com o tempo, embora os autos e baixos possam permanecer durante uma vida toda. Na verdade, as questões de auto-estima geralmente andam de mãos dadas com a doença crônica. É um desafio “estar e ficar bem”!

    Portanto, a questão é como ficaremos bem nesta oscilação bipolar? Todo mundo tem diferentes mecanismos de enfrentamento. Encontrar compreensão e apoio é importante para muitas pessoas, e para os ativistas de saúde do WegoHealth, apoiar o Outro é igualmente muito importante e relevante. Conectando-se a Outros que entendem o que estamos passando ou que estão no mesmo barco é a chave para dar “a volta por cima” durante tempos difíceis. Alguns dizem que um senso de humor ajuda. Também é importante compreender e saber respeitar a nós mesmos, saber que a doença não é nossa culpa, para podermos entender realmente o que significa cuidar de si mesmo e para observar as pequenas coisas que fazem com que cada dia seja um pouco melhor.

    Os relacionamentos românticos são muitas vezes outro tipo de problema para algumas pessoas com CE. Agora é preciso aprender a equilibrar as próprias necessidades com outra pessoa. Como fazer sobre isso? Quando se diz a alguém sobre o próprio estado de limitação? Às vezes, pode aparecer o medo de ser julgado ou perder a pessoa que está envolvida emocionalmente. Às vezes, a vergonha predomina. Às vezes, há uma tendência para esconder a doença, ou se esforçar para mostrar que é “normal”, quando se está no início de uma relação com o Outro desejado.

   Para doenças invisíveis ou que se manifesta somente em ocasiões específicas parece que é tanto mais fácil assim como mais difícil de expressar ou tornar público ao Outro a condição de morbidez ou invalidez como a CE. Enquanto as doenças invisíveis permitem que você escolha mais ou menos quando dizer a alguém, por outro lado, as pessoas podem não entender o que significa ser doentes para você. Já as doenças perceptíveis tomam essa decisão por nós mesmos; falam por si só. Com relação a doenças como a CE, geralmente, as pessoas manisfestam um riso de desdem achando que estamos “inventando para chamar a atenção”.

   Então, onde podemos encontrar a coragem para rasgar o band-aid? Como saberemos se é o momento certo? Quando e quanto se deve dizer ao outro sobre a doença e o como nos sentimos? Infelizmente, não há nenhum manual para dizer exatamente o tempo certo. Isto depende muito da pessoa, do relacionamento e da condição.

   Outro ponto é quando a doença pode desgastar a nós mesmos e um relacionamento antigo com a pessoa amada . Nós podemos já não ser capazes de controlar todas as variáveis que precisamos para ficar saudável. As finanças pode se tornar uma enorme fonte de ansiedade. A limitação pode ser vista como um fardo, para a outra pessoa. É uma grande decepção quando as pessoas ao nosso lado não desempenham os papéis que imaginamos, ou quando elas não entendem o que estamos passando. Mas, o que é importante na gestão da nossa saúde é exatamente saber o que podemos e não podemos esperar dos outros, e buscar apoio em outros lugares, se necessário.

   A criação de limites é uma forma de manter o equilíbrio em qualquer relacionamento, principalmente quando se vive com distonia. É importante lembrar que, apesar de nossa condição, enquanto portador de uma limitação como a CE, poder interferir nos nossos relacionamentos com o Outro de forma negativa, isso não significa que não somos merecedores de amor e compreensão em nossa vida. Ninguém nasce pronto. As adversidades da vida, como uma invalidez, deve servir para testar nossa criatividade, humor e paciência. Relacionar-se sempre foi algo complexo;  implica em emoções, diálogo e decisões.

4 pensamentos sobre “A Câimbra do Escritor, Você e o Outro

  1. Tinha muitas câimbras escrevendo. Agora, eu coloco essa pequena almofada anti-estática em baixo dos meus braços quando esta escrivendo. Acabou!
    Caso não funcionaria com você, eles reembolsam!

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  2. Pingback: Doenças Invisíveis « HOMENS DE BEM

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