Holocausto Brasileiro: uma relação de poder!

A palavra Holocausto tem origens remotas em sacrifícios e rituais religiosos da Antiguidade, em que plantas, animais e até mesmo seres humanos eram oferecidos às divindades, sendo completamente queimados durante o ritual. A partir de então, holocausto passou a ser definido como cremação dos corpos e esse tipo de imolação corpórea post mortem, de acordo com o Wikipédia, também foi usado por tribos judaicas, como se evidencia no Livro do Êxodo.

De acordo com a enciclopédia, a partir do século XIX a palavra holocausto passou a designar grandes catástrofes e massacres. Tanto é que após a Segunda Guerra Mundial o termo Holocausto  foi utilizado especificamente para se referir ao extermínio de milhões de pessoas que faziam parte de grupos politicamente indesejados pelo então regime nazista fundado por Adolf Hitler.

Os que faziam parte desses grupos indesejáveis eram judeus, militantes comunistas, homossexuais, ciganos, deficientes motores, deficientes mentais, prisioneiros de guerra soviéticos, membros da elite intelectual polaca, russa e de outros países do Leste Europeu, além de ativistas políticos, Testemunhas de Jeová, alguns sacerdotes católicos, pacientes psiquiátricos, criminosos de delito comum, entre outros.

Atualmente, o termo Holocausto é novamente utilizado para descrever as grandes tragédias, sejam elas ocorridas antes ou depois da Segunda Guerra Mundial. Muitas vezes a palavra holocausto tem sido usada para designar  qualquer extermínio de vidas humanas executado de forma deliberada e maciça.

Pois é, ao ler o livro “Holocausto Brasileiro: Vida, Genocídio e 60 Mil Mortes no Maior Hospício do Brasil”  fiquei impressionado como poderia existir no Brasil tanto extermínio de vidas e tanta desumanidade. Corpos dóceis, vitimas de uma hegemonia ditadora  e de uma relação de poder doentia que não foram “todos cremados”, mas sofreram todo tipo de abuso, anulação , tortura e descaso até a morte… Poucos sobreviveram!

Eu acho que a autora Daniela Arbex fez um trabalho jornalístico fantástico e escolheu um título adequado para o livro que retrata uma história de horror e barbárie na sociedade brasileira. O Hospício Colônia de Barbacena – MG pelo o que eu entendi era uma forma de esconder e eliminar pessoas “indesejáveis”  na sociedade assim como acontecera na Alemanha de Hitler.

Eu também gostei imensamente dos comentários sobre o livro que Tatianne Dantas faz neste vídeo publicado no YouTube. Por esta razão que eu gostaria de compartilhá-lo com o leitor. Na verdade, este livro traz nas entrelinhas a discussão da  relação de poder na nossa sociedade, um tema que diz respeito a saúde mental.

Esta chamada “relação de poder” discutida por Michel Foucault no seu livro “Microfísica do Poder” pode ser vista e  experienciada em todas as relações humanas na nossa sociedade, desde as mais pequenas situações até as relações institucionalizadas como este holocausto mostrado no livro de Daniela. Eu acho que este é o principal tema para ser conversado entre os profissionais da saúde mental. O livro deve ser uma referência para sensibilizar as pessoas sobre esta temática.

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Mãos Pequenas!

A primeira vez que escutei a música “Hands” de Jewel Kilcher foi  há um mês atrás quando li um artigo de Nicole Oliver. Nicole é uma amiga blogueira da distonia e, neste artigo, ela faz uma reflexão sobre esta canção de Jewel que se encontra no seu segundo álbum chamado Spirit (1998).

Eu gostaria de destacar o seguinte trecho da música:

Vamos lutar, não pela maldade.

Mas, para alguém  defender o que é certo

Porque onde há um homem que não tem voz

Nós cantaremos…

Minhas mãos são pequenas, eu sei …

Mas elas não são suas, elas são minhas.

Eu nunca serei  submissa.

No final, só a bondade importa!

Eu acho que estamos precisando de pessoas boas neste nosso mundo; pessoas que façam o bem!  “Quase em extinção estão as mãos honestas e amorosas” canta o músico Zeca Pagodinho na canção “Mãos” de Almir Guineto  e Carlos Senna…

Nós estamos precisando também de pessoas que não sejam submissas; de mãos que buscam, que constroem. Mãos que não se escondem… Mãos que apesar da fragilidade causada pela distonia não precisam ser dóceis e domáveis. Não precisam aceitar tudo!

Precisamos lutar por tudo isto, conscientizar a todos acerca dos valores do bem, mesmo sendo pequenos e inexpressivos, tendo mãos pequenas e com pouco alcance… mesmo com mãos deformadas e incapacitadas pela distonia!  Façamos a diferença!