O que me resta…

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Nestes últimos tempos, percebo a piora considerável da doença. No desejo de adiantar o serviço no meu trabalho, tento escrever…  Mas, não consigo fazê-lo, mesmo depois de tanto esforço e tanta paciência.

O que me resta, então, são sentimentos desagradáveis, desconcertantes, desesperadores…

O que me resta é pedir ajuda aos colegas de trabalho por causa deste embaralho.

O que me resta é esperar que alguém me empreste a mão, que me dê uma mão.

O que me resta é a decepção, a frustração, a limitação…

O que me resta é entender que esta é muito mais que uma doença; é, sem dúvida, uma sinistra deficiência.

Nesta efervescência causada pela percepção de uma mão defeituosa, lembro-me, de sobressalto, de um comentário feito por uma amiga da Comunidade Distonia, há algum tempo atrás:

Ai, ai, ai… fazia tempo que não me sentia tão angustiada! Isto é terrivelmente frustrante!
Pedir para um paciente de distonia escrever deveria ser considerado crime!

Nunca vi algo com a magia de desconcertar e desalinhar tanto como esta aberração chamada de “Câimbra do Escrivão”.

Distonia na CID 11

Até que enfim, a Organização Mundial da Saúde (OMS) lançou no dia 18 de junho a nova versão da CID depois de mais uma década de desenvolvimento e discussão por parte de profissionais de saúde.  A nova Classificação  Internacional de Doenças  é a base para identificar tendências e estatísticas de saúde em todo o mundo e contém cerca de 55 mil códigos únicos para lesões, doenças e causas de morte.

A mais recente revisão da  CID oferece melhorias significativas em relação às versões anteriores. A CID-10 foi lançada em maio de 1990. De acordo com o site das Nações Unidas, a CID-11 reflete as mudanças e os avanços na Medicina e Tecnologia que aconteceram neste período. A estrutura de codificação e ferramentas eletrônicas foram simplificadas, para permitir que os profissionais possam registrar os problemas de maneira mais fácil e eficaz. A nova classificação conta, então,  com 55 mil códigos únicos  versus 14.400 da CID-10.

Porém, de acordo com a OMS, a CID-11 será apresentada oficialmente para ser utilizada pelos  Países Membros em maio de 2019 durante a Assembleia Mundial da Saúde e entrará em vigor somente em 1º de janeiro de 2022.

O documento traz uma série de novidades e modificações, mas a atualização que interessa aos neurologistas e pacientes da distonia é que esta doença com suas classificações foi revisada e mantida na parte de neurologia como Transtornos do Movimento no capítulo Doenças do Sistema Nervoso conforme  CID 11 – 8A02. Isto é obvio e indiscutível. A descrição da CID 10 – 48.8 (psiquiatria), onde a câimbra do escrivão é classificada como Neurose Profissional é equivocada e ultrapassada. Enfim, Câimbra do Escrivão é uma síndrome neurológica rara e incapacitante. É uma distonia focal do membro superior mais comum. É um transtorno do movimento de tarefa-específica. É uma doença do sistema nervoso central.