Esforços quase infrutíferos

Hoje, depois de algumas tentativas no agendamento eletrônico, finalmente consegui ser atendido para a expedição da segunda via do Carteira de Identidade Civil (RG). Apesar, do agendamento, é preciso ter um pouco de paciência, pois é muita gente para ser atendida.

Mas, isso não foi um contratempo ou inconveniência.  O embaraço maior para mim aconteceu na hora de usar o  eSignPad, pois,  eu tive muita dificuldade para assinar devido a distonia focal. A doença está cada vez pior. É impressionante! E como tira a gente do equilíbrio e do prumo, facilmente.

Na verdade, o que mais me incomodou não foi o ato de não conseguir escrever, ou mais precisamente, não conseguir assinar o próprio nome com destreza. Mas, o que intentou  tirar-me do equilíbrio foi exatamente os sentimentos provocados por esta situação impertinente como: a vergonha, o descontrole e embaraço  emocional, a timidez e a vontade de evadir-se. Acrescentando-se a isto, o aparecimento de tensão e dores nas mãos, as contorções horríveis, os tremores e a necessidade de explicar o problema para a funcionária tornou aquele momento um verdadeiro suplício.

Tentei escrever no eSignPad por três vezes acatando a sugestão da funcionária. Na última tentativa, consegui com muito esforço uma assinatura menos ruim, com letras trêmulas. Ufa! Que alívio. Acho que logrei alguma coisa! Sou grato pela paciência e educação da funcionária da Casa da Cidadania de C. Grande. Mas, o que eu queria mesmo era sumir, evaporar-se. Não aguento mais passar por isto. Que coisa mais desagradável e importuna. A propósito, eu compreendo que estas são as peculiaridades psicológicas de todo paciente com distonia quando é preciso defrontar-se ou fazer interface com sua limitação ou deficiência física. Mas, a questão primordial é: até quando tenho que conviver com esta condição de saúde tão insustentável e infortúnia? Nessas horas, só vivencio e experiencio muito esforço e pouco resultado para uma coisa que parece simples para todas as pessoas: escrever. Este é apenas um recorte de momentos quase insustentáveis da condição de saúde de todos nós pacientes.