Paralítico das Mãos

 

 

Oh, que mãos entrevadas,

Sem movimentos e sem agilidade,

Paradas e paralisadas.

Ineficientes em seus fazimentos e sua atividade.

 

Percebo-me como um paralítico inexplicável e inusitado…

Com as mãos sem algumas funções e funcionalidades

Escrever é algo desconfortável e bizarro

Que me faz pensar em evasões e obliquidades.

 

Sinto-me um deficiente esquisito e excêntrico

Com mãos inválidas para a escrita

Diante do lápis, o empecilho e o desalento

Contorção que a paralisia acirra e incita.

 

Mãos deformadas que me fazem lembrar

Dos desatinos e de tantos erros

Que me torturam e vieram para frear

As extravagâncias e desacertos.

 

Resta transmudar o desespero e as dores

As mãos doentes e desoladas

Em braços fortes e idealizadores

Com mãos leves e desenroladas…

 

Se for preciso escrever e gesticular; eu consigo, não!

Nem sequer do embaraço me livrar

Nem tão pouco me expressar com as mãos

Resta aos ânimos, sofrear

 

Ah… minhas mãos, que aperreação!

Sois tão desajeitadas e desgraciosas

Tu me fazes acometer por um desprazer e uma inadequação

Mesmo me esforçando por transmutar-vos em talentosas

 

Um sentimento de desânimo e esmorecimento

Invade meu frágil e pequeno ser

Cada momento é um desafio e um atrevimento

Fantasiando que sei e posso escrever.

 

Ah… Câimbra dos Escritores, como pode tua paralisia

Afetar a minha tão imprescindível psicomotricidade

Ah… Grafoespasmo, como és conhecida na psicopedagogia

Como podes bagunçar tanto meu grafismo e minha emotividade.