Help! 2019 – 2020

No ano de 2019 eu vi crescer, assustadoramente, muitas mentiras; muita disseminação de ódio e baixa cobiça invejosa pelo poder; inúmeras discriminações e preconceitos; diversas ambições para subjugar o próximo, injustiças sociais e a violação dos direitos. Presenciei tanta arrogância e retrocesso; tanto descaso com o meio ambiente e desrespeito a todos os seres vivos; e assisti a ascendência ao poder de diferentes líderes rudes, frios, portanto, insanos e sociopatas. Vi muito roubo dos impostos pagos pelo cidadão para usufruto próprio; encontrei muito egoísmo, ostentação, ganância, superficialidade, alienação e muita imoralidade; vivenciei muita truculência, fundamentalismo político-religioso, violências e ignorâncias. E como consequência cresceu o número de atendimentos na clinica psicológica e psiquiátrica de muitas pessoas mergulhadas em imensos sofrimentos, inseguranças, dores psíquicas e desilusões… Valei-me, meus protetores espirituais!  Que ano foi esse, com tantas atitudes desvirtuosas, tantas mazelas e tanta loucura?

No ano que se foi, com certeza, faltou mais compaixão, compreensão, empatia, seriedade e serenidade; presenciei muita gente com dificuldade de acolhimento do sofrimento e dores dos irmãos; vi poucas atitudes de gentileza e preocupação com o bem comum… Percebi uma escassez de mais amparo aos necessitados! Vi muita gente querendo viver uma vida boa sem se esforçar, vi muita preguiça mental e descaso para com sua própria evolução em todos os aspectos. Percebi falta de Harmonia, Amor, Verdade e Justiça nos governantes, assim como, testemunhei muitas atitudes de menosprezo e comportamentos impulsionados pelo Ressentimento, no geral. Uma questão que não sai da minha cabeça: aonde existe lugar para o amor, a verdade e a justiça no nosso mundo contemporâneo? Por outro lado, percebi que muita gente ao meu redor se esforçou para sobreviver e alguns procuraram melhorar suas vidas nas condições econômicas, nas relações pessoais, no aperfeiçoamento das virtudes, no crescimento e refinamento pessoal. Esforços muito nobres!

Se compararmos a personalidade humana com uma grande casa, a maioria das pessoas não conhece nem mesmo a sala de visitas do seu próprio ser.

Augusto Cury

“Mundo moderno, as pessoas não se falam
Ao contrário, se calam, se pisam, se traem, se matam”

Larissa Alves

Com relação aos pacientes da distonia, senti falta de maior articulação para lutar pelos investimentos de pesquisas em prol da cura ou de terapias complementares; senti timidez e desinteresse nas ações em geral. Mas, apesar de tudo, gostei da atuação da Comunidade de Pacientes com Distonia como a Dystonia Medical Research Foundation e do suporte disponibilizado pelas associações Fundación Distonía, Fundación Distonía Venezuela, The European Dystonia Federation e Amadys.

Com relação a minha pessoa, apesar das limitações impostas pela doença, consegui com esforço descomunal cumprir com meu dever na profissão e na vida como um todo. Senti muitas dores, incômodos, espasmos incontroláveis e dificuldades enormes para escrever e executar qualquer tarefa que envolve a psicomotricidade fina. Senti alguns desconfortos consideráveis no aspecto emocional e social devido a distonia focal. Tudo isso, tem me acompanhado expressivamente desde a alfabetização e me causado um pungente sofrimento. Ah, se não fosse a prática da yoga e do tai-chi-chuan desde minha adolescência. Help! Tenho sobrevivido!

Foi um ano difícil com relação a convivência com esta doença neurológica, com relação a sobrevivência e com relação a vida como um todo. Tive muitos prejuízos e inúmeras dificuldades para pagar as contas diárias e até me esquivei de um acidente automobilístico onde uma carreta quase passara por cima de mim quando eu viajava de moto certo dia. Manter-me firme, sereno e entender as perturbações e insanidades mentais típicas da sociedade pós-moderna assim como compreender as inúmeras neuroses do cotidiano que vi crescer em demasia foi um grande desafio.

A ignorância, a cobiça e a má fé também elegem seus representantes políticos. Carlos Drummond de Andrade

De tanto ver triunfar as nulidades; de tanto ver prosperar a desonra, de tanto ver crescer a injustiça. De tanto ver agigantarem-se os poderes nas mãos dos maus, o homem chega a desanimar-se da virtude, a rir-se da honra e a ter vergonha de ser honesto.
Rui Barbosa

Foi um dos anos que conquistei muitas coisas interessantes como o desenvolvimento e apuração na autorrealização, autoconhecimento e mudanças subjetivas, melhorei a minha consciência energética, investimento nas atividades relacionadas ao serviço devocional transcendental, associação ritualística a Doutrina da Floresta, sendo iniciado e me tornado adepto oficial do Santo Daime depois de quatro anos frequentando assiduamente o Céu da Campina. Uma das coisas que me atraiu e tem sido bastante agradável para mim enquanto paciente com distonia é que a combinação da musicalidade, cânticos com configurações mântricas e bailados típicos dos rituais desta doutrina musical tem trazido muitos benefícios para esta minha condição de saúde. Associado a isto, a minha prática de técnicas taoistas como a meditação (mindfulness) e o Tai-Chi tem contribuído consideravelmente para um melhor desempenho na vida, tentando Viver Bem com Distonia. Enfim, adquiri mais maturidade e sabedoria para lidar com as adversidades, privações e inconveniências!

Consegui produzir bastante em termos de conhecimento: li em torno de vinte livros na área de comportamento e espiritualidade; escrevi cinco artigos para o blog; fiz dois cursos de aperfeiçoamento e atualização na área de saúde mental; dei algumas palestras e entrevistas para o Rádio Cidade de Sumé sobre comportamento humano nas diversas dimensões; tive um melhor desempenho no trabalho; retomei as aulas de francês; e tive um aprofundamento na prática do Reiki e nas leituras das tradições de cura orientais como acupuntura, meditação taoísta e yoga. E ainda, colaborei com alguns projetos de caridade social, cultivei algumas amizades importantes, investi mais intensamente na Yoga, Tai-Chi e caminhada, estive mais refinado nas minhas escolhas, além de atender uma demanda grande na clínica de psicologia.

Tempos Modernos,
Belezas De Concreto…
E O Que Há De Concreto
Neste Mundo Moderno?
E Se O Amor Que Está Bem
Perto For Incerto?
Tempos Modernos,
Belezas De Concreto…

Josyas

Em suma, conquistei mais e mais experiências! Consegui, finalmente, chegar em 2020! Que alívio! Estes 365 dias foram, na verdade, uma grande caminhada de aprendizado onde estive sempre atento, com os pés no chão, procurando compreender todas as intempéries peculiares a nossa vida e buscando resolver todos os problemas do cotidiano. Nesta jornada, poderia dizer que uma das coisas que me marcou, imensamente, foi a lembrança repentina e insistente de trechos de uma canção de John Lennon como: “imagine se pudéssemos construir uma irmandade de pessoas sem precisar de ganância e nem de fome. Imagine todo o mundo vivendo em paz, vivendo só para o momento atual”. Analisando a história da humanidade, estou convicto que este pensamento estar muito mais para uma “utopia” do que para uma realidade. Eu sei que este é um pensamento contra cultural… Mas, eu tenho uma esperança, apesar das perspectivas não serem boas.

Depôis de conhecer a humanidade
suas perversidades e
suas ambições
Eu fui envelhecendo
E perdendo
as ilusões.
O que predomina é a
maldade
porque a bondade:
Ninguem pratica
Humanidade ambiciosa
E gananciosa
Que quer ficar rica!
Quando eu morrer…
Não quero renascer
É horrivel, suportar a humanidade
Que tem aparência nobre
Que encobre
As péssimas qualidades
.

Notei que o ente humano
É perverso, é tirano
Egoista interesseiros
Mas trata com cortêzia
Mas tudo é ipocresia
São rudes, e trapaçêiros

Carolina Maria de Jesus, Meu estranho diário

É por esta razão que eu compreendo e concordo com meu padrinho – fã dos Beatles como eu sou – que sussurrou no meu ouvido no intervalo de um trabalho daimista no final do ano que passou: “help, New Year!”. Então, grito: “socorro”, porque vivemos numa sociedade que se diz cristã, mas muitas pessoas tem a tendência a fazer usufruto da falsidade, da ladroíce e da usurpação, da desonestidade, do egoísmo e da hipocrisia para se dar bem na vida. Digo em voz alta: “socorro”, porque, no momento, parece que algumas pessoas estão ocupadas somente em sobreviver e outras em enriquecer fácil, em dominar os mais fracos para servir aos interesses obtusos, assim como envolvidos em buscar uma felicidade efêmera. Alguém me ajude, pois, parece que tudo é “pose”, tudo é máscara social, tudo é descartável e tudo é fingimento. Muita gente vivendo uma vida virtual nas redes sociais que não condiz com a realidade. Na nossa sociedade há uma glorificação da figura do ser bonito, rico e perfeito e aquele que não se enquadrar nesta lógica passa a sofrer com sua autoestima abalada excessivamente. Valei-me, meu Deus, é muita gente querendo ser importante e melhor que o semelhante… Tudo isso dá a impressão que estamos vivendo tempos difíceis de inversão de valores, desumanização, ignomínia, enfim, de um adoecimento profundo e coletivo da alma humana.

E, por fim, quase esqueci o mais importante para nós, os pacientes da câimbra do escritor. “Help”, cadê a cura da distonia ou pelo menos, um recurso paliativo que alivie ou minimize o sofrimento causado por esta doença rara e esquisita. Para se ter uma ideia, estima-se que existam dois casos de distonia generalizada, para cada milhão de pessoas e cerca de 24 casos por milhão de pessoas para as formas focais. Atualmente existem vários grupos de pesquisadores no Brasil, envolvidos em pesquisa na área de doenças neurológicas do movimento, mas nada tão consistente e promissor em termos de cura da distonia. No ano passado começou a ganhar cada vez mais espaço nos noticiários, nas revistas e principalmente, na internet medicamentos como o óleo a base de cannabidiol com proposta de tratamento para doenças neurológicas do movimento, inclusive a distonia. Porém, até o momento, não temos nada consistente com relação ao uso terapêutico desta erva para das distonias em geral no universo da medicina neurológica tradicional. Só relatos de melhoras em alguns casos. Mas, apesar das dificuldades, de acordo com o “Dystonia News & Updates February 2020” da DMRF o ano 2020 será promissor, pois graças ao apoio financeiro e de pesquisadores todo empenho da fundação resultará num mundo melhor para os pacientes: um Futuro sem Distonia.

Todas as formas de violência com que nos defrontamos constituem consequência e reação, à nossa forma de viver: falta de autorreflexão e de autoconhecimento, perda progressiva de contato com a natureza, conflitos humanos, crise de confiança uns nos outros, relacionamentos disfuncionais, competição, vazio emocional, crises existenciais, stress, ansiedade, melancolia, sofrimento e dor…

É flagrante a falta de um solo de conexão humana que nos conduza à reflexão e a um significado de vida mais profundo…

A mudança é interior, começa no coração. O mundo exterior é um reflexo da nossa dimensão interior…

Reiki- Toque Terapêutico