Tríade obscura

De vez em quando, eu dou de cara com pessoas que tem tendência a comportamentos cuja as características são a esperteza e a manipulação. As primeiras questões que vem a minha cabeça, de imediato, são as seguintes: por que motivo as pessoas se deixam levar por energias tão nocivas e perigosas? E por que colocar a pessoa ou colega numa situação difícil para atingir um objetivo? Não seria isto maldade extrema ou mesmo falta de amor?

Incomodado com este tipo de atitude, na tentativa de compreender fiz uma pequena pesquisa e descobri um artigo interessante publicado no site “A mente é maravilhosa” que enquadra este comportamento no que os autores chamam de tríade obscura.

Segundo o artigo, aqueles que não têm a capacidade de se conectar com os outros ou têm a capacidade de se desconectar deliberadamente das suas emoções podem fazer parte dessa tríade que é composta pelo:  narcisismo, maquiavelismo e psicopatia.

Delroy Paulhus e Kevin-Williams, psicólogos da Universidade da Colúmbia Britânica, foram os responsáveis ​​por batizar como tríade obscura a parte mais negativa das relações humanas. Para eles, nos casos mais extremos, os indivíduos que compartilham as características dessa tríade chegam a se transformar em criminosos ou se perdem no amplo espectro das doenças mentais. No entanto, é preciso estar atento e ter precaução com aqueles que tem esta tendência de comportamento ou transtorno psiquiátrico e convivem diariamente conosco, muitas vezes disfarçando. A manipulação do semelhante para benefícios e interesses próprios é considerada o lado mais sombrio e pernicioso das interações sociais, segundo estes autores.

Assim, as pessoas que apresentam tais traços e formas de comportamento são chamadas de personalidades obscuras por causa das suas tendências insensíveis, egoístas e malévolas nos seus relacionamentos com os outros. Para Helena Moura, membro da Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP), “o maquiavelismo costuma ser normal entre os narcisistas, que manipulam para conseguir o que querem, geralmente admiração e superioridade, coisas mais subjetivas. O psicopata, ao contrário, quer vantagens materiais. São problemas difíceis de entender e diagnosticar porque não existe uma alteração biológica por trás desses transtornos, o que significa que também não existem medicamentos próprios para eles”.

Averiguemos, então, a caracterização desta tríade obscura cujas pessoas manipuladoras estão inseridas:

  O Narcisismo ou Pessoas narcisistas

“Tudo é permitido para mim” ou “Os outros só existem para me adorar”, são exemplos típicos de pensamentos dominados pelo narcisismo. São pessoas egoístas, com um sentido de direito egocêntrico e uma autoimagem positiva, embora pouco realistas se considerarmos a opinião das pessoas ao seu redor.

Os narcisistas são “encantadores de serpentes”. No início são muito queridos para os outros, seus comportamentos são agradáveis ​​e atraentes, mas com o passar do tempo, podem se tornar muito perigosos. Eles podem até, sem querer, mostrar quais são as suas verdadeiras intenções: obter mais admiração e poder.

Eles geralmente ficam entediados com a rotina, por isso procuram desafios difíceis. A maioria dos narcisistas procura uma posição de liderança, advocacia ou qualquer outra profissão que envolva altos níveis de estresse. De acordo com o psicanalista Michael Maccoby, o narcisismo é um distúrbio cada vez mais frequente nos níveis superiores do mundo empresarial e está diretamente relacionado com a competição, ao salário e o glamour.

Um dos seus pontos fortes é a grande capacidade de convencimento que possuem. Graças a isso, eles se cercam de um grande número de seguidores, são capazes de convencer sem fazer nenhum esforço. Em suma, conseguem sempre o que eles se propõem. Além disso, como não são empáticos, não são escrupulosos com os meios e as estratégias que utilizam para alcançar os seus objetivos.

O interesse e a preocupação dos narcisistas com os outros é zero, apesar da sua grande teatralidade. Eles não sentem remorso e são impassíveis às necessidades e sentimentos das pessoas ao seu redor.

Agora, o seu calcanhar de Aquiles é a sua autoestima. Os narcisistas, muitas vezes, têm uma autoestima muito baixa, que é acompanhada de uma vulnerabilidade interna e uma certa instabilidade. Por isso, geralmente procuram se relacionar com pessoas que consideram inferiores para exercerem o seu domínio e se sentirem poderosos.

O Maquiavelismo ou Pessoas  manipuladoras

Para os “maquiavélicos”, o fim justifica os meios, independentemente das consequências que possam surgir. Geralmente são pessoas muito calculistas e frias, destruindo qualquer tipo de conexão emocional verdadeira com os outros. Embora possuam traços em comum com os narcisistas, como o egoísmo e o uso dos outros, há uma característica que os diferencia: são realistas nas percepções e estimativas que fazem das suas habilidades e dos relacionamentos que mantêm.

Os “maquiavélicos” não tentam impressionar ninguém, pelo contrário. Eles se mostram como são e preferem ver as coisas claramente, porque dessa maneira podem manipular melhor o outro. Na verdade, eles se concentram nas emoções das pessoas que querem manipular para obter o que querem. Se conhecerem os seus sentimentos, será mais fácil escolher a melhor estratégia para manipulá-lo.

De acordo com o psicólogo Daniel Goleman, as pessoas com características maquiavélicas podem ter uma menor empatia com os outros. A sua frieza parece derivar de uma falta no processamento tanto das próprias emoções quanto das dos outros.

Na verdade, para eles as emoções são tão desconcertantes que, quando sentem ansiedade, geralmente não sabem diferenciar se estão tristes, cansados ou simplesmente não estão se sentindo bem. No entanto, possuem uma grande capacidade de perceber o que os outros pensam. Mas, como diz Goleman, “mesmo que a sua cabeça saiba o que fazer, o seu coração não tem a menor ideia”.

Confira nesse texto outras formas de identificar uma pessoa manipuladora e mentirosa e  nesse outro artigo  leia os tipos mais comuns de comportamentos maquiavélicos.

A psicopatia, a personalidade mais perigosa da tríade

Os psicopatas consideram as outras pessoas como objetos com os quais podem  jogar e usar de acordo com a sua vontade. No entanto, ao contrário das outras personalidades da tríade obscura, quase nunca experimentam ansiedade e até mesmo parecem ignorar o que significa sentir medo.

Segundo os psicólogos Delroy Paulhus e Kevin-Williams, a frieza do psicopata é extrema, por isso pode tornar-se muito mais perigoso do que as outras personalidades da tríade obscura.

Como não sentem medo, podem permanecer serenos mesmo em situações emocionalmente intensas, perigosas e aterrorizantes. Eles não se importam com as consequências das suas ações e são os melhores candidatos para se tornarem presidiários.

Os circuitos neuronais desse tipo de pessoas dessensibilizam o segmento do espectro emocional associado ao sofrimento. Por isso, a sua crueldade parece insensibilidade porque eles não conseguem detectá-lo. Além disso, o remorso e a vergonha não existem para eles.

No entanto, os psicopatas têm algumas facilidades para “se colocar no lugar do outro” e, assim, pressionar os botões apropriados para alcançar o seu objetivo. Eles são muito persuasivos. No entanto, esse tipo de pessoas, apesar de se destacarem na cognição social, caracterizam-se pela compreensão das relações e do comportamento dos outros apenas a partir de uma perspectiva lógica ou intelectual.

Como vemos, parece que o lado negro praticado pelos Sith em Star Wars não é tão irreal quanto pensávamos. A presença desta tríade obscura nos relacionamentos íntimos leva a maus-tratos através da violência psicológica. São personalidades tóxicas que estabelecem círculos de poder, controle, hostilidade e aprisionam mentalmente as suas vítimas.

O artigo do site termina sugerindo que a chave para não cair nas armadilhas destas pessoas é trabalhar a nossa independência emocional. É preciso, em primeiro lugar, saber estabelecer limites claros nos nossos relacionamentos e não permitir que ninguém os ultrapasse, pois nos protegermos deve ser a nossa prioridade em todos os tipos de relacionamentos.  Penso que as pessoas como as maquiavélicas são doentias por que não tem relações saudáveis. As pessoas que mentem, roubam, dão um jeitinho para se dar bem, usam o outro para se promover sofrem de problemas psicológicos da mais alta gravidade e não são pessoas virtuosas. É preciso, também, revermos nossa base emocional e moral que implica em avaliar como estamos lidando com os sentimentos, como estamos nos relacionando com o nosso semelhante e como estamos exercendo as virtudes.

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O Mentiroso e suas fantasias

Uma das coisas que sempre tem me incomodado é o uso corriqueiro da mentira em alguns espaços sociais, principalmente, nas relações pessoais no  ambiente de trabalho. O que eu acho mais interessante nisso tudo são os diversos motivos pelos quais o uso da mentira é empregado com facilidade e audácia, assim como o que este comportamento revela a respeito  da personalidade do mentiroso.

Para começo de conversa, podemos definir a mentira como o ato de não contar a verdade ou negar o conhecimento sobre alguma coisa que é verdadeira.  Assim, contar uma mentira consiste em falar algo que não é verdade para alguém, com o intuito de que essa pessoa acredite. Mentir, portanto, é sinônimo de enganar, além de ser uma das ações praticadas por quem possui intenções maliciosas em relação à outra. Por essas razões, a mentira pode ser  considerada um ato imoral ou criminal.

Uma mentira coloca em dúvida todas as verdades e faz diminuir a confiança!

 Segundo as estatísticas, de acordo com  Roque Theophilo, mentimos em média uma vez a cada cinco minutos de conversa. Começando pelos falsos elogios, passando pelas desculpas “esfarrapadas” ou pelas mentiras descaradas, até mesmo nos casos em que os pais que estimulam esta prática, como por exemplo, ao  pedirem aos filhos para dizer que eles não estão em casa. Segundo o criminologista David Craig no livro “Como identificar um Mentiroso” uma das maiores ofensas é ser chamado de mentiroso, mesmo considerando que nem toda mentira é nociva.

As mentiras podem ser classificadas em diferentes níveis, desde as “mentiras inofensivas”, que possuem uma finalidade de benignidade, até as mentiras que têm o objetivo de prejudicar a vida de outra pessoa, por vingança ou pura maldade. 

Uma mentira não teria sentido se a verdade não fosse vista como perigosa. – Alfred Adler

Assim, podemos dizer que a mentira pode surgir por várias razões: receio das consequências quando tememos que a verdade traga consequência negativas; insegurança ou baixa de autoestima quando pretendemos fazer passar uma imagem de si próprio melhor do que a que verdadeiramente acreditamos; por razões externas quando o exterior nos pressiona ou por motivos de autoridade superior ou por coação; por ganhos e regalias de acordo com a Tragédia dos bens comuns. Desta forma, se mentir traz ganhos vale a pena mentir já que ficamos em vantagem em relação aos que dizem a verdade; ou por razões patológicas.

Com relação a mentira em excesso ou de forma compulsiva, segundo com os estudiosos, pode ser sinal de um transtorno psicológico chamado Mitomania. De acordo com a psicologia, a mentira nasce, geralmente, da necessidade do mentiroso em obter algum proveito ou se livrar de alguma situação que o incomode. O mentiroso compulsivo, por sua vez, não tem nenhum objetivo ao mentir, fazendo isso mesmo quando não está sobre pressão social. O mitomaníaco usa a mentira como uma ferramenta de consolo, pois assim sente-se mais satisfeito e calmo consigo mesmo, mascarando as suas angústias.

Quando uma mentira é pronunciada o mundo fica mais pobre, sujo e feio. Achar que a mentira realmente vale a pena é ter a certeza da insignificância das suas consequências!

Segundo Fabricio Carpinejar em seu artigo O Mentiroso, uma das características do mentiroso é que ele é uma pessoa moralista, defende a sua lealdade e a sua integridade, e costuma dizer que nunca mente. Ele ataca para não ser descoberto. É capaz de fazer um escândalo diante de uma mentira, como se fosse a maior aberração. Não gosta que você crie laços próprios e independentes com a família dele e com seus conhecidos. Assim pode manipular à vontade. O mentiroso odeia ser interrompido, não permite um bate-papo normal, suas atitudes  estão baseadas sempre na defensiva e, as vezes, na truculência.

De acordo com o artigo Tudo Mentira,  é parte do desenvolvimento psíquico de cada um fazer da mentira uma espécie de varinha mágica;  o adulto que mente constantemente é uma criança que só cresceu por fora. Pois então a mentira é prova de que algo vai mal na cabeça do cidadão  e precisa ser tratado; a mentira é um modo de satisfazer, para si mesmo ou perante os outros, uma necessidade ou alcançar um desejo; é uma necessidade compulsiva de enganar, típica da pessoa imatura; E quando a mentira passa a fazer parte rotineira do jogo social  uma técnica de ataque e defesa na competição entre as pessoas por mais riqueza, prestigio ou poder, e ainda na disputa  entre governados e governantes, é claro sinal de que o país onde isso acontece não vai bem das pernas.

Existem muitos tipos de comportamento ludibriador, mas, em qualquer mentira, de acordo com Goldberg, existe a intenção de iludir o outro em causa própria, e isso implica lesões e mutilações para o relacionamento.

Neste aspecto, o artigo da Super Interessante afirma que as pesquisas indicam que os brasileiros menos acreditados pela população são os políticos. É uma revelação inquietante, sem dúvida, mas não é verdade que isso acontece só no Brasil e só nos dias de hoje. As profissões e pessoas que trabalham com a mentira passam a ser desacreditadas. Este comportamento é tão tóxico que segundo os budistas uma mentira equivale a matar dez homens e para os cristãos ela é considerada um pecado divino, estando relacionada com o que é mau, maligno ou indigno. 

Quem mente também rouba… Rouba o direito do outro de saber a verdade. A mentira é pura vaidade de quem precisa se esconder!

Por último, é preciso frisar que a mentira está intrinsecamente relacionada com o universo masculino e patriarcal. A mentira juntamente com o poder e as relações dominantes do sexo fazem parte da fantasia da masculinidade como afirma Helena Vieira. A construção do gênero masculino está inerentemente vinculado com a fantasia do direito de dominar e para isto os homens se utilizam das pequenas violências como mentir, passando pelas humilhações até as mais graves do tipo “tem que bater para manter o controle”. Uma figura típica do nosso país que representa este tipo de masculinidade conhecida como hegemônica é a do “Senhor de Engenho”, caracterizada pelo autoritarismo,  falta de diálogo, aversão as diferenças com medo de perder sua posição na ordem social e de gênero e, por último, o uso compulsivo e sistemático da mentira. Esta última muito utilizada como traço de comportamento para defender os privilégios e a ordem senhorial.

Triste Época

Triste Époque é o nome de uma música do álbum “So What”, ano 2016,  de DUB Inc. A letra é muito interessante e retrata nossa condição atual nesta sociedade louca.

Mas como ficar insensível quando o mundo balança?
Quando o mal está na multidão de forma inequívoca?
Sem aumentar a pressão, ele se desenvolve,
E aqueles que têm dinheiro são os que tem voto!
Orgulhosos de suas convicções, duros como a pedra,

Todo mundo está em guarda, tudo pronto para chocar

Sombrio é o cotidiano, triste é o tempo,
Sombrio  é o cotidiano, triste é a hora!

Não acredito em tudo o que é dito, tudo o que se relaciona,
A cada uma de suas versões, a cada uma de suas verdades,
Alguns gostariam de guerra, alguns gostariam de esquecer,
Tudo o que nos reúne é todos os esforços de paz.
Quando tudo parece perdido, eles se certificam
Deixam tudo ficar confuso, deixam cada palavra ficar presa
Quanto mais a atmosfera estiver tensa, mais o homem ficará insano.

Mas como  manter a calma quando o mundo destrava?
Quando o mal está dentro da multidão de forma inequívoca?
Sem aumento da pressão, ele se desenvolve,
E aqueles que têm dinheiro são os que tem vez!
Orgulhosos de suas convicções, duros como a pedra,

Todo mundo está em guarda, tudo pronto para chocar

Sombrio é o cotidiano, triste é o tempo,
Sombrio  é o cotidiano, triste é a hora!

Entre o horror e os golpes de estado que você foge,
Uma terra violenta e condenada.
Entre a praga e a cólera que você é,
Pronto para desafiar a humanidade.
Entre o ódio e a ira, aqui,
Olhos no céu para guiá-lo.
Entre minhas rimas e meus pensamentos eu descrevo:
Um mundo de pessoas loucas e manipuladas.
Fanático você volta!
Agora que sua voz está aumentando, nós o ouvimos todos os dias.
Cada novo ataque que seus valores ganham terreno.
Todos  paranoicos quando o terror direcionar nossos destinos,
Sua luta não é minha.
Você deve sair deste porão,

O medo nos espera e nos divide.
Um tempo triste, amargo e vazio
E apesar do choque: permanecemos unidos.

Mas como ficar insensível quando o mundo destrava?
Quando o mal está dentro da multidão de forma inequívoca?
Sem aumentar a pressão, ele se desenvolve,
E aqueles que têm dinheiro são os que tem voto e vez!
Orgulhosos de suas convicções, duros como a pedra,
Todo mundo está de guarda, tudo pronto para chover,
Sombrio é o dia a dia, o tempo triste é o tempo,
Sombrio é o dia a dia, o tempo é triste!

Como soldado,
Defendo o verbo e o que o impulsiona,
A liberdade é um direito,
E você se recusa a desenhá-la,
Como você, eu corro uma légua!
Sobre a ignorância e seus crimes
As imagens permanecerão gravadas!

Prontos para fazer o que dizem, tire a glória,
O medo tem o estrangulamento, feche sua porta!
E o fogo que piora amplifica os estoques,
Loucos que dizem que não querem aceitar,
Todas as nossas diferenças, têm medo da liberdade,
Há apenas um significado, um caminho a seguir.
Você não terá chance se você não seguir suas ideias,
Deixe-me recusar, vou voltar a cantar!!!

Porque temos que ficar legal se o mundo desbloquear!
Venha falar com a multidão de forma inequívoca!
Quando nossos corações e almas estão em choque,
Eu ouço um amálgama, mas não me importo!
E apesar da pressão que nos rodeia
Devemos ficar juntos e bloquearmos!
Para alegrar o amanhã, vamos mudar a era,
Para alegrar o amanhã, vamos mudar o tempo!

Falácia do Espantalho

A Falácia do Espantalho ou Falácia do Homem de Palha é um argumento em que a pessoa ignora a posição do adversário no debate ou discussão e a substitui por uma versão distorcida, que representa de forma errada esta posição.  A falácia se produz por distorção proposital, com o objetivo de tornar o argumento mais facilmente refutável, ou por distorção acidental, quando a pessoa ou debatedor que a produz não entendeu o argumento que pretende refutar.

Nessa falácia, a refutação é feita contra um argumento criado por quem está atacando o argumento original; não é uma refutação do próprio argumento preliminar. Para alguém que não esteja familiarizado com a proposição original, a refutação pode parecer válida, como refutação daquele argumento. Assim, comete-se a Falácia do Espantalho ou Homem de Palha quando se atribui a outrem uma opinião fictícia ou se deturpam as suas afirmações de modo a terem outro significado.

Segundo o site Your Logical Fallacy, o comportamento conhecido como o  Homem de Palha é uma das 24 mais comuns falácias lógicas argumentativas e podemos dizer que a falácia do Homem Espantalho é aquela típica da  pessoa que  desvirtua um argumento ou proferição sobre determinado assunto  para torná-lo mais fácil de atacar. Ao exagerar, desvirtuar ou simplesmente inventar um argumento de alguém, fica bem mais fácil apresentar a sua posição como razoável ou válida. Este tipo de desonestidade não apenas prejudica o discurso racional, como também prejudica a própria posição de alguém que o usa, por colocar em questão a sua credibilidade. Desta forma, se você está disposto a desvirtuar negativamente o argumento do seu oponente, será que você também não desvirtuaria os seus positivamente?

Um exemplo deste tipo de comportamento, de acordo com o site é: depois que João disse que devemos investir mais em saúde e educação, Carlos respondeu dizendo-se estar surpreso de que João odeia tanto o nosso país que quer deixá-lo desprotegido ao cortar o orçamento militar.

Outro dia, eu fui vítima no trabalho, de forma sistemática e sutil, deste tipo de falácia praticado por uma pessoa que para todos apresentava-se como amigável. Porém,  a todo momento, esta pessoa vivia deturpando e distorcendo minhas colocações e comentários; fazendo conclusões apressadas e irreais, com o objetivo de denegrir a minha imagem.  Eu ficava sempre pensando sobre este comportamento. O que estaria por trás disto? Qual o objetivo desta pessoa?  Descobri depois de “dá corda” e observar pacientemente. A princípio, digo que este tipo de comportamento, na verdade, é uma forma infantilizada e  agressivo-passiva de atacar. Em segundo lugar, é  um comportamento de uma pessoa que revela insegurança, inveja, imaturidade, desonestidade e interesse em prejudicar. Em terceiro lugar, são pessoas oportunistas, interesseiras e maldosas.  E   por último, pessoas com esta postura são muito comuns nas relações de trabalho e dentro da família. São conhecidas, também, como aquelas pessoas que colocam “palavras na sua boca” e praticam atos de má-fé com que se procura enganar alguém. Está relacionado a falsidade, superficialidade e indecência.

De acordo com a filosofia, falácia é uma palavra de origem grega utilizada pelos escolásticos para indicar o “silogismo sofistico” de Aristóteles. Segundo Pedro Hispano: “Falácia é a idoneidade fazendo crer que é aquilo que não é, mediante alguma visão fantástica, ou seja, aparência sem existência”. Desta forma, a falácia significa erro de raciocínio, seguida de uma argumentação inconsistente. Está relacionada também com a mentira, engano ou falsidade.  Normalmente, uma falácia é uma ideia errada que é transmitida como verdadeira, enganando outras pessoas.

No âmbito da lógica, uma falácia consiste no ato de chegar a uma determinada conclusão errada a partir de proposições que são falsas. A filosofia de Aristóteles abordou a chamada “falácia formal” como um sofisma, ou seja, um raciocínio errado que tenta passar como verdadeiro, normalmente com o intuito de ludibriar outras pessoas. Assim, as pessoas que se utilizam deste aparato, procuram deturpar as colocações dos colegas de trabalho ou amigos para prejudicar, aniquilar e principalmente ter êxito, de forma desonesta, sobre alguma situação.

Na verdade, dentro dos vários tipos de falácias , a Falácia do Espantalho é aquela que o sujeito  define um termo para favorecimento próprio, utilizando posições defendidas por um opositor(ou um colega invejado). Esta é muito utilizada pela maioria dos políticos, pessoas politiqueiras, babonas e invejosas. Pessoas que se sentem ameaçadas ou ressentidas em alguma situação e tem um padrão típico de imaturidade, crueldade e desonestidade no seu comportamento.  Nas palavras do senso comum, são pessoas que praticam a “baixeza”, ou seja,  aquelas que tem falta de elevação moral e de dignidade nos sentimentos. Enfim, estas não são  boas companhias; nem se quer de longe!

Salvar

CE e Pizza não combinam

Ontem saí com minha família para comer uma pizza e depois dá um rolezinho na noite campinense. Fiquei deslumbrado porque minha afilhada chegou no sábado e nos convidou para jantar.  Senti-me maravilhado pela  oportunidade deste momento especial.

Comer pizza com as limitações impostas pela CE – Câimbra do Escritor é um saco e requer um esforço fora do comum. É muito inconveniente, pois usar talheres é um incomodo grande,  provocando câimbras e dores injustas.

Mas, diante da atitude amorosa da minha afilhada, as dores, torsões da mão e vergonha pelas posturas desajeitas e desengonçadas ficaram abafadas e não tão perceptível. O foco estava no sabor da pizza e,  principalmente,  na conversa empolgante e descontraída…

O Renascido

The Revenant (O Renascido) ou em português “O Regresso” é um filme norte-americano de 2015 realizado por Alejandro González Iñárritu, escrito por Mark L. Smith e Iñárritu e foi baseado no romance homônimo escrito por Michael Punke. O filme, por sua vez, foi inspirado na história real de Hugh Glass e é estrelado por Leonardo DiCaprio, Tom Hardy, Domhnall Gleeson e Will Poulter.

De acordo com as sinopses, o filme é uma experiência cinematográfica imersiva e visceral que capta uma aventura épica de um homem por sobrevivência e o extraordinário poder do espírito humano. Em uma expedição pelo desconhecido deserto americano em meados de 1822, o lendário explorador Hugh Glass (Leonardo DiCaprio) é brutalmente atacado por um urso e deixado como morto pelos membros de sua própria equipe de caça. Numa luta constante para sobreviver, Glass resiste à dor inimaginável, bem como à traição de seu confidente, John Fitzgerald (Tom Hardy) que o abandona à própria sorte e ainda rouba seus pertences. Guiado pela força de vontade, amor pela própria família e desejo de retaliação por seu filho mestiço de uma relação com uma índia que fora assassinado, Glass teve que navegar um inverno brutal em uma incessante busca por sobrevivência e redenção.

Segundo a crítica, “O Regresso” não passa de mais uma história de vingança pessoal. Marcelo Janot diz que o filme é uma história que se divide em duas: a do homem testado até o seu limite pela natureza e a do sujeito em busca de vingança contra o seu algoz.

O que me chama a atenção aqui é a história do homem testado até o seu limite: a de Glass contra a natureza.

“O Regresso” mostra cenas fortes de sobrevivência extrema e resiliência. Gostei imensamente e recomendo assistir este surpreendente e bonito filme. Ao assisti-lo, fiquei impressionado e pensando sobre a nossa  educação deficiente que nos faz acomoda-se a uma certa zona de conforto. Esta educação repressora que nos aleija, nos deseduca para a vida, nos torna seres frágeis, com medo e sem a criatividade necessária para se defender e sobreviver as adversidades e dificuldades da vida.

Fiquei pensando nas pessoas conhecidas que surtam com tanta facilidade diante de Situações Não Extremas  como chegar em casa e dar de cara com alguma situação de pequenas e temporárias perdas como não conseguir acessar a internet, não ter o carro disponível ou a roupa lavada e comida preferida a seu dispor…

Fiquei pensando nas pessoas cheias de dengos acostumadas a uma vida de conforto e facilidades. São estas pessoas que diante de uma mínima dificuldade ou carência, se deprimem, se tornam histéricas e agridem todos, porque nunca souberam o que significa “passar por necessidades”.

Fiquei pensando em todos nós que estamos vivendo com distonia. Uma limitação imposta pela natureza que maltrata muito e nos deixa impedidos de viver normalmente. Uma doença que desafia o viver em certos aspectos; que requer muito esforço do paciente para se adequar as demandas da vida. Viver com distonia é uma luta contra a natureza, é uma sobrevivência ao limite…

As cenas do filme são impactantes. Um filme que mostra a sobrevivência à fome, à sede, ao abandono dos amigos, ao frio, à dor e aos ferimentos  intensos provocados por um ataque feroz de um urso. Sobrevivência a Situações de Limites Extremos…  Realmente, Hugh Glass renasceu! Ele vivenciou um contexto que poderia levá-lo a um desequilíbrio emocional e mental. Mas, teve uma capacidade resiliente imensa.

Tudo isto me fez refletir também sobre nosso estilo de vida cheio de condicionamentos, ilusões e dependências de tanta rotina e hábitos. Um estilo de vida que nos limita enquanto potencialidades e perspectivas. Que nos faz ficar presos as pequenas comodidades. Que nos torna limitados, acomodados,  sem criatividade e sem vigor para lutar, para improvisar…

Um estilo de vida que mesmo diante de situações de Limites Não Extremos nos faz perder a cabeça e a razão. Pequenas barreiras ou restrições que nos infantiliza e nos faz enlouquecer. Nós fomos erroneamente acostumados a viver uma vida onde pensamos que tudo e todos estão a nossa disposição e na hora que precisamos para atender aos nossos caprichos. Um simples obstáculo é suficiente para deixarmos sair um selvagem que agride, humilha e se desespera. Um selvagem ameaçado que ao invés de buscar superar as dificuldades como Glass, vive uma vida de covardia e de inércia…

A motivação de Glass para lutar destemidamente foi o comportamento de Fitzgerald, que faz parte do mesmo grupo mas sempre implica com Glass por causa da presença do jovem meio-índio entre eles, e a todo instante expressa palavras de ódio contra negros, índios e mestiços. Tanto é que chegou ao ponto de matar seu filho e abandonar o amigo  ferido. Enfim, a motivação de Glass foi, também, o instinto de sobrevivência.

Todos nós temos nossas razões e motivações. Mas, muitas pessoas preferem ficar no comodismo, no anonimato e na indolência: sem enfrentar as dificuldades impostas pela natureza e pela vida!

O Espelho do Homem

 

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No Dia Internacional do Homem – 19 de novembro, eu trago um  hino de Alex Polari  intitulado “O Espelho do Homem” que gostei muito. Ele problematiza com seu estilo lírico o comportamento masculino e sutilmente as relações de poder estabelecidas com o semelhante.

Para ser Homem é ser justo
Franco, leal e amigo,
Assim o Mestre mostrou
Esse tornou tão querido

 

Não é fácil ser homem
Se você acha que é
Lembrem  do  nosso modelo
Meu bom  Jesus de Nazaré.

 

Muitos pensam que Homem
É ser brabo e orgulhoso
Como se fosse virtude
De nos fazer mais viçoso

 

Alguns não mantiveram
Sinceridade com os outros
Fingem ser mais não são
E falam mal do irmão

 

Se disser e não for
Muito pior vai ficar
Quebrou com a palavra do Homem
Que Homem não pode Quebrar

 

Se você mexe com vício
Se arrepende mané
Que homem que se vicia
Um bom exemplo não é

 

Homem que é Homem se humilha
Pra na verdade estar,
E poder bem compreender
Aonde o Daime mostrar

 

Para ser Homem é ser justo
Franco, leal e amigo,
Assim o Mestre mostrou
E se tornou tão querido.

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