O Mentiroso e suas fantasias

Uma das coisas que sempre tem me incomodado é o uso corriqueiro da mentira em alguns espaços sociais, principalmente, nas relações pessoais no  ambiente de trabalho. O que eu acho mais interessante nisso tudo são os diversos motivos pelos quais o uso da mentira é empregado com facilidade e audácia, assim como o que este comportamento revela a respeito  da personalidade do mentiroso.

Para começo de conversa, podemos definir a mentira como o ato de não contar a verdade ou negar o conhecimento sobre alguma coisa que é verdadeira.  Assim, contar uma mentira consiste em falar algo que não é verdade para alguém, com o intuito de que essa pessoa acredite. Mentir, portanto, é sinônimo de enganar, além de ser uma das ações praticadas por quem possui intenções maliciosas em relação à outra. Por essas razões, a mentira pode ser  considerada um ato imoral ou criminal.

Uma mentira coloca em dúvida todas as verdades e faz diminuir a confiança!

 Segundo as estatísticas, de acordo com  Roque Theophilo, mentimos em média uma vez a cada cinco minutos de conversa. Começando pelos falsos elogios, passando pelas desculpas “esfarrapadas” ou pelas mentiras descaradas, até mesmo nos casos em que os pais que estimulam esta prática, como por exemplo, ao  pedirem aos filhos para dizer que eles não estão em casa. Segundo o criminologista David Craig no livro “Como identificar um Mentiroso” uma das maiores ofensas é ser chamado de mentiroso, mesmo considerando que nem toda mentira é nociva.

As mentiras podem ser classificadas em diferentes níveis, desde as “mentiras inofensivas”, que possuem uma finalidade de benignidade, até as mentiras que têm o objetivo de prejudicar a vida de outra pessoa, por vingança ou pura maldade. 

Uma mentira não teria sentido se a verdade não fosse vista como perigosa. – Alfred Adler

Assim, podemos dizer que a mentira pode surgir por várias razões: receio das consequências quando tememos que a verdade traga consequência negativas; insegurança ou baixa de autoestima quando pretendemos fazer passar uma imagem de si próprio melhor do que a que verdadeiramente acreditamos; por razões externas quando o exterior nos pressiona ou por motivos de autoridade superior ou por coação; por ganhos e regalias de acordo com a Tragédia dos bens comuns. Desta forma, se mentir traz ganhos vale a pena mentir já que ficamos em vantagem em relação aos que dizem a verdade; ou por razões patológicas.

Com relação a mentira em excesso ou de forma compulsiva, segundo com os estudiosos, pode ser sinal de um transtorno psicológico chamado Mitomania. De acordo com a psicologia, a mentira nasce, geralmente, da necessidade do mentiroso em obter algum proveito ou se livrar de alguma situação que o incomode. O mentiroso compulsivo, por sua vez, não tem nenhum objetivo ao mentir, fazendo isso mesmo quando não está sobre pressão social. O mitomaníaco usa a mentira como uma ferramenta de consolo, pois assim sente-se mais satisfeito e calmo consigo mesmo, mascarando as suas angústias.

Quando uma mentira é pronunciada o mundo fica mais pobre, sujo e feio. Achar que a mentira realmente vale a pena é ter a certeza da insignificância das suas consequências!

Segundo Fabricio Carpinejar em seu artigo O Mentiroso, uma das características do mentiroso é que ele é uma pessoa moralista, defende a sua lealdade e a sua integridade, e costuma dizer que nunca mente. Ele ataca para não ser descoberto. É capaz de fazer um escândalo diante de uma mentira, como se fosse a maior aberração. Não gosta que você crie laços próprios e independentes com a família dele e com seus conhecidos. Assim pode manipular à vontade. O mentiroso odeia ser interrompido, não permite um bate-papo normal, suas atitudes  estão baseadas sempre na defensiva e, as vezes, na truculência.

De acordo com o artigo Tudo Mentira,  é parte do desenvolvimento psíquico de cada um fazer da mentira uma espécie de varinha mágica;  o adulto que mente constantemente é uma criança que só cresceu por fora. Pois então a mentira é prova de que algo vai mal na cabeça do cidadão  e precisa ser tratado; a mentira é um modo de satisfazer, para si mesmo ou perante os outros, uma necessidade ou alcançar um desejo; é uma necessidade compulsiva de enganar, típica da pessoa imatura; E quando a mentira passa a fazer parte rotineira do jogo social  uma técnica de ataque e defesa na competição entre as pessoas por mais riqueza, prestigio ou poder, e ainda na disputa  entre governados e governantes, é claro sinal de que o país onde isso acontece não vai bem das pernas.

Existem muitos tipos de comportamento ludibriador, mas, em qualquer mentira, de acordo com Goldberg, existe a intenção de iludir o outro em causa própria, e isso implica lesões e mutilações para o relacionamento.

Neste aspecto, o artigo da Super Interessante afirma que as pesquisas indicam que os brasileiros menos acreditados pela população são os políticos. É uma revelação inquietante, sem dúvida, mas não é verdade que isso acontece só no Brasil e só nos dias de hoje. As profissões e pessoas que trabalham com a mentira passam a ser desacreditadas. Este comportamento é tão tóxico que segundo os budistas uma mentira equivale a matar dez homens e para os cristãos ela é considerada um pecado divino, estando relacionada com o que é mau, maligno ou indigno. 

Quem mente também rouba… Rouba o direito do outro de saber a verdade. A mentira é pura vaidade de quem precisa se esconder!

Por último, é preciso frisar que a mentira está intrinsecamente relacionada com o universo masculino e patriarcal. A mentira juntamente com o poder e as relações dominantes do sexo fazem parte da fantasia da masculinidade como afirma Helena Vieira. A construção do gênero masculino está inerentemente vinculado com a fantasia do direito de dominar e para isto os homens se utilizam das pequenas violências como mentir, passando pelas humilhações até as mais graves do tipo “tem que bater para manter o controle”. Uma figura típica do nosso país que representa este tipo de masculinidade conhecida como hegemônica é a do “Senhor de Engenho”, caracterizada pelo autoritarismo,  falta de diálogo, aversão as diferenças com medo de perder sua posição na ordem social e de gênero e, por último, o uso compulsivo e sistemático da mentira. Esta última muito utilizada como traço de comportamento para defender os privilégios e a ordem senhorial.

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Falácia do Espantalho

A Falácia do Espantalho ou Falácia do Homem de Palha é um argumento em que a pessoa ignora a posição do adversário no debate ou discussão e a substitui por uma versão distorcida, que representa de forma errada esta posição.  A falácia se produz por distorção proposital, com o objetivo de tornar o argumento mais facilmente refutável, ou por distorção acidental, quando a pessoa ou debatedor que a produz não entendeu o argumento que pretende refutar.

Nessa falácia, a refutação é feita contra um argumento criado por quem está atacando o argumento original; não é uma refutação do próprio argumento preliminar. Para alguém que não esteja familiarizado com a proposição original, a refutação pode parecer válida, como refutação daquele argumento. Assim, comete-se a Falácia do Espantalho ou Homem de Palha quando se atribui a outrem uma opinião fictícia ou se deturpam as suas afirmações de modo a terem outro significado.

Segundo o site Your Logical Fallacy, o comportamento conhecido como o  Homem de Palha é uma das 24 mais comuns falácias lógicas argumentativas e podemos dizer que a falácia do Homem Espantalho é aquela típica da  pessoa que  desvirtua um argumento ou proferição sobre determinado assunto  para torná-lo mais fácil de atacar. Ao exagerar, desvirtuar ou simplesmente inventar um argumento de alguém, fica bem mais fácil apresentar a sua posição como razoável ou válida. Este tipo de desonestidade não apenas prejudica o discurso racional, como também prejudica a própria posição de alguém que o usa, por colocar em questão a sua credibilidade. Desta forma, se você está disposto a desvirtuar negativamente o argumento do seu oponente, será que você também não desvirtuaria os seus positivamente?

Um exemplo deste tipo de comportamento, de acordo com o site é: depois que João disse que devemos investir mais em saúde e educação, Carlos respondeu dizendo-se estar surpreso de que João odeia tanto o nosso país que quer deixá-lo desprotegido ao cortar o orçamento militar.

Outro dia, eu fui vítima no trabalho, de forma sistemática e sutil, deste tipo de falácia praticado por uma pessoa que para todos apresentava-se como amigável. Porém,  a todo momento, esta pessoa vivia deturpando e distorcendo minhas colocações e comentários; fazendo conclusões apressadas e irreais, com o objetivo de denegrir a minha imagem.  Eu ficava sempre pensando sobre este comportamento. O que estaria por trás disto? Qual o objetivo desta pessoa?  Descobri depois de “dá corda” e observar pacientemente. A princípio, digo que este tipo de comportamento, na verdade, é uma forma infantilizada e  agressivo-passiva de atacar. Em segundo lugar, é  um comportamento de uma pessoa que revela insegurança, inveja, imaturidade, desonestidade e interesse em prejudicar. Em terceiro lugar, são pessoas oportunistas, interesseiras e maldosas.  E   por último, pessoas com esta postura são muito comuns nas relações de trabalho e dentro da família. São conhecidas, também, como aquelas pessoas que colocam “palavras na sua boca” e praticam atos de má-fé com que se procura enganar alguém. Está relacionado a falsidade, superficialidade e indecência.

De acordo com a filosofia, falácia é uma palavra de origem grega utilizada pelos escolásticos para indicar o “silogismo sofistico” de Aristóteles. Segundo Pedro Hispano: “Falácia é a idoneidade fazendo crer que é aquilo que não é, mediante alguma visão fantástica, ou seja, aparência sem existência”. Desta forma, a falácia significa erro de raciocínio, seguida de uma argumentação inconsistente. Está relacionada também com a mentira, engano ou falsidade.  Normalmente, uma falácia é uma ideia errada que é transmitida como verdadeira, enganando outras pessoas.

No âmbito da lógica, uma falácia consiste no ato de chegar a uma determinada conclusão errada a partir de proposições que são falsas. A filosofia de Aristóteles abordou a chamada “falácia formal” como um sofisma, ou seja, um raciocínio errado que tenta passar como verdadeiro, normalmente com o intuito de ludibriar outras pessoas. Assim, as pessoas que se utilizam deste aparato, procuram deturpar as colocações dos colegas de trabalho ou amigos para prejudicar, aniquilar e principalmente ter êxito, de forma desonesta, sobre alguma situação.

Na verdade, dentro dos vários tipos de falácias , a Falácia do Espantalho é aquela que o sujeito  define um termo para favorecimento próprio, utilizando posições defendidas por um opositor(ou um colega invejado). Esta é muito utilizada pela maioria dos políticos, pessoas politiqueiras, babonas e invejosas. Pessoas que se sentem ameaçadas ou ressentidas em alguma situação e tem um padrão típico de imaturidade, crueldade e desonestidade no seu comportamento.  Nas palavras do senso comum, são pessoas que praticam a “baixeza”, ou seja,  aquelas que tem falta de elevação moral e de dignidade nos sentimentos. Enfim, estas não são  boas companhias; nem se quer de longe!

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O Espelho do Homem

 

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No Dia Internacional do Homem – 19 de novembro, eu trago um  hino de Alex Polari  intitulado “O Espelho do Homem” que gostei muito. Ele problematiza com seu estilo lírico o comportamento masculino e sutilmente as relações de poder estabelecidas com o semelhante.

Para ser Homem é ser justo
Franco, leal e amigo,
Assim o Mestre mostrou
Esse tornou tão querido

 

Não é fácil ser homem
Se você acha que é
Lembrem  do  nosso modelo
Meu bom  Jesus de Nazaré.

 

Muitos pensam que Homem
É ser brabo e orgulhoso
Como se fosse virtude
De nos fazer mais viçoso

 

Alguns não mantiveram
Sinceridade com os outros
Fingem ser mais não são
E falam mal do irmão

 

Se disser e não for
Muito pior vai ficar
Quebrou com a palavra do Homem
Que Homem não pode Quebrar

 

Se você mexe com vício
Se arrepende mané
Que homem que se vicia
Um bom exemplo não é

 

Homem que é Homem se humilha
Pra na verdade estar,
E poder bem compreender
Aonde o Daime mostrar

 

Para ser Homem é ser justo
Franco, leal e amigo,
Assim o Mestre mostrou
E se tornou tão querido.

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