O Lado Sombrio da Civilização

TVVivemos num mundo complexo cheio de contradições, oportunidades e embates. Estive lendo alguns textos interessantes nos últimos dias que trazem uma reflexão sobre estas questões  e sobre  nossa civilização cujas relações pessoais estão baseadas cada vez mais no individualismo, no consumismo desenfreado e numa necessidade fútil  de mostrar para o outro o poder de consumo que se tem. A seguir, destaco alguns autores que falam das consequências deste modo de vida da nossa sociedade.

Vivemos num universo cheio de pessoas ao nosso redor, porém estamos sós, preocupados somente conosco, com nossa sobrevivência, com nosso sucesso e com nossa imagem. E nesta guerra vale tudo: ignorar, escantear, pisar, ridicularizar, provocar, desrespeitar, roubar e se mostrar. O lema é: “quanto mais tenho, mais quero” Vivemos no mundo da “avareza” com preocupação com bens materiais e rótulos.

O consumismo de bens e ideias é a palavra mágica.  Estamos conectados 24 horas com o mundo. Fazemos amizades, compras e resolvemos a nossa vida, inclusive fazemos nossa feira usando a internet. O mundo está mais acessível através da globalização, da internet. Mas, por outro lado, estamos cada vez mais distantes uns dos outros. Vivemos no mundo da soberba e da cobiça desmedida conforme diz Rosemeire Zago.

Interessante é que até as mídias sociais   tem se tornado um espaço válido para as pessoas   mostrarem o seu poderio de consumo para o outro, exibindo através de fotos os seus bens e o que está consumindo no momento. Nesta “sociedade do espetáculo“, como diz o filósofo francês Guy Ernest Debord, a organização social se expressa neste tipo de dispositivo virtual  reproduzindo o  modo de vida vigente. A “imagem” passa a ser essencial nesta prática do ser para ser visto e não do ser por existir, de acordo com Orlando Senna.  Segundo o psicanalista e sociólogo Jackcson César Buonocore no artigo  A Superexposição da Felicidade, “no mundo atual, a felicidade é sinônima de consumo. Compra-se para tentar conseguir nos objetos consumidos o que é mais desejado para ser feliz e mostrar na internet.”

Esta maximização e ânsia compulsiva pelo consumismo traz implicações sérias para o ser humano e a civilização.  Neste aspecto, Leonardo Boff faz uma reflexão interessante no seu artigo “Estamos à beira da total auto-destruição?”   As consequências de tanta gente vivendo nesta lógica no mundo atual são as mais diversas: escassez das fontes de águas e de combustível, falta de alimentos e de energia… a extinção da terra.

Outro problema grave decorrente desta organização social baseada no individualismo são as chamadas relações de “liquidez” onde não se mantém por muito tempo em um mesmo estado. Tudo está sempre mudando, conforme afirma o sociólogo polonês Zygmunt Bauman. Ele afirma numa entrevista o seguinte: “Parece que o caminho para a felicidade passa, necessariamente, pelas compras. E as pessoas querem comprar os produtos e rapidamente descartá-los, substituindo por novos. Isso representa grande desperdício de recursos naturais do planeta.”  Enfim, tudo se demancha no ar, inclusive as relações sociais que passaram a ser descartáveis, também.

Um terceiro ponto que me chama atenção e gostaria de comentar é que em nome do consumismo e do poder  vale tudo, inclusive cometer delitos e crimes. Estamos cansados de ver políticos envolvidos em escândalos e “falcatruas” em nome do enriquecimento fácil e compulsivo. Estamos cansados de ver e ser vítimas de vários delitos  na nossa sociedade decorrentes da preocupação pela sobrevivência egoísta… Neste aspecto, o filósofo australiano Peter Singer afirma que  a sociedade em questão perdeu o controle de si mesma, que as pessoas não têm mais a noção exata de certo e errado e que  vivemos um enfraquecimento dos valores éticos na sociedade atual.

Somos Todos Nós!

ubuntuHomens de Bem somos Todos Nós, homens e mulheres, num Mundo Todo Nosso. Pois é, os Homens de Bem são aquelas pessoas que vivem em sociedade com valores e com uma maneira de viver baseados na Filosofia Ubuntu que significa “eu sou o que sou porque todos nós somos”.  De acordo com Nelson Mandela, Ubuntu implica em respeito pelo outro, ajuda mútua, compartilhamento, viver em comunidade,  ter cuidado pelo semelhante, confiança e desinteresse material. Este sistema filosófico conhecido como Ubuntu busca explicar uma realidade social onde o “”eu”  não existe a não ser em função do “outro”.  O “eu” não pode ser construído ou formado sem o “outro” que é o semelhante.

De acordo com a educadora sul-africana Dalene Swanson, o ubuntu também é a expressão viva de uma alternativa ecopolítica e antítese do materialismo capitalista, pois se posiciona contra essa interpretação ideológica da realidade através de uma filosofia nativa espiritual que está em maior consonância com a Terra, suas criaturas e suas formas vivas, e isso diz respeito a toda a humanidade em toda parte.

Pois é, ainda segundo Mandela  ubuntu não significa que uma pessoa não se preocupe com o seu progresso pessoal. A questão é se o seu progresso pessoal está a serviço do progresso da comunidade. Isso é o mais importante na vida. “E se uma pessoa conseguir viver assim, terá atingido algo muito importante e admirável”, afirma ele. Posso imaginar que você já leu alguns artigos interessantes sobre este assunto, mas eu acho que viver assim é viver um modo de vida baseado na simplicidade pensando num projeto de vida que privilegie as pessoas ao nosso redor, a comunidade e não somente ao próprio umbigo e interesses individuais.

Pois bem, considerando os princípios desta ideologia, os Homens de Bem  buscam uma vida mais humana praticando a free-vector-african-safari-vector_028367_01solidariedade, a cooperação, o respeito, o acolhimento, a generosidade, entre muitas outras atitudes que realizamos em sintonia com a nossa alma, buscando o nosso bem-estar e o de todos à nossa volta.

“Como uma de nós  poderia ficar feliz se todas as outras estivessem tristes? Isto é ubuntu” , disseram as crianças sul-africanas ao participar de um jogo feito por um antropólogo. Eu digo: Como podemos ficar alegres diante de tanto sofrimento e necessidade ao nosso redor? Eu acho que é muito difícil um adolescente da nossa sociedade ocidental entender isto… neste nosso mundo egoísta e individualista: sem meninos e sem homens de bem!

Para o arcebispo Desmond Tutu, prêmio Nobel da Paz, Ubuntu é um dos presentes da África ao resto do mundo. Só tenho duas coisas a dizer: temos muito o que aprender com esta cultura que tem buscado valores do bem há muitas gerações antes de nós E nunca vou deixar de falar sobre tudo isto, pois precisamos refletir sempre sobre como estamos vivendo e como são as nossas relações sociais. 

Para entender mais sobre este conceito, eu sugiro a leitura do post “Ubuntu, uma Palavra Africana” de Inês Büschel (Ativista pela democracia e pelos direitos humanos, Promotora de Justiça de SP aposentada, sócia-fundadora do MPD) que eu gostei muito.

Ubuntu também poderá ser entendido como um guia de conduta social solidária. Aprende-se o comportamento humano civilizado. As pessoas não devem levar vantagem pessoal em detrimento do bem-estar do grupo. Para que uma pessoa seja feliz será preciso que todas do grupo se sintam felizes. A sociedade africana entende que nós, os seres humanos, somos conectados uns com os outros, daí nossa humanidade. E que essa relação diz respeito também aos ancestrais mortos, aos vivos e aos que ainda nascerão, disse Inês Büschel.

Todos nós devemos lutar por uma vida mais justa e igualitária. Aprendermos a ser Homens e Mulheres de Bem, nos moldes da filosofia Ubuntu, em todos os momentos, situações e posições que assumimos na nossa sociedade. O que eu penso ser uma mudança difícil pois a nossa civilização brasileira tem raízes profundas no individualismo e em comportamentos como “o Jeitinho Brasileiro” discutido por Roberto  DaMatta, o antagonismo “malandro esperto &  honesto trouxa” e “a vergonha de ser honesto” como disse Rui Barbosa. Mas, precisamos pelo menos fazer um esforço para ser civilizado: entender que convivemos com outras pessoas. 

Por último, para entender melhor esta filosofia, recomendo também assistir o filme Invictus.

Holocausto Brasileiro: uma relação de poder!

A palavra Holocausto tem origens remotas em sacrifícios e rituais religiosos da Antiguidade, em que plantas, animais e até mesmo seres humanos eram oferecidos às divindades, sendo completamente queimados durante o ritual. A partir de então, holocausto passou a ser definido como cremação dos corpos e esse tipo de imolação corpórea post mortem, de acordo com o Wikipédia, também foi usado por tribos judaicas, como se evidencia no Livro do Êxodo.

De acordo com a enciclopédia, a partir do século XIX a palavra holocausto passou a designar grandes catástrofes e massacres. Tanto é que após a Segunda Guerra Mundial o termo Holocausto  foi utilizado especificamente para se referir ao extermínio de milhões de pessoas que faziam parte de grupos politicamente indesejados pelo então regime nazista fundado por Adolf Hitler.

Os que faziam parte desses grupos indesejáveis eram judeus, militantes comunistas, homossexuais, ciganos, deficientes motores, deficientes mentais, prisioneiros de guerra soviéticos, membros da elite intelectual polaca, russa e de outros países do Leste Europeu, além de ativistas políticos, Testemunhas de Jeová, alguns sacerdotes católicos, pacientes psiquiátricos, criminosos de delito comum, entre outros.

Atualmente, o termo Holocausto é novamente utilizado para descrever as grandes tragédias, sejam elas ocorridas antes ou depois da Segunda Guerra Mundial. Muitas vezes a palavra holocausto tem sido usada para designar  qualquer extermínio de vidas humanas executado de forma deliberada e maciça.

Pois é, ao ler o livro “Holocausto Brasileiro: Vida, Genocídio e 60 Mil Mortes no Maior Hospício do Brasil”  fiquei impressionado como poderia existir no Brasil tanto extermínio de vidas e tanta desumanidade. Corpos dóceis, vitimas de uma hegemonia ditadora  e de uma relação de poder doentia que não foram “todos cremados”, mas sofreram todo tipo de abuso, anulação , tortura e descaso até a morte… Poucos sobreviveram!

Eu acho que a autora Daniela Arbex fez um trabalho jornalístico fantástico e escolheu um título adequado para o livro que retrata uma história de horror e barbárie na sociedade brasileira. O Hospício Colônia de Barbacena – MG pelo o que eu entendi era uma forma de esconder e eliminar pessoas “indesejáveis”  na sociedade assim como acontecera na Alemanha de Hitler.

Eu também gostei imensamente dos comentários sobre o livro que Tatianne Dantas faz neste vídeo publicado no YouTube. Por esta razão que eu gostaria de compartilhá-lo com o leitor. Na verdade, este livro traz nas entrelinhas a discussão da  relação de poder na nossa sociedade, um tema que diz respeito a saúde mental.

Esta chamada “relação de poder” discutida por Michel Foucault no seu livro “Microfísica do Poder” pode ser vista e  experienciada em todas as relações humanas na nossa sociedade, desde as mais pequenas situações até as relações institucionalizadas como este holocausto mostrado no livro de Daniela. Eu acho que este é o principal tema para ser conversado entre os profissionais da saúde mental. O livro deve ser uma referência para sensibilizar as pessoas sobre esta temática.

The Brazilian Biometric Electoral Voting and Writer’s Cramp

politica

Today I went to  Regional Electoral Tribunal of my city in order to do my  biometric relisting. All voters have to do this new re-registration to be able to vote in the next elections in the country.

In Brazil, the elections for any political office is obligatory and the newness in the next election is that all Brazilians will vote with biometric identification.  In addition to the voting machine used for about 17 years, will be used biometric identification in elections. The Brazilian Government has been perfecting this technology, and since 2008 has implemented the electronic voting machine with biometric recognition of digital voter.

I did my relisting and I received my new Electoral  Identification. The problem is that when I went to sign my own name  in the “ E-sign Pad”, I had great difficulty due to the Writer’s Cramp. I was very upset because  my signature was not pretty. If this had happened in the past, I would have “lost my day”. I’d be in a bad and depressed mood throughout the day. But I learned to accept dystonia and all its aspects  that limits my life. Today, I have another attitude to this  illness and deficiency.

I think  the electoral vote with biometric identification is more a technology that will facilitate my life and everyone who has writer’s cramp like me. As the credit card with chip you use a password and do not need to sign, biometric voting helps patients with writer’s cramp, too much.  If we can not write and sign our own name as everyone do  in the writing civilization, at least we’ll use our finger to identify ourselves, as our ancestors have always done because they have not been to school and have not learned to read nor write.

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Os Números de 2010

Os duendes das estatísticas do WordPress.com analisaram o desempenho deste blog em 2010 e apresentam-lhe aqui um resumo de alto nível da saúde do seu blog:

Healthy blog!

O Blog-Health-o-Meter™ indica: Este blog é fantástico!.

Números apetitosos

Imagem de destaque

A Torre de Pisa tem umas escadas com 296 degraus até ao topo. Este blog foi visitado cerca de 1,100 vezes em 2010. Se cada visita fosse um degrau, já teria subido a Torre de Pisa 4 vezes

Em 2010, escreveu 28 novo artigo, aumentando o arquivo total do seu blog para 87 artigos. Fez upload de 32 imagens, ocupando um total de 9mb. Isso equivale a cerca de 3 imagens por mês.

The busiest day of the year was 4 de outubro with 40 views. The most popular post that day was FORUM CÃIMBRA DO ESCRIVÃO.

De onde vieram?

Os sites que mais tráfego lhe enviaram em 2010 foram viomundo.com.br, google.com.br, cid-efcfb2f529b29c08.profile.live.com, pt-br.wordpress.com e 74.125.67.100

Alguns visitantes vieram dos motores de busca, sobretudo por caimbra do escrivão, sindrome do escrivão, caimbra do escrivão tratamento, distonia e síndrome do escrivão

Atrações em 2010

Estes são os artigos e páginas mais visitados em 2010.

1- FORUM CÃIMBRA DO ESCRIVÃO abril, 2009
     1 comentário

2- CAIMBRA DO ESCRIVÃO março, 2009
     1 comentário

3- Retalhos Históricos de Campina Grande abril, 2010

4- RINGPEN – UMA CANETA ERGONÔMICA julho, 2009

5- PLS 439/08 junho, 2010

Acessibilidade está na Moda

Clique aqui para acessar o conteúdo da programação da Sexta Semana de Valorização da Pessoa com Deficiência em texto.

Aconteceram paralelamente no Salão Negro do Congresso Nacional e no Auditório Petrônio Portela do Senado no inicio de dezembro dois eventos muitos importantes com relação a pessoa com deficiência.

Um deles foi a VI Semana de Valorização da Pessoa com Deficiência. O outro foi  VI Fórum Senado Debate Brasil,  voltado para a Convenção da ONU sobre os direitos das Pessoas com deficiência.

Muito interessante as discussões sobre impedimentos corporais, exclusão e estigmas… nas diversas abordagens.  Um avanço em termos de produção científica, pois a visão biomédica da deficiência traz em seu bojo um discurso exclusivo.

Achei legal a banda Soul Washing Machine de Brasília cujo vocalista é deficiente e o show de Tribo de Jah do Maranhão cuja as letras de suas músicas traz um discurso contra a opressão, discriminação, exclusão, o preconceito e as minorias. Que avanço… Tudo isto no Congresso Nacional!

 

  Veja este vídeo da Tribo de Jah cujos integrantes são cegos:

 

 
 

Dois Pesos

Estava lendo hoje um Boletim Informativo do Conselho Federal de Psicologia que traz  uma nota de repúdio com  relação a demissão da psicóloga Maria Rita Kehl do Jornal O Estado de São Paulo do qual é colunista há muito tempo. Ela foi demitida arbitrariamente por ter publicado um artigo intitulado “Dois pesos” no qual questionou a desqualificação do voto da população pobre e fez comentários sobre o programa Bolsa Família, do governo Lula.

Eu acho que esta é uma atitude autoritária e anti-democrática.  Neste país, na verdade, o que vale são os interesses de classes, as aparências, a alienação dos mais pobres e o poder hegemônico de alguns poucos que querem viver bem, ter o melhor às custas o indefeso e do mais carente.

E o pior é que este tipo de comportamento não é incomum. Por ai está cheio de ditadorzinho  neurótico – cheio de melindres –  que ao se sentir ameaçado tem atitudes covardes e despóticas. Como diz Foucault no livro Microfísica do Poder: “…o poder pode ser visto nas micro-relações”.   Pois é, o que mais tem nos vários espaços da sociedade são pessoas com este perfil – a maioria das vezes, travestida de bonzinho.