Câimbra do Escrivão: uma disrupção da escrita

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Escrevo-te para que percebas o quão afetado me deixas.

Escrevo-te para que me ajudes a entender o que tem a minha mão.

Escrevo para deixar fluir pelo menos  os sentimentos do meu coração,

Já que interrompestes o curso normal de minhas letras.

 

Escrevo-te para te pedir uma trégua a esta paulatina disrupção.

Escrevo-te para dizer que não aguento mais você.

Escrevo-te para dizer que sempre pensei que controlava vosmecê,

E que o controle me permitiria escrever sem brusca interrupção.

 

Escrevo-te,  distonia,  para te dizer que tens piorado intensamente.

Sempre soube  que minhas mãos não funcionavam de maneira acertada,

Que cada vez mais não conseguia  usar a caneta de forma adequada.

Mas o fato é que vens deixando-as  torcidas e deficientes gradativamente.

 

Eu tinha uma esperança,

Mas, por mais que eu me esforce,  controla-las, eu não consigo.

Escrevo-te para dizer que enquanto o tempo passa, com mais força, tens  evoluído.

Escrevo-te para dizer que me sinto  hesitante e sem confiança.

 

Escrevo-te para dizer que a deficiência quando chega vem sem anunciar,

De repente invade o meu corpo, a minha mão…

E apodera-se dos meus braços e dos meus dedos, como um vulcão!

No simples ato de,  um rascunho, escrevinhar.

 

Escrevo-te para dizer que o esforço é em vão.

Tenho mãos e não consigo ortografar.

Fui à escola, aprendi a ler e a contar.

Mas, escrever…  Que dificuldade,  tanto incomodo e tanta desilusão!

 

Escrevo-te,  com desencanto,  Câimbra do Escrivão.

Pois não suporto a ruptura e o rompimento,

Da normalidade da grafia, que sofrimento!

Chega de tanta invalidez e tamanha  limitação.

 

Uns te chamam de Câimbra do Escrivão,

Outros falam em Síndrome da Câimbra do Escritor,

Mas, és uma Distonia focal do membro superior

Escrevo-te, mas sinto que é em vão.

 

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Vastos Aperreios e Escritas Imperfeitas

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Neste ano que se foi, vi muita coisa rolar.

Foi um ano de  escritas imperfeitas e muita desconfortabilidade.

Como todo brasileiro, respirei fundo para não surtar.

A sobrevivência foi penosa e cheia de vulnerabilidade.

 

Vi aumentar  a violência, o roubo e a falta de consideração…

A falta de respeito, de ternura e de bondade.

A carestia, a falsidade,  a alienação…

O consumismo e a Superficialidade.

 

Mas, é preciso seguir em frente.

Encontrar a trilha.

A felicidade está dentro da gente.

Mas por vezes escondida.

 

No exercício da minha profissão, vivenciei limitações sempre,

Desafios, restrições e alguma dificuldade.

Fui até, de forma subliminar, assediado moralmente…

Como paciente da distonia, o aperreio foi o paulatino agravo da enfermidade.

Para evitar o desatino, precisei se esforçar intensamente.

 

Ao pensar em escrever, uma agonia  sempre invadiu o meu ser…

E sempre fez tremer meu pulso desajeitado.

Na civilização da escrita, como foi difícil viver,

Com uma caligrafia imperfeita; um pulso torcido e indomado.

 

Mesmo nas pequenas tentativas, a escrita torna-se disforme subitamente.

É suportável, viver um dia sem escrever;

Todos os dias, uma tortura incessantemente…

Que incômodo pegar num lápis para anotar algo, pode crer!

 

Com o punho indomesticado…

A caligrafia torna-se extravagante.

Às vezes, faz lembrar um iletrado.

Outras, uma anomalia aberrante…

Mas, apesar dos estresses e do imperfeito abecedário,

Dois mil e Dezesseis foi um ano  profícuo e exuberante.

 

Mesmo com a limitação para simplesmente grifar uma frase

E a mente inquieta por causa da disfunção,

Sobre comportamento – Psicologia, Mídia Social e Espiritualidade,

Li mais de vinte e seis livros, meu irmão!

Foi um tempo de Transcendência e Sublimidade.

 

Redigi dois capítulos de um ebook sobre Câimbra do Escrivão.

Para os blogs HB e ENR, escrevi mais de dezesseis  Post(eres).

Com cinco textos na área de Gestão,

Terminei o  QualiSUS – curso Qualificação de Gestores

 

Apesar da evolução contínua da disfunção,

Sublinho alguns tópicos da promoção da distonia em 2016,

Que me chamaram a atenção,

Que produziram impactos aceitáveis

E me causaram empolgação.

 

Artigos:

Focal Dystonia of the Hand, and what the Brain has to do with it

Scientists develop new drug screening tool for dystonia

Los profesores me ridiculizaban en clase

What really is a dystonic storm?

Vídeos:

Doença rara, distonia faz o paciente perder o controle do corpo

Distonia é uma doença neurológica que afeta músculos e coordenação

Campanhas:

Dia Mundial de Luta contra a Distonia – 15/11:  comemoração da  Fundación Distonia Venezuela

5 por la Distonia: Fundación Distonia Venezuela

Dystonia Awareness Month:  MSDAM

Manifestação da Distonia na Avenida Paulista – São Paulo, no dia 06/05, organizada por Elizabete Tavares

Lista de Blogs Mundiais da Distonia: Dystonia Blogs

Um blog: Dyskinesis

Uma Fanpage: Distonia Saúde

Grupos: Amigos Maravilhosos, Dystonia BloggerMania Dystonia Awareness Writers

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O Espelho do Homem

 

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No Dia Internacional do Homem – 19 de novembro, eu trago um  hino de Alex Polari  intitulado “O Espelho do Homem” que gostei muito. Ele problematiza com seu estilo lírico o comportamento masculino e sutilmente as relações de poder estabelecidas com o semelhante.

Para ser Homem é ser justo
Franco, leal e amigo,
Assim o Mestre mostrou
Esse tornou tão querido

 

Não é fácil ser homem
Se você acha que é
Lembrem  do  nosso modelo
Meu bom  Jesus de Nazaré.

 

Muitos pensam que Homem
É ser brabo e orgulhoso
Como se fosse virtude
De nos fazer mais viçoso

 

Alguns não mantiveram
Sinceridade com os outros
Fingem ser mais não são
E falam mal do irmão

 

Se disser e não for
Muito pior vai ficar
Quebrou com a palavra do Homem
Que Homem não pode Quebrar

 

Se você mexe com vício
Se arrepende mané
Que homem que se vicia
Um bom exemplo não é

 

Homem que é Homem se humilha
Pra na verdade estar,
E poder bem compreender
Aonde o Daime mostrar

 

Para ser Homem é ser justo
Franco, leal e amigo,
Assim o Mestre mostrou
E se tornou tão querido.

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Escrever: um eterno martírio

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Sempre foi muito difícil segurar um lápis.

Escrever uma simples palavra tem sido um infindável suplício.

Cada vez mais, a doença se agrava.

Viver na civilização da escrita sem conseguir anotar uma sílaba…

Rabiscar uma letra ou sublinhar uma frase, a não ser com um esforço descomunal…

É, no mínimo, desconfortante e desesperador.

Sob olhares estarrecidos  diversos, precipita-se o acanhamento.

Sem esperança de melhoras, aumenta a agonia e a aflição.

Pois, escrever é inevitável,  imprescindível…

Mas, sempre foi  um ato dificultoso; um constante martírio.

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“Eu não escrevo em português. Escrevo eu mesmo.”

                                                        Fernando Pessoa

“Escrever é que é o verdadeiro prazer; ser lido é um prazer superficial.”

                                                                                                  Virgínia Woolf

“O que é mais difícil não é escrever muito; é dizer tudo, escrevendo pouco.”    

                                                                                                            Júlio Dantas

“O escritor é um homem que mais do que qualquer outro tem dificuldade para escrever.”

                                                                                                     Thomas Mann

 

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Não aguento mais

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Não aguento mais esta tal de distonia.

Não aguento mais este papo de esperança pela cura.

Não aguento  mais este impedimento para escrever.

Não aguento mais conviver com  os transtornos sociais e psicológicos causados pela doença na minha vida.

Não aguento mais saber que o tempo passa e eu nunca vou saber o que é escrever naturalmente, normalmente…

Não aguento mais tanta especulação, tanta teoria, tanto “blá,blá,blá”.

Não aguento mais tanta gente dando sugestão de como lidar com esta doença devastadora do movimento…

Não aguento mais a omissão do governo para investir em pesquisas

Não aguento mais a falta de articulação dos pacientes deste país.

Não aguento mais esta desilusão…

Não aguento mais viver com distonia.