Focando no Bem

O Bem filosófico, originário do termo latino bene, é a qualidade de excelência ética atribuída a ações que estejam relacionadas a sentimentos de aprovação e dever.

Na  filosofia e na religião, o bem e o mal referem-se ao exame pormenorizado de objetos, desejos e comportamentos através de um espectro dualístico, onde, numa dada direção, estão aqueles aspectos considerados moralmente positivos e, na outra, os moralmente negativos.

O Bem é, por vezes, visto como algo que implica a reverência pela vida, continuidade, felicidade ou desenvolvimento humano, enquanto o mal é considerado o recipiente dos contrários.

Nesta perspectiva,   Homens de Bem  são pessoas que:

1º)  Praticam a lei de justiça, de amor e de caridade em sua maior pureza;

2º) Possuídos pelo sentimento de caridade, fazem o bem pelo bem, sem esperança de recompensa, e sacrificam o seu interesse pela justiça;

3º) São bons para com todos, porque vê irmãos em todos os homens, sem exceção de raças ou de crenças;

4º) São indulgentes para com as fraquezas alheias, porque sabem que eles mesmos têm necessidade de indulgência.  Não se comprazem em procurar os defeitos alheios, nem em colocá-los em evidência;

5º) Estudam as suas próprias imperfeições e trabalham, sem cessar, em combatê-las.  Aproveitam sempre as ocasiões para ressaltar as qualidades dos outros, e não as suas;

6º) Não procuram levar vantagem pessoal em detrimento do bem-estar do grupo. Mas, entendem que a felicidade de uma pessoa depende da felicidade de todas do grupo ou comunidade;

7º) Praticam o princípio  da “Não Violência”.

       “Ahimsa, principio vivido e divulgado por Mahatma  Gandhi , é mais do que somente ausência de violência. Significa gentileza, amizade e consideração cuidadosa por outras pessoas e coisas.” T.K.V. Desikachar  

      Ahimsa, de acordo com Daniela Novaes, implica em: não pensar e nem falar mal dos outros, não alimentar a raiva, não ofender ninguém, não criar inimizades e perdoar sempre.

Mas, as coisas não são tão simples assim. O Bem não vive sem o Mal.  Ambos são categoricamente dois  lados de uma mesma moeda.

Geralmente, temos a tendência de glorificar e valorizar pessoas que são “boazinhas”, enquanto as pessoas que são “ruins” – ou conhecidas como “rebeldes, desordeiras e agitadas” – passam a ser denegridas, segregadas ou isoladas do restante da sociedade. Esta tendência de comportamento é devido a uma educação moralista e tendenciosa.

Na verdade, o Bem é muito conhecido pelas suas propriedades criadoras, mantenedoras e amparadoras. Tudo aquilo que Cria, que Une, que provê, que dá suporte, que Gera, é visto com bons olhos, sendo geralmente classificado como algo “do Bem”.

Já o Mal, na concepção da civilização ocidental, está associado a tudo aquilo relacionado com a destruição,  doença,  tristeza,  pobreza,  miséria,  vícios e  morte. Ou seja, seria o exato oposto daquilo que é representado pelo Bem e a todo custo procura-se evitar e erradicar.

O Bem e o Mal, portanto, por si próprios, são forças ambivalentes da natureza e da existência. Estas forças atuam continuamente, em todos os níveis e em todas as esferas, como agentes balanceadores e indicadores. Se só houvesse Criação, tudo estaria em excesso, desde os Reinos mais básicos até os mais complexos. Tudo acabaria soterrado, aglomerado, “entulhado”, por assim dizer, se não houvesse a ação controladora do processo de Destruição. Assim, estas duas forças coexistem para manter o equilíbrio do ser e do universo.

O processo de Morte e de Destruição nada mais são do que formas de reciclagem. A construção e a destruição são o início e o fim de um Ciclo de Existência de qualquer coisa.  Há muitas outras bipolaridades que representam essas forças, como a saúde e a doença, a felicidade e a tristeza, a riqueza e a pobreza, a morte e o nascimento contínuo das células, entre muitas outras. Dentro desta ótica, de acordo com a doutrina hindu, o deus Shiva pertencente à uma Trindade chamada de Trimûrti, é considerado como o deus da “destruição e regeneração”, enquanto Brahma, é  venerado como o deus da criação.

 É  importante entender que as polaridades fazem parte da vida, tudo caminha junto, coexistindo. É a dança do Yin com o Yang. Trazemos dentro de nós potencialidades e imperfeições, felicidade e sofrimento, o bem e o mal.  Não é saudável privilegiar somente  um lado da existência, pois a tendência é esquecer  a sua contraparte ou a sua sombra. Viver achando que a vida é só um oásis de  felicidade e saúde o tempo todo  nos limita, nos torna alienados e nos impede de conhecermos realmente quem somos.

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