Focando no Masculino

SAGRADO MASCULINO!

Um masculino curado (terapeutizado) é aquele que com muita coragem, conseguiu resgatar a essência do feminino sagrado dentro de si, e por isso consegue honrar e proteger o feminino que se manifesta fora, na forma de mulher, na forma da Mãe Terra.

       Mesmo já tendo nascido com suas camisas de futebol e jogos de lutinha, estes homens decidem conscientemente ser ou não competitivos, pois compreendem os princípios da irmandade, da cooperação e respeito.

     Mesmo que durante toda a sua vida tenham visto o corpo da mulher sendo propaganda de todo tipo de produto (de carro a cerveja), não escolhem suas parceiras pela medida do silicone, pelos músculos definidos do abdome ou por uma bunda perfeita…  mas pelo gosto, pelo cheiro, pelo ritmo, pela frequência e conexão da alma, mente e coração.

   Mesmo que a pornografia tenha regido os primeiros movimentos desta sexualidade, o masculino curado (terapeutizado) já não mais se alimenta de uma psicogênese de fantasias, mas sim de verdadeiras sensações, o que permite que ele realmente se empenhe em conhecer seu corpo e o corpo de uma mulher.

       Ao se relacionar intimamente, o Masculino Curado se aceita vulnerável; mesmo que “homem não chore”, este é capaz de entrar em contato com suas emoções, é capaz de externalizar o que sente e de receber os processos internos de outros.

   Assim, é totalmente auto responsável na cura e manutenção de suas relações. Estes homens, ao terem filhos, sabem que o cuidado não é de exclusividade da mãe; mesmo tendo tido uma infância de carrinho para meninos e bonecas para meninas.

       Ao ver sua mulher parideira, o masculino curado (terapeutizado) honra e admira ainda mais sua parceira, mesmo que tenham dito a ele que a medicina faz o trabalho mais bem feito.

    Mesmo não tendo sido estimulados a se conectar com a Mãe Terra, estes homens são cuidadores, prezam pela sustentabilidade, pelo consumo consciente.

    Por conhecer da Mãe Terra, se tornam capazes de honrar e respeitar os movimentos cíclicos das mulheres. Compreendem os ciclos de impermanência da vida, desenvolvendo consciência, estabilidade e equanimidade em seus processos. Compreendem seus próprios ciclos de vida; assumindo seus papéis e as responsabilidade de cada novo momento.

      Indo além da ditadura da juventude, este homem cíclico se permite também envelhecer; não precisa de mulheres mais jovens e nem de carros maiores. Ele sabe o momento de se retirar, e sabe de sua importância como pilar de manutenção da sabedoria na família e em toda a sociedade.

       Eu honro e me curvo diante deste masculino sagrado, que se cura, que tanto se arrisca a reinventar-se, a criar uma nova história, a romper as crenças e padrões. E convido a todas as mulheres a fazerem o mesmo, abrindo espaço e dando coragem para que estes amigos, filhos, pais e companheiros possam se redescobrir dentro desta sociedade… de homens e mulheres patriarcais.

Morena Cardoso
Terapêuta Corporal

 

PELOS DIREITOS DOS MENINOS

Que nenhum menino seja coagido pelo pai a ter a primeira relação sexual da vida dele com uma prostituta (isso ainda acontece muito nos interiores do Brasil!)

Que nenhum menino seja exposto à pornografia precocemente para estimular sua “macheza” quando o que ele quer ver é só desenho animado infantil (isso acontece em todo lugar!)

Que ele possa aprender a dançar livremente, sem que lhe digam que isso é coisa de menina

Que ele possa chorar quando se sentir emocionado, e que não lhe digam que isso é coisa de menina

Que não lhe ensinem a ser cavalheiro, mas educado e solidário, com meninas e com os outros meninos também

Que ele aprenda a não se sentir inferior quando uma menina for melhor que ele em alguma habilidade específica – já que ele entende que homens e mulheres são igualmente capazes intelectualmente e não é vergonha nenhuma perder para uma menina em alguma coisa

Que ele aprenda a cozinhar, lavar prato, limpar o chão para quando tiver sua casa poder dividir as tarefas com sua mulher – e também ensinar isso aos seus filhos e filhas

Na adolescência, que não lhe estimulem a ser agressivo na paquera, a puxar as meninas pelo braço ou cabelos nas boates, ou a falar obscenidades no ouvido de uma garota só porque ela está de minissaia.

Que ele não tenha que transar com qualquer mulher que queira transar com ele, que se sinta livre para negar quando não estiver a fim – sem pressão dos amigos

Que ele possa sonhar com casar e ser pai, sem ser criticado por isso. E, quando adulto, que possa decidir com sua mulher quem é que vai ficar mais tempo em casa – sem a prerrogativa de que ele é obrigado a prover o sustento e ela é que tem que cuidar da cria

Que, ao longo do seu crescimento, se ele perceber que ama meninos e não meninas, que ele sinta confiança na mãe – e também no pai! – para falar com eles sobre isso e ser compreendido

Que todo menino seja educado para ser um cara legal, um ser humano livre e com profundo respeito pelos outros. E não um machão insensível! Acredito que se todos os meninos forem criados assim eles se tornarão homens mais felizes. E as mulheres também serão mais felizes ao lado de homens assim. E o mundo inteiro será mais feliz.

O machismo não faz mal só às mulheres, mas aos homens também e para toda a humanidade.

 Sílvia Amélia de Araújo

O AMOR DE DEMÉTER

O caminho do Sagrado Feminino nos leva ao resgate da mitologia e da nossa ancestralidade, nos permitindo compreender os arquétipos femininos. Esses arquétipos são estruturas e padrões de comportamentos que herdamos de nossos ancestrais. Eles representam a forma como agimos e como nos expressamos, trabalhar este resgate dos saberes ancestrais femininos através dos arquétipos, nos induz a auto percepção, e o autoconhecimento. O surgimento do grande ser, ou o despertar da grande deusa interior, nada mais é do que a reintegração dessas forças arquetípicas em nós mesmos, são saberes que carregamos vívidos em nossas memórias, e representam a chave para a conexão com a deusa interior através da introspecção e do equilíbrio dos arquétipos.

As sombras presentes nos arquétipos indicam distorções na força Kundalínica, por excessos ou por ausências da Grande Mãe na psique feminina.  Essas distorções decorrem das forças involutivas no comando do planeta.  Para melhor entendimento, decorrem do desequilíbrio gerado através da vibração masculina, mas comumente chamado de patriarcado. Isso levou à distorção e a repressão desses arquétipos femininos. Deméter personifica o arquétipo da mãe, para ela, a procriação é o principal motivo da existência feminina. Ela é o instinto maternal, aquela que vive para servir e cuidar dos outros, que nutre todos os seus relacionamentos, podendo se converter muitas vezes em mãe dos seus amigos, familiares e companheiros. Este arquétipo possui dificuldades em pôr as suas necessidades em primeiro lugar e expressar o que querem de verdade, pois vivem para agradar.

A sombra de Deméter por excesso representa a mãe negra, dominadora e controladora. Ela é um contentor absoluto que absorve o filho e impede o seu crescimento para longe e para fora de si. A sombra de Deméter por ausência resulta na mãe desnaturada ou a mãe ausente, uma mulher que não ativou que não assume a função de mãe, não libertou em si mesma essa energia, não restaurou em si esse significado.

Ao nos afastarmos dos extremos da mãe extremamente dedicada, ou da mãe extremamente terrível, é possível ter consciência tanto das intenções positivas quanto das negativas deste arquétipo. A partir dessa consciência, a mulher pode começar a trabalhar o equilíbrio, a harmonização do seu feminino, para ser levada a uma relação livre em relação a este, e aos demais arquétipos. Ao se distanciar dos dois extremos, se mantendo no centro ela irá se aproximar cada vez mais da síntese, Tara/Sophia, o arquétipo integrado da mulher. Ao encontrar a deusa interior as mulheres encontraram a si mesmas, reconhecendo e aprendendo como usar seu poder sagrado e a sua sabedoria ancestral. Para isto é necessário a busca pelo arquétipo da Grande mãe nas suas múltiplas manifestações, ela estará lá, no nosso inconsciente individual e coletivo.

AMAR E HONRAR O MASCULINO.

A crítica radical feminista ao sistema patriarcal alega que a masculinidade é essencialmente agressiva, mas será que o potencial da energia masculina só pode representar a opressão ao feminino?

Este é o dilema que paira no atual imaginário feminino, porém, em sua essência as raízes da verdadeira masculinidade nunca foram exclusivamente agressivas.

Na verdade, o patriarcado é a representação da masculinidade imatura, aquilo que se chama de psicologia do menino, não é a expressão da verdadeira potencialidade masculina amadurecida na essência, na plenitude do ser.

O patriarcado se fundamenta no medo masculino, não somente das mulheres, mas também em relação aos outros homens que se diferem da sua imaturidade. Este estereótipo imaturo é definido na expressão do lado sombra, o lado louco da masculinidade.

Mas que um sistema, ele representa o desequilíbrio do sagrado masculino, sendo uma agressão a própria masculinidade. Da mesma forma, o matriarcado representa o medo e o controle da energia oposta, sendo também uma agressão à feminilidade na sua plenitude.

O homem atrofiado, fixado tão somente em níveis de medo, controle, agressividade e sobrevivência, é aquele que realmente nos agride e nos machuca, ele caminha distante da plenitude do ser masculino e feminino, ele representa a imaturidade humana.

Homens e mulheres se afastaram de sua real essência, se desconhecem, e ignoram os processos de iniciação de suas manifestações arquetípicas. Disto decorre o controle, através do exagero da energia masculina que socialmente e culturalmente governam o mundo. Esta desconexão só contribui para a dissolução da identidade madura do homem e da mulher.

O anseio feminista clama por menos poder masculino em nossa sociedade, quando na verdade se deveria desejar por mais empoderamento masculino, por mais psicologia do homem, por mais homens conscientes do seu sagrado masculino.

A omissão masculina nos levaria ao matriarcado, ou a outra face de uma mesma moeda. Nessa crise da masculinidade que vivemos por tanto tempo no planeta, o encorajamento do homem também se faz necessário. Tranquilizar a energia masculina inviabiliza a sua distorção através da atuação de dominação e destruição em relação aos outros.

O que percebemos no patriarcado é que tanto no homem quanto na mulher ainda existe muita dor a ser curada, e a cura vem de uma relação conjunta e complementar, assim o aspecto masculino para ser curado depende da cura do aspecto feminino.

Permitir que esta relação não seja mais de separação, ofensas e injurias, é deixar de lado excessivas crenças de manipulação e vitimização que nos controlam. É possível reivindicar direitos sociais de forma equilibrada, a crítica em defesa das mulheres, quando não é suficientemente sensata, fere ainda mais uma potencialidade masculina madura que já se vê acuada.

A mulher quando se cura reaprende a honrar e confiar no masculino, no seu poder e potencial sagrado de transformação. Com isso deixa de existir a ilusão da separação, pois, este é um caminho que só pode ser trilhado a dois. A única arma que deterá o patriarcado é justamente aquela que ele desconhece: o amor. Qualquer outro artifício será apenas ilusão.

A energia feminina representa o farol que ilumina e equilibra o masculino, com a finalidade de despertar a sabedoria em ambos. Afinal é disto que se trata o sagrado masculino e feminino, no amadurecimento de homens e mulheres para a transformação de uma nova realidade.

Monica Batista

Sugestão de artigos:

 

O Despertar do Homem Sagrado

O Chamado, quando surge no âmago de um homem, é como uma potente combustão que inflama o espírito de um modo impossível de se irrelevar. Os olhos passam a investigar o mundo através de novas matizes.

É a voz da Deusa, presente em cada grão de terra, rocha, curso d’água, folha e raiz, murmurando um cântico primal e selvagem que, muito embora seja tão antigo quanto o alvorecer das Eras, apenas agora os seus ouvidos se mostram capazes de perscrutar.

A Mãe o recebe e o aninha em seus ternos braços, como a nova criança que ele acabara de se tornar. Mas não se pode esperar que a infância perdure pela eternidade. Assim, fatalmente, chegará para esse homem o momento em que deverá cruzar a segunda porta, assim adentrando os domínios do Deus. O Senhor dos Mistérios da Vida e da Morte ali se revelará como Ceifador, com sua grande foice e olhos capazes de enxergar através das frágeis camadas de ilusões sob as quais escondemos nossas fragilidades e inseguranças.

É aqui onde muitos falham, petrificados diante do terror de verem suas antigas crenças e paradigmas pessoais estremecerem, prestes a ruir. Mas, para seguir adiante, não haverá outra possibilidade no horizonte desse homem a não ser uma: ele terá de morrer.

Toda sociedade estruturada sobre alicerces judaico-cristãos, tem o seu design criado e mantido por e para homens. Seu Deus é masculino, concebe o homem à sua imagem e dá-lhe o domínio sobre a Natureza e as demais criaturas. Em sua mitologia, a mulher surge apenas como um subproduto do homem, feita tão somente para atender às necessidades deste e, a posteriori, torna-se a razão de sua queda ao sucumbir à tentação do “Pecado Original” e convencê-lo também a pecar.

Debaixo de tal imaginário, os signos e os mistérios femininos, ao longo dos séculos, sofreram um hediondo processo de ostracização que não apenas tolheu as mulheres de expressarem a sua própria essência de maneira integral como também tornou imperioso que os homens negligenciassem o seu próprio Feminino íntimo (Anima), uma vez tudo o que o concerne é relegado a uma posição desfavorável na dinâmica das experiências sociais, o que o torna indesejável para um homem nutrir e expressar. Ademais, oferece um modelo de masculinidade caracterizado por ser extremamente dominador e violento, para o qual, como anteriormente dito, a mulher e a própria Natureza não passam de objetos a serem conquistados e possuídos, um direito que lhe é outorgado pelo seu próprio Deus criador.

Mas, ao honrarmos as forças da Natureza, seus agentes e seus ciclos, nós, atestamos a sua sacralidade em claro contraste aos valores que ditam as normas sociais. Aprendemos a reconhecer e a despertar esses poderes em nós, uma vez que é a mesma essência que nos integra e nos une. Muito longe de nutrir a tola pretensão de nos acharmos donos da Natureza, reconhecemos que é Ela que nos tem, não como escravos, mas como seus filhos.

Cada um de nós é uma célula no corpo da Deusa e juntos formamos um massivo e divino corpo. A Deusa, em sua imanência, a tudo permeia e tudo a ela pertence.

Vivenciando o Sagrado Masculino, o homem tem nas mãos uma valiosa lição; não só lidar com a ausência do seu protagonismo habitual que as estruturas sociais lhe delegam, mas também aprender a reconhecer no Feminino o Sagrado, e, assim reconciliar-se com o seu próprio feminino íntimo, reprimido e ferido, como consequência dos condicionamentos que sofreu.

Todo esse processo de desagregação e desconstrução configurará em uma drástica e irreversível alquimia psicoemocional e espiritual no homem. Apenas rompendo com antigos ideais auto-repressivos e munido do desejo de se autoconhecer é que poderemos aspirar a plenitude e a integralidade do ser. Resgatando o verdadeiro Masculino (Animus), curado e livre, que não busca apossar-se do Feminino, tampouco feri-lo ou limitá-lo, mas harmonizar-se com ele, ambos fluindo sem obstáculos, em perfeito equilíbrio.

Uma vez atingida essa meta, desperta no mundo um Homem Sagrado.

Fonte: Mulheres Despertas.

Papo de Homem