Livro sobre Câimbra do Escritor

Finalmente saiu o livro Câimbra do Escrivão: uma deficiência incomum,  depois de um trabalho laborioso e uma parceria excepcional com Maristela Zamoner. O livro, na verdade, busca ajudar os pacientes com distonia focal da mão a compreenderem melhor este transtorno neurológico do movimento: uma doença rara e estranha. Assim como, pretende estimular uma discussão sobre a doença para que todos aprendam a viver bem sem escrever na civilização da escrita.

O desafio maior de escrevê-lo, para mim,  foi o fato de não conseguir  segurar o lápis com precisão, não saber articular a escrita e sentir dificuldades, incômodos e dores ao digitar. Mas, apesar destas limitações, não deixei de seguir em frente, pois tenho vivido com estas restrições desde tempos imemoriais: tempos do pré-escolar.

Sou muito grato a amiga Maristela  que me provocou para este projeto.  A ideia do livro surgiu em 2016 quando recebi a proposta de fazermos juntos um ebook onde pudéssemos colaborar para o apoio e suporte do paciente com  distonia compartilhando o conhecimento e as nossas experiências a respeito desta doença-deficiência.  Então, embarcamos nesta difícil e árdua jornada…  Por isso, é com grande prazer que anunciamos o lançamento virtual  desta valorosa publicação pela Comfauna.

A necessidade de colocar no papel os próprios pensamentos, as emoções e os próprios momentos íntimos da vida é muito semelhante ao prazer que se pode sentir ao compor uma peça musical. Há uma tensão que se instala entre o querer e o buscar, entre a intenção e o elemento inevitável de surpresa e o espanto que cada nova página deixa para trás depois de concluída. Na pressa de redigir e criar há, de fato, inúmeras vezes que se tem que mudar uma ideia ou que nos encontramos numa encruzilhada… A necessidade da velocidade da criação nos obriga a  escolher o caminho certo a percorrer, na hora certa, deixando-nos, às vezes, a ser guiados pelo instinto e não pelo bom senso, pela tensão que se cria em direção a uma determinada direção oposta à previamente estabelecida.  E desta forma, permite inspiração livre para levar a alma a doar-se como um meio de intenções mais profundas do que a própria vontade. Marco de Biasi, músico e pintor com distonia focal – The Need to Write.