Mãos

 

Ah, mãos…

Mãos de ontem,

Mãos de hoje,

Mãos de amanhã.

Mãos… Mãos… Mãos…

Mãos divinas, mãos humanas,

Mãos que vêm, mãos que vão…

Ah, mãos…Eternas elas são!

Mãos ao alto,

Mãos para o céu,

Mãos que acenam com a paz,

Mãos que trazem destruição.

Ah, mãos… Enigmáticas são!

Mãos inibidas,

Mãos que limpam o chão,

Mãos que tiram vidas,

Mãos de compaixão.

Ah, mãos… Quão simples são!

Mãos, ah mãos… O que mais dizer sobre as mãos?

Mãos idealizadoras, inteligentes, cuidadoras, negligentes.

Ah, mãos… Criadoras são!

Mãos que conduzem, que atrapalham, que abandonam, que amparam.

Ah, mãos que existem!

Mãos que trabalham, desertoras, que afagam, cobradoras.

Ah, mãos… Poderosas são!

Mãos de igualdade, de opressão, de justiça, de agressão.

Ah, mãos… Valiosas são!

Mãos de gentileza, de crueldade, de pureza, de bondade.

Ah, mãos… Quão significativas são!

Mãos… De quem elas são?

São do operário, são do cidadão,

São do criminoso, são do anjo – guardião.

Ah, mãos… Quão importantes são!

Mãos que colhem o trigo, que plantam os grãos, que semeiam vidas, que dão ilusão.

Ah, mãos… Cada qual com uma missão!

Mãos que vêm de longe, sedentas de amor, que batem continência, que provocam dor.

Ah, mãos… As tuas intenções, quais são?

Mãos do Oriente, do Ocidente, do favelado, do presidente.

Ah, mãos… Quão preciosas são!

Mãos de perdão, impiedosas, de prontidão e orgulhosas.

Ah, mãos… De quem elas são?

Mãos pardas, mãos brancas, mãos negras, mãos santas.

Ah, mãos… Quão silenciosas são!

Mãos que se apresentam, que se conhecem, que se maltratam, que adoecem.

Ah, mãos… Quão presentes são!

Mãos imóveis, diferentes, pobres, de toda gente.

Ah, mãos… Sustentadoras são!

Mãos milagrosas, de doentes, onerosas, de prudentes.

Ah, mãos… Quão expressivas são!

Mãos de liberdade, de escravidão, que exploram, que dão o pão.

Ah, mãos… Quão infinitas são!

Mãos compreensivas, que edificam, altruístas, que suplicam.

Ah, mãos… Que belo tesouro as mãos são!

Mãos estendidas, postas, presas, expostas.

Ah, mãos… Quão misteriosas são!

Mãos frias, quentes, zelosas, ausentes.

Ah, mãos… Quão profundas são!

Mãos… Mãos… Mãos…

Honestas, leais, íntegras, imortais.

Prósperas, conscientes, raras, sorridentes.

Ruidosas, meditativas, falantes, exaustivas.

Comprometidas, alienadas, envolvidas, apaixonadas.

Desoladas, animadas, abertas, fechadas.

Competentes, de solução, eficientes, de precisão.

Simples, complicadas, humildes, exaltadas.

Obrigatórias, convincentes, compensatórias, contundentes.

Leves, pesadas, vazias, abarrotadas.

Tolerantes, corajosas, cooperantes, carinhosas.

Normais, de misericórdia, ideais, de concórdia.

Concretas, impalpáveis, equilibradas, incuráveis.

Apegadas, desprendidas, preocupadas, rendidas.

Secretas, evidentes, destemidas, tementes.

Joviais, envelhecidas, superficiais, preenchidas.

Que suportam, que condenam, que acolhem, que envenenam.

Que ouvem, que falam, que aconselham, que calam.

Que sacodem, que acariciam, que explodem, que aliviam.

Que facilitam, que conflitam, que ampliam, que limitam.

Que unem, que separam, que lutam, que desarmam.

(Que não escrevem…)

Autoconfiantes, equilibradas, titubeantes, desalinhadas.

Opulentas, de sacrifício, sangrentas, de artifício.

Delicadas, castigadas, bem tratadas, machucadas.

Genuínas, juvenis, pequeninas, pueris.

Fortes, fracas, ricas, sem nada.

Calosas, ociosas, primorosas, copiosas.

Novas, velhas, elegantes, singelas.

Macias, ásperas, curtas, elásticas.

De fantasia, de esplendor, de magia, cheias de flor.

Raivosas, inocentes, amorosas, de enfeites.

De amargura, glorificadas, de brandura e abençoadas.

Calorosas, de serenidade, valorosas, de verdade.

Vaidosas, operantes, desatentas, vigilantes.

Suaves, duras, claras, escuras.

Falsas, vãs, sem graça, vilãs.

Pesarosas, de combatentes, esperançosas, sobreviventes.

Da noite, do dia, da tristeza, da alegria.

Coesas, sem nexo, graciosas, com complexo.

Calmas, agitadas, tensas, relaxadas.

Talentosas, que imitam, generosas, que irritam.

Precisas, oscilantes, certas, errantes.

Da ignorância, do conhecimento, de atitude, de retraimento.

Decididas, de armamento, incoerentes, de sofrimento.

De caridade, de proteção, de solitude, de solidão.

De virtude, sem valor, de saúde, de esplendor.

Instintivas, de intuição, afirmativas, de negação.

Amigas, de desafetos, de argila, de concreto.

Ativas, paradas, otimistas, desanimadas.

Benevolentes, mal intencionadas, inconsistentes, fundamentadas.

Excelentes, luminosas, futuristas, maravilhosas.

Que nascem, que crescem, que sobem, que descem.

De sorte, de azar, de morte, de pesar.

(De distonia…)

Que surpreendem, que aterrorizam, que ofendem, que harmonizam.

Que socorrem, que recusam, que absolvem, que acusam.

Que admiram, que invejam, que desestimulam, que pelejam.

Que acumulam, que guardam, que anulam, que validam.

Infantis, especiais, da natureza e celestiais.

Que reconfortam, que sustentam, que restauram, que alimentam.

Dominadas, odiosas, deformadas, piedosas.

Que aproximam, que afastam, que abominam, que abraçam.

E, então, levaria a vida inteira falando sobre as mãos: seus pensamentos, suas atitudes, seu comportamento e suas emoções…

E, principalmente sobre o que deixam gravados no mundo.

Distante de mim, o julgamento.

Trata-se apenas de uma observação, seguida de uma enumeração.

Mas, o mais importante e fundamental é dizer:

Mãos de humildes,  de bebês,  de surpresa,

Mãos que ninguém vê!

Ah, mãos, que doce milagre farão?

Assim vão as mãos fortes,

Assim vão as mãos fracas,

Caminhando sobre o planeta,

Limpas ou sujas, gordas ou magras…

Mãos que educam, mãos de amor e

Mãos que salvam.

Mãos, todas, todas são,

Dotadas de direção,

Filhas da consciência e instrumentos do coração!

Rosana Rocha

 

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