Poemas dos Oito Caminhos

Apresento  alguns poemas que são atribuídos a  T’an Meng-hsien e são clássicos dos ensinamentos do Tai Chi Chuan. Publicado originalmente por: Diário de Tai Chi.
Poema do Aparar (Peng)
Como explicar a energia do Aparar?
É como a água, um barco em movimento, carregando.
Torne o ch’i substancial no tan-t’ien primeiramente,
Também deve-se a cabeça pelo alto suspender.
Todo o corpo tem de uma fonte o poder.
Claramente definidos devem ser Emitir e Receber.
Mesmo que mil quilos de força use o atacante,
Sem dificuldade flutuaremos, suavemente.
Poema do Puxar para Trás (Lu)
Como explicar a energia do Puxar para Trás?
Permitindo seu avanço em nossa direção,
O oponente conduzimos,
Enquanto seguimos sua força de aproximação.
Até seu excesso continuando a  condução,
Leves e confortáveis permanecemos,
Sem a postura vertical perdermos.
Ao gastar sua força,
Vazio naturalmente ele estará; e nós,
Se o centro de gravidade mantermos,
Nunca ser superados poderemos.
Poema do Pressionar (Chi)
 Como explicar a energia do Pressionar?
Os dois lados empregamos
Em certa ocasião,
Para receber diretamente
Uma simples intenção.
Encontrando e combinando
Em uma única ação,
Recebemos indiretamente
A força da reação.
É como a bola
Na parede rebatendo,
Ou como a moeda
No tambor se derrubando,
Com tom metálico ressoando.
Poema do Empurrar (An)
 Como explicar a energia do Empurrar ?
Quando aplicado,
É como água em movimento,
Mas em meio a suavidade,
Grande força é encontrada.
Quando o fluxo é ligeiro,
A força não é estagnada.
As ondas quebram-se nos lugares altos,
Mergulham fundo nos lugares baixos.
As ondas sobem e descem,
Mas um buraco encontrando,
Nele certamente avançarão.
Poema do Puxar para Baixo (Ts’ai)
Como explicar a energia do Puxar para Baixo?
Permitimos ao adversário
Liberdade para sua força,
Seja ela grande ou pequena,
Como se algo na balança pesássemos.
Depois de avaliado,
Seu peso ou leveza conhecemos.
Girando com poucas gramas,
Muitos quilos pesaremos.
Se pelo princípio  subjacente perguntamos,
A função da alavanca descobrimos.
Poema do Tangenciar (Lieh)
 Como explicar a energia do Tangenciar?
Revolvendo como um tornado,
Se algo contra ele é atirado,
A longa distância é arremessado.
Redemoinhos em ligeiras correntes aparecem,
E como espirais são as ondas encrespadas.
Se em sua superfície as folhas caem,
Nunca de nossa vista desaparecem.
Poema do Ataque com o Cotovelo (Chou)
Como explicar a energia do Ataque com o Cotovelo?
Nosso método pelos Cinco Elementos
Deve ser considerado.
Yin e Yang acima e abaixo
São divididos,
Cheio e Vazio claramente devem
Ser distinguidos.
O oponente nosso contínuo movimento
Não pode agüentar,
E mais aterrador é o nosso
Explosivo golpear.
Quando meticulosamente dominadas são
As seis energias,
As aplicações infinitas serão.
Poema do Ataque com o Ombro
 Como explicar a energia do Ataque com o Ombro?
Entre ombros e costas
O método é dividido.
Na postura Vôo Diagonal
O ombro é usado,
Mas entre os ombros
Há também as costas.
Quando repentinamente
A oportunidade se apresenta,
Ele golpeia em colisão,
Como a mão do pilão.
O centro de gravidade
Cuidadosamente manter devemos,
Pois se o perdermos,
Certamente falharemos.

Poemas dos Cinco Passos:

Poema do Avançar
 Quando é hora de avançar,
Sem hesitação deve-se avançar.
Se obstáculos não encontrar,
Continuamente deve-se avançar.
Falhando o avanço na hora certa,
A oportunidade é perda certa.
Avaliando a ocasião de avançar
Corretamente,
Vitoriosos seremos
Certamente.
Poema do Recuar
Se nossos passos seguem
Do corpo as mudanças,
então nossa técnica será
Perfeita e bem acabada.
Evitando o cheio,
Enfatizando o vazio,
Assim o oponente
Se apoia em nada.
Falhando em recuar,
Quando se pede recuar,
Nem sábio nem corajoso
Isto pode se chamar.
Verdadeiramente,
Recuar é avançar,
Se em contra-ataque
Ele pode se tornar.
Poema do Olhar para a Esquerda
Para a esquerda e para a direita,
Yin e Yang mudam
Segundo a situação.
Evadimo-nos pela esquerda
E atacamos pela direita,
Com passos firmes e convicção.
Operam juntos pés e mãos,
Joelhos, cotovelos,
Cintura também.
Nossos atos o oponente
Sondar não pode, e contra nós
Defesa não tem.
Poema do Olhar para a Direita
Com passos perfeitos,
Fingindo à esquerda, atacamos pela direita.
Seguindo a ocasião,
Golpeamos à esquerda, atacamos pela direita.
Tudo que é frontal evitamos,
E mudanças de condições avaliando,
Lateralmente avançamos.
Cheio e vazio, esquerda e direita
Sem falhas, use técnica perfeita.
Poema do Equilíbrio Central
Estáveis e serenos como a montanha,
Estamos centrados.
Nosso ch’i baixa para o tan-t’ien,
Somos como que suspensos pelo superior.
Nosso espírito é concentrado,
A composição é perfeita no modo exterior.
Energia emitindo e recebendo,
Ambos frutos de um instante operando.

Quando a deficiência é invisível

Quando falamos em deficiência, a maioria das pessoas pensa imediatamente  nas seguintes situações:  cadeira de rodas, cão guia, linguagem em libras… Porém, as deficiências podem aparecer de muitas formas diferentes e incluem outras condições que podem não ser visíveis. Vivemos em uma sociedade onde a doença crônica permanece invisível, por exemplo. Podemos falar de realidades tão duras como a Distonia Focal da Mão que é para muitos uma doença rara, incapacitante e desconhecida e que levam algumas pessoas a justificarem suas ausências ao trabalho. E além disso,  é quase imperceptível.

Dentre as deficiências invisíveis podemos fazer referência a doenças como TDAH, a dislexia, o autismo,os transtornos do processamento sensorial, os distúrbios do sono, os transtornos mentais, a Distonia Generalizada, a Câimbra do Escritor (Distonia Focal), a Esclerose Múltipla, a Fibromialgia, as Cardiopatias, as Doenças Metabólicas, a Fibrose Cística, dentre outros. As doenças crônicas socialmente invisíveis (DCSI) são responsáveis, de acordo com a “Organização Mundial de Saúde” (OMS), por cerca de 80% das doenças de hoje. Além do sofrimento ocasionado por estas doenças debilitantes às pessoas doentes, a consternação aumenta ainda mais ao enfrentar o preconceito de uma sociedade que está muito habituada a julgar sem conhecer.

Portanto, viver com uma doença crônica incapacitante como a Câimbra do Escritor é, por sua vez, fazer uma viagem tão lenta quanto solitária. A primeira etapa desta viagem é a busca de um diagnóstico definitivo de “tudo o que acontece em mim”. Na verdade, pode-se levar anos até que a pessoa finalmente consiga nomear aquilo que a maltrata. Por outro lado, depois de ser diagnosticado e tentar conviver com os infortúnios da doença/deficiência, às vezes,  imperceptível, chega-se certamente a parte mais complexa: encontrar a dignidade e a qualidade de vida com a dor e infortúnios  como companheira de viagem.

Visíveis ou invisíveis, as doenças incapacitantes juntamente com as chamadas deficiências trazem consigo muitos desafios. Mas, a principal diferença é a falta de compreensão com aquilo que não é imediatamente perceptível. Falta de compreensão dos vizinhos, da escola, dos colegas de trabalho e até de familiares. Além disso, em muitos casos é difícil conseguir um diagnóstico e difícil de obter o tratamento adequado também.

Quantos de nós já fomos julgados, ou até já julgamos, por usar uma fila preferencial ou usufruir algum direito, sem ter uma deficiência aparente? Bom, nestas ocasiões não adianta ficar triste ou irritado. Se muitas vezes já é difícil compreender coisas que estão bem diante dos nossos olhos, imagine se for algo que não está assim tão escancarado. Veja o caso desta PACIENTE que devido a um traumatismo craniano passou a sofrer de ataxia e pouca habilidade motora. Para ela, carregar um copo de líquido sem derramar tornou-se um sonho, assim como, escrever qualquer coisa à mão é doloroso.

A maioria das classes de deficiências permite à Pessoa com Deficiência que se identifique – e seja identificado – como tal e, portanto, conte com a boa vontade da sociedade em geral e dos órgãos protetores para melhorarem sua qualidade de vida. Por outro lado, existem pessoas que possuem deficiências menos conhecidas, mas nem por isso menos importantes, já que esses pacientes também requerem adaptações que são fundamentais para conseguirem realizar com tranquilidade suas atividades mais cotidianas. Aqui se enquadra a Câimbra do Escritor.

As doenças invisíveis e o mundo emocional

O grau de deficiência de cada doença crônica varia de pessoa para pessoa. Alguns terão maior autonomia, e também existirão aqueles que, por sua vez, possam ser mais ou menos funcionais, dependendo do dia. Neste último caso, a pessoa terá momentos nos quais a doença a aprisiona e momentos nos quais, sem saber o porquê, ela se sente mais livre da doença.

Existe uma organização sem fins lucrativos chamada “Invisible Disabilities Association” (IDA). Sua função é educar e conectar a pessoa com uma “doença invisível” com seu ambiente mais próximo e com a própria sociedade. Algo que eles deixam bem claro nesta associação é que viver com uma doença crônica é um problema, mesmo no âmbito familiar ou escolar.

Muitos pacientes adolescentes, por exemplo, recebem às vezes as censuras do seu entorno porque acreditam que eles usam sua doença para não cumprir com as suas obrigações. Seu cansaço não é devido à preguiça. Sua dor não é uma desculpa para não ir à escola ou não realizar as suas tarefas. Tais situações são as que pouco a pouco podem acabar desconectando a pessoa da sua realidade, até que se torne, se é que é possível, ainda mais invisível.

A importância de ser emocionalmente forte

Ninguém escolheu suas enxaquecas,seu lúpus, seu transtorno bipolar, sua Distonia… Longe de se render diante do que a vida tem para oferecer, só resta uma opção. Assumir, lutar, ser assertivo, resiliente e levantar-se a cada dia apesar da dor, do medo, da insegurança provocado pela doença.

Uma doença crônica envolve ter de assumir muitas peculiaridades que a acompanham. Uma delas é aceitar que seremos julgados em algum momento. Devemos nos preparar com estratégias de enfrentamento adequadas.

Nós não devemos relutar em dizer o que acontece conosco, em definir nossa doença. Temos de tornar visível o invisível para que aqueles que nos cercam tomem consciência. Haverá dias nos quais aguentaremos qualquer coisa e momentos nos quais não aguentaremos nada. No entanto, continuamos a ser os mesmos.

Também devemos ser capazes de defender os nossos direitos. Tanto em nível de trabalho quanto no caso das crianças nas escolas. No meu caso, a minha experiência escolar foi traumatizante por não ter sido respeitado enquanto uma pessoa que sempre teve uma deficiência incomum.

Neurologistas, reumatologistas e psiquiatras recomendam algo essencial: o movimento. Você tem que se mover com a vida e levantar todas as manhãs. Embora a dor nos torne cativos, temos que nos lembrar de uma coisa: se pararmos nos atinge a obscuridade, as emoções negativas e o abatimento…

Por fim, algo que deve ficar claro é que as pessoas afetadas por doenças crônicas socialmente invisíveis como a Distonia Focal não precisam de compaixão. Nem tão pouco necessitamos de um tratamento especial. A única coisa  demandada é empatia, consideração, respeito… Porque às vezes as coisas mais intensas,maravilhosas ou devastadoras, como podem ser o amor ou a dor, são invisíveis aos olhos.

O que me resta…

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Nestes últimos tempos, percebo a piora considerável da doença. No desejo de adiantar o serviço no meu trabalho, tento escrever…  Mas, não consigo fazê-lo, mesmo depois de tanto esforço e tanta paciência.

O que me resta, então, são sentimentos desagradáveis, desconcertantes, desesperadores…

O que me resta é pedir ajuda aos colegas de trabalho por causa deste embaralho.

O que me resta é esperar que alguém me empreste a mão, que me dê uma mão.

O que me resta é a decepção, a frustração, a limitação…

O que me resta é entender que esta é muito mais que uma doença; é, sem dúvida, uma sinistra deficiência.

Nesta efervescência causada pela percepção de uma mão defeituosa, lembro-me, de sobressalto, de um comentário feito por uma amiga da Comunidade Distonia, há algum tempo atrás:

Ai, ai, ai… fazia tempo que não me sentia tão angustiada! Isto é terrivelmente frustrante!
Pedir para um paciente de distonia escrever deveria ser considerado crime!

Nunca vi algo com a magia de desconcertar e desalinhar tanto como esta aberração chamada de “Câimbra do Escrivão”.

Enfrentando a Câimbra do Escritor com Equanimidade

Fighting Dystonia with Fitness é o nome do blog de James Sutliff, que é paciente da distonia, modelo, treinador pessoal e técnico de pessoas com deficiência.   O blog e o site de James é muito  interessante e mostra o seu  profissionalismo  e positividade mesmo com a limitação da doença.

Eu me comovo sempre com pessoas como James Sutliff que mostra resiliência e determinação malhando incessantemente para obter controle do corpo que não responde aos comandos naturais devido as contrações físicas provocados pela distonia. Na verdade, a minha história é similar, pois tenho lutado incansavelmente com esta doença desde criança para tentar obter o comando dos movimentos relacionados as tarefas que implicam a psicomotricidade fina, assim como, buscar um equilíbrio para aliviar as dores, incômodos, cansaço e as vicissitudes emocionais através de exercícios físicos, como a natação e o tai-chi-chuan.

Não é simples conviver cotidianamente com uma condição de saúde neurológica rara, deformadora, desconfortável e incapacitante. As limitações e restrições neurológicas são diferentes em cada pessoa. Mas, o sofrimento é o mesmo. A limitação e os desafios são semelhantes,  o que diferencia é a história de cada um e como cada pessoa lida com tudo isto.

James era um homem normal. Ele trabalhava como encanador no comércio de sua cidade na Inglaterra e de repente após acordar depois de uma noitada de curtição, começa a sentir dificuldades na fala. Nos dias seguintes, passa a  sentir, também, problemas nas mãos como contorções e espasmos. Era 2008, ele tinha 24 anos e não podia mais trabalhar na sua profissão, pois as mãos apresentavam sintomas de uma doença estranha. Ele foi diagnosticado 4 anos depois com distonia focal. Já tinha perdido sua mãe aos 15 anos e agora segundo ele, estava diante de um golpe duro e um buraco muito escuro, sem ter ninguém para recorrer.

Diferentemente dele, no meu caso, a distonia foi precoce e  acometeu, aos poucos, os membros superiores, dificultando qualquer tarefa específica que envolva a psicomotricidade fina. A vida escolar foi um verdadeiro inferno e deixou sequelas críticas e preocupantes. Desde o inicio, quando criança, eu não entendia o que estava acontecendo: não conseguia escrever. Depois foi piorando… Hoje não consigo folhear um livro, dobrar uma roupa e coisas do tipo sem sentir dores e um incômodo descomunal.  Uma vida dura.

São histórias diferentes com comprometimentos neurológicos graves. Ele encontrou na malhação uma maneira de conviver e enfrentar esta doença/deficiência estranha que o acometeu subitamente. Eu tentei encontrar meu caminho para lidar com as limitações, com as desventuras e os infortúnios físicos e emocionais provocados por este transtorno do movimento através da meditação, artes marciais e terapias alternativas.

Não consigo ficar bem, facilmente. Só sei que para enfrentar a vida com esta doença/deficiência é preciso ter muita paciência, persistência e resiliência, o tempo todo. Enquanto mais você se esforça, mais é preciso se esforçar… Não adianta desanimar e desistir. Os obstáculos e dificuldades para viver na  civilização da escrita sem conseguir escrever são deverasmente abissais. É preciso ânimo, coragem,  equanimidade e intrepidez.  Conviver com uma deficiência que impede justamente a escrita é, no mínimo, uma coisa louca; uma inconveniência. Conviver com este tipo de deformidade, às vezes, sutil causado pela doença é enfrentar uma espécie de aberração ou excentricidade parecida com a dos mutantes do filme X-Men. Só que neste caso, estamos diante de uma anomalia patológica incurável.

Câimbra do Escrivão: uma disrupção da escrita

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Escrevo-te para que percebas o quão afetado me deixas.

Escrevo-te para que me ajudes a entender o que tem a minha mão.

Escrevo para deixar fluir pelo menos  os sentimentos do meu coração,

Já que interrompestes o curso normal de minhas letras.

 

Escrevo-te para te pedir uma trégua a esta paulatina disrupção.

Escrevo-te para dizer que não aguento mais você.

Escrevo-te para dizer que sempre pensei que controlava vosmecê,

E que o controle me permitiria escrever sem brusca interrupção.

 

Escrevo-te,  distonia,  para te dizer que tens piorado intensamente.

Sempre soube  que minhas mãos não funcionavam de maneira acertada,

Que cada vez mais não conseguia  usar a caneta de forma adequada.

Mas o fato é que vens deixando-as  torcidas e deficientes gradativamente.

 

Eu tinha uma esperança,

Mas, por mais que eu me esforce,  controla-las, eu não consigo.

Escrevo-te para dizer que enquanto o tempo passa, com mais força, tens  evoluído.

Escrevo-te para dizer que me sinto  hesitante e sem confiança.

 

Escrevo-te para dizer que a deficiência quando chega vem sem anunciar,

De repente invade o meu corpo, a minha mão…

E apodera-se dos meus braços e dos meus dedos, como um vulcão!

No simples ato de,  um rascunho, escrevinhar.

 

Escrevo-te para dizer que o esforço é em vão.

Tenho mãos e não consigo ortografar.

Fui à escola, aprendi a ler e a contar.

Mas, escrever…  Que dificuldade,  tanto incomodo e tanta desilusão!

 

Escrevo-te,  com desencanto,  Câimbra do Escrivão.

Pois não suporto a ruptura e o rompimento,

Da normalidade da grafia, que sofrimento!

Chega de tanta invalidez e tamanha  limitação.

 

Uns te chamam de Câimbra do Escrivão,

Outros falam em Síndrome da Câimbra do Escritor,

Mas, és uma Distonia focal do membro superior

Escrevo-te, mas sinto que é em vão.

 

Vastos Aperreios e Escritas Imperfeitas

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Neste ano que se foi, vi muita coisa rolar.

Foi um ano de  escritas imperfeitas e muita desconfortabilidade.

Como todo brasileiro, respirei fundo para não surtar.

A sobrevivência foi penosa e cheia de vulnerabilidade.

 

Vi aumentar  a violência, o roubo e a falta de consideração…

A falta de respeito, de ternura e de bondade.

A carestia, a falsidade,  a alienação…

O consumismo e a Superficialidade.

 

Mas, é preciso seguir em frente.

Encontrar a trilha.

A felicidade está dentro da gente.

Mas por vezes escondida.

 

No exercício da minha profissão, vivenciei limitações sempre,

Desafios, restrições e alguma dificuldade.

Fui até, de forma subliminar, assediado moralmente…

Como paciente da distonia, o aperreio foi o paulatino agravo da enfermidade.

Para evitar o desatino, precisei se esforçar intensamente.

 

Ao pensar em escrever, uma agonia  sempre invadiu o meu ser…

E sempre fez tremer meu pulso desajeitado.

Na civilização da escrita, como foi difícil viver,

Com uma caligrafia imperfeita; um pulso torcido e indomado.

 

Mesmo nas pequenas tentativas, a escrita torna-se disforme subitamente.

É suportável, viver um dia sem escrever;

Todos os dias, uma tortura incessantemente…

Que incômodo pegar num lápis para anotar algo, pode crer!

 

Com o punho indomesticado…

A caligrafia torna-se extravagante.

Às vezes, faz lembrar um iletrado.

Outras, uma anomalia aberrante…

Mas, apesar dos estresses e do imperfeito abecedário,

Dois mil e Dezesseis foi um ano  profícuo e exuberante.

 

Mesmo com a limitação para simplesmente grifar uma frase

E a mente inquieta por causa da disfunção,

Sobre comportamento – Psicologia, Mídia Social e Espiritualidade,

Li mais de vinte e seis livros, meu irmão!

Foi um tempo de Transcendência e Sublimidade.

 

Redigi dois capítulos de um ebook sobre Câimbra do Escrivão.

Para os blogs HB e ENR, escrevi mais de dezesseis  Post(eres).

Com cinco textos na área de Gestão,

Terminei o  QualiSUS – curso Qualificação de Gestores

 

Apesar da evolução contínua da disfunção,

Sublinho alguns tópicos da promoção da distonia em 2016,

Que me chamaram a atenção,

Que produziram impactos aceitáveis

E me causaram empolgação.

 

Artigos:

Focal Dystonia of the Hand, and what the Brain has to do with it

Scientists develop new drug screening tool for dystonia

Los profesores me ridiculizaban en clase

What really is a dystonic storm?

Vídeos:

Doença rara, distonia faz o paciente perder o controle do corpo

Distonia é uma doença neurológica que afeta músculos e coordenação

Campanhas:

Dia Mundial de Luta contra a Distonia – 15/11:  comemoração da  Fundación Distonia Venezuela

5 por la Distonia: Fundación Distonia Venezuela

Dystonia Awareness Month:  MSDAM

Manifestação da Distonia na Avenida Paulista – São Paulo, no dia 06/05, organizada por Elizabete Tavares

Lista de Blogs Mundiais da Distonia: Dystonia Blogs

Um blog: Dyskinesis

Uma Fanpage: Distonia Saúde

Grupos: Amigos Maravilhosos, Dystonia BloggerMania Dystonia Awareness Writers

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Escrever: um eterno martírio

01

Sempre foi muito difícil segurar um lápis.

Escrever uma simples palavra tem sido um infindável suplício.

Cada vez mais, a doença se agrava.

Viver na civilização da escrita sem conseguir anotar uma sílaba…

Rabiscar uma letra ou sublinhar uma frase, a não ser com um esforço descomunal…

É, no mínimo, desconfortante e desesperador.

Sob olhares estarrecidos  diversos, precipita-se o acanhamento.

Sem esperança de melhoras, aumenta a agonia e a aflição.

Pois, escrever é inevitável,  imprescindível…

Mas, sempre foi  um ato dificultoso; um constante martírio.

 02

 

“Eu não escrevo em português. Escrevo eu mesmo.”

                                                        Fernando Pessoa

“Escrever é que é o verdadeiro prazer; ser lido é um prazer superficial.”

                                                                                                  Virgínia Woolf

“O que é mais difícil não é escrever muito; é dizer tudo, escrevendo pouco.”    

                                                                                                            Júlio Dantas

“O escritor é um homem que mais do que qualquer outro tem dificuldade para escrever.”

                                                                                                     Thomas Mann

 

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