O Renascido

The Revenant (O Renascido) ou em português “O Regresso” é um filme norte-americano de 2015 realizado por Alejandro González Iñárritu, escrito por Mark L. Smith e Iñárritu e foi baseado no romance homônimo escrito por Michael Punke. O filme, por sua vez, foi inspirado na história real de Hugh Glass e é estrelado por Leonardo DiCaprio, Tom Hardy, Domhnall Gleeson e Will Poulter.

De acordo com as sinopses, o filme é uma experiência cinematográfica imersiva e visceral que capta uma aventura épica de um homem por sobrevivência e o extraordinário poder do espírito humano. Em uma expedição pelo desconhecido deserto americano em meados de 1822, o lendário explorador Hugh Glass (Leonardo DiCaprio) é brutalmente atacado por um urso e deixado como morto pelos membros de sua própria equipe de caça. Numa luta constante para sobreviver, Glass resiste à dor inimaginável, bem como à traição de seu confidente, John Fitzgerald (Tom Hardy) que o abandona à própria sorte e ainda rouba seus pertences. Guiado pela força de vontade, amor pela própria família e desejo de retaliação por seu filho mestiço de uma relação com uma índia que fora assassinado, Glass teve que navegar um inverno brutal em uma incessante busca por sobrevivência e redenção.

Segundo a crítica, “O Regresso” não passa de mais uma história de vingança pessoal. Marcelo Janot diz que o filme é uma história que se divide em duas: a do homem testado até o seu limite pela natureza e a do sujeito em busca de vingança contra o seu algoz.

O que me chama a atenção aqui é a história do homem testado até o seu limite: a de Glass contra a natureza.

“O Regresso” mostra cenas fortes de sobrevivência extrema e resiliência. Gostei imensamente e recomendo assistir este surpreendente e bonito filme. Ao assisti-lo, fiquei impressionado e pensando sobre a nossa  educação deficiente que nos faz acomoda-se a uma certa zona de conforto. Esta educação repressora que nos aleija, nos deseduca para a vida, nos torna seres frágeis, com medo e sem a criatividade necessária para se defender e sobreviver as adversidades e dificuldades da vida.

Fiquei pensando nas pessoas conhecidas que surtam com tanta facilidade diante de Situações Não Extremas  como chegar em casa e dar de cara com alguma situação de pequenas e temporárias perdas como não conseguir acessar a internet, não ter o carro disponível ou a roupa lavada e comida preferida a seu dispor…

Fiquei pensando nas pessoas cheias de dengos acostumadas a uma vida de conforto e facilidades. São estas pessoas que diante de uma mínima dificuldade ou carência, se deprimem, se tornam histéricas e agridem todos, porque nunca souberam o que significa “passar por necessidades”.

Fiquei pensando em todos nós que estamos vivendo com distonia. Uma limitação imposta pela natureza que maltrata muito e nos deixa impedidos de viver normalmente. Uma doença que desafia o viver em certos aspectos; que requer muito esforço do paciente para se adequar as demandas da vida. Viver com distonia é uma luta contra a natureza, é uma sobrevivência ao limite…

As cenas do filme são impactantes. Um filme que mostra a sobrevivência à fome, à sede, ao abandono dos amigos, ao frio, à dor e aos ferimentos  intensos provocados por um ataque feroz de um urso. Sobrevivência a Situações de Limites Extremos…  Realmente, Hugh Glass renasceu! Ele vivenciou um contexto que poderia levá-lo a um desequilíbrio emocional e mental. Mas, teve uma capacidade resiliente imensa.

Tudo isto me fez refletir também sobre nosso estilo de vida cheio de condicionamentos, ilusões e dependências de tanta rotina e hábitos. Um estilo de vida que nos limita enquanto potencialidades e perspectivas. Que nos faz ficar presos as pequenas comodidades. Que nos torna limitados, acomodados,  sem criatividade e sem vigor para lutar, para improvisar…

Um estilo de vida que mesmo diante de situações de Limites Não Extremos nos faz perder a cabeça e a razão. Pequenas barreiras ou restrições que nos infantiliza e nos faz enlouquecer. Nós fomos erroneamente acostumados a viver uma vida onde pensamos que tudo e todos estão a nossa disposição e na hora que precisamos para atender aos nossos caprichos. Um simples obstáculo é suficiente para deixarmos sair um selvagem que agride, humilha e se desespera. Um selvagem ameaçado que ao invés de buscar superar as dificuldades como Glass, vive uma vida de covardia e de inércia…

A motivação de Glass para lutar destemidamente foi o comportamento de Fitzgerald, que faz parte do mesmo grupo mas sempre implica com Glass por causa da presença do jovem meio-índio entre eles, e a todo instante expressa palavras de ódio contra negros, índios e mestiços. Tanto é que chegou ao ponto de matar seu filho e abandonar o amigo  ferido. Enfim, a motivação de Glass foi, também, o instinto de sobrevivência.

Todos nós temos nossas razões e motivações. Mas, muitas pessoas preferem ficar no comodismo, no anonimato e na indolência: sem enfrentar as dificuldades impostas pela natureza e pela vida!

O Espelho do Homem

 

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No Dia Internacional do Homem – 19 de novembro, eu trago um  hino de Alex Polari  intitulado “O Espelho do Homem” que gostei muito. Ele problematiza com seu estilo lírico o comportamento masculino e sutilmente as relações de poder estabelecidas com o semelhante.

Para ser Homem é ser justo
Franco, leal e amigo,
Assim o Mestre mostrou
Esse tornou tão querido

 

Não é fácil ser homem
Se você acha que é
Lembrem  do  nosso modelo
Meu bom  Jesus de Nazaré.

 

Muitos pensam que Homem
É ser brabo e orgulhoso
Como se fosse virtude
De nos fazer mais viçoso

 

Alguns não mantiveram
Sinceridade com os outros
Fingem ser mais não são
E falam mal do irmão

 

Se disser e não for
Muito pior vai ficar
Quebrou com a palavra do Homem
Que Homem não pode Quebrar

 

Se você mexe com vício
Se arrepende mané
Que homem que se vicia
Um bom exemplo não é

 

Homem que é Homem se humilha
Pra na verdade estar,
E poder bem compreender
Aonde o Daime mostrar

 

Para ser Homem é ser justo
Franco, leal e amigo,
Assim o Mestre mostrou
E se tornou tão querido.

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A Boçalidade Nossa de Cada Dia

presumptionEu fico impressionado com o grande número de pessoas boçais na nossa sociedade. Estão em todos os espaços; família, trabalho, em casa e na rua. Parece que é uma epidemia de comportamentos rudes que incomodam e espalham venenos. A grande questão diante de tal boçalidade é a seguinte: O que estes comportamentos revelam? Uma atitude defensiva, uma imaturidade afetiva ou um transtorno de personalidade latente?

De acordo com os dicionários da língua portuguesa, boçal significa rude, grosseiro, imbecil ou ignorante. Na gíria brasileira, boçal é também aquele indivíduo exibicionista, esnobe e chato, que age com arrogância normalmente por ter melhores condições financeiras ou por se sentir superior aos outros. Um boçal demonstra pouca inteligência, nenhuma educação e falta de delicadeza em seus atos.

A expressão boçal era usada para designar os escravos negros, ainda não ladinos (nome dado aos escravos que já sabiam falar o português, tinham noções de religião e trabalhavam em algum ofício), recém-chegados da África e desconhecedor da língua do país. O sentido generalizou-se para o indivíduo sem instrução, sem cultura, ignorante.

Boçal também exprime algo que acontece sem sentido ou sem motivação. Uma situação estúpida, ridícula, boçal. A tradução da palavra “boçal” para a língua francesa é “grossier” que significa grosseiro e indelicado.

Como é chato e inconveniente conviver com pessoas boçais e sem um mínimo de humanização ou humildade. Alguém já ouviu falar na seguinte frase: “a(o) rainha(doutor) não pode ser incomodada(o) ou contrariada(o)”. Pois é, este é o típico boçal. Eu penso que este é um dos comportamentos doentios mais comuns no cotidiano das relações sociais na nossa sociedade e passível de acompanhamento psicológico.

Este tipo de comportamento é na verdade um mecanismo agressivo de defesa. Os que se colocam na defensiva através da agressividade não querem se sentir expostos (e por isso criam uma barreira de medo que afasta as pessoas) ou desejam impressionar de alguma forma àqueles que deles se aproximam. É uma forma infantilizada de marcar território, de não se misturar, de mostrar e impor poder. Está relacionada com autoestima baixa, insegurança, sensação de desamparo, fragilidade e impotência, presentes em muitos de nós. Na verdade, o boçal não é superior. Ele é inseguro, sente-se ameaçado e precisa pisar, humilhar ou nocautear o semelhante para se sentir bem ou superior.

“A cultura da boçalidade é parte do processo capitalista e em crises como a atual assume níveis assustadores. Tem que impingir o medo e o pânico nas pessoas, transformá-las em zumbis apavorados e assim se lhes obter a docilidade diante dos fatos e da barbárie que soam e ecoam em todo o mundo..” disse Laerte Braga. E eu acho que no Brasil, a boçalidade tem uma relação intrínseca com a cultura do “senhor de engenho” muito enraizada na nossa educação e no nosso inconsciente coletivo.

Historicamente, a boçalidade está muito relacionada ao universo masculino e representa um mecanismo para impor poder sobre o outro. Neste processo, a pessoa boçal se utiliza da mentira, conta vantagens, privilegia aparências, é intolerante e tem que ser sempre o melhor. As pequenas manifestações de boçalidade no cotidiano são infinitas e perpassa por atos de rudeza até atitudes sofisticadas de controle nas micro relações de poder do tipo: “conheça o seu lugar” e “você sabe com quem está falando”. Palavras como estas trazem disfarçados e ocultos um veneno perigoso rasgando qualquer relação dialógica.

Mas, será que existe uma boçalidade do bem? Será que não faz bem para o nosso ego se mostrar um pouco ou ser um pouco orgulhoso? Não será esta uma forma torpe de manter o equilíbrio e harmonia interna tão necessária a nossa sobrevivência? Eu penso que não faz mal a ninguém ser um pouco boçal de vez em quando, no momento oportuno. Porém, quando a boçalidade passa a ser um traço de caráter ou um mecanismo sempre usado então estamos diante de um problema grave: um quadro psicopatológico.

Sim porque a boçalidade está relacionada com a soberba que é nada mais do que o desejo distorcido de grandeza e com o com conceito elevado ou exagerado de si próprio. “O típico boçal tem uma imagem de si inflada, aumentada, nem sempre correspondendo à realidade. Surge com isso a necessidade de aparecer, de ser visto, passando inclusive por cima de padrões éticos e vendo as outras pessoas minimizadas”, de acordo com Rosemeire Zago.

Enfim, eu acredito que a boçalidade, seja do bem ou do mal, está muito distante da humildade, do crescimento espiritual e é uma máscara para esconder muitos conflitos do eu humano. Boçalidade é soberba! O boçal é aquela pessoa que se acha melhor do que as outras. Então, ela se torna arrogante, aumentando a voz para impor dominação e desprezar o semelhante com o objetivo de se dá bem em alguma situação específica. Neste jogo social pode estar ameaçada sua autoestima, a perda de algum bem material ou posição social.

Exemplos do Bem

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Todo o mundo viu na mídia imagens como esta e reportagens sobre este comportamento dos japoneses nos últimos jogos da copa. Eu acho que esta é uma atitude do bem que na África do Sul chama-se Ubuntu. Acho que este é o maior exemplo que devemos adotar na nossa sociedade. Acho que ser Homens de Bem é isto ai!  Viver na civilização é pensar no outro, conviver com o outro praticando a solidariedade, a cooperação, o respeito e a generosidade.

Ainda hoje, presenciei duas cenas extremamente contrárias a esta da foto. Comportamentos que estamos acostumados a ver no nosso cotidiano e que revela a falta de educação doméstica e cultural do nosso povo: a primeira cena foi no estacionamento de um shopping quando uma pessoa jogou  do seu carro restos de lanche no chão e a segunda cena foi numa festa de São João  onde presenciei algumas pessoas jogando na rua latas de cervejas e refrigerantes.

Pessoas que agem desta forma não entendem o que esta foto quer dizer, o que implica esta atitude. Eu acho que esta imagem revela um exemplo de cidadania, cooperação e é uma das coisas mais bonitas que vimos nestes dias. Mesmo não ganhando o jogo, a limpeza foi feita. Que genial! Todos ajudam; homens, mulheres, crianças. São pessoas educadas para o bem.

Movimento do Bem Musical

 

Com um estilo reggae-rock, a Banda Homens de Bem de Salvador/BA tem como objetivo  sensibilizar e mobilizar as  pessoas, através da música, passando uma mensagem do bem,  de alegria e positividade, onde o amor seja recíproco e verdadeiro entre as pessoas. “Independentemente da cor da pele ou cabelo, independentemente da raça ou credo,  independentemente da quantidade de dinheiro que se tenha, somos todos iguais”, afirmam eles.

A banda busca construir, através da musicalidade, valores do bem na sociedade para que as pessoas vivam  harmoniosamente com todos e com a natureza.  ” Todos unidos na paz, pela paz, respeitando o próximo e as diferenças, cultivando o bem pelo bem, sendo honesto com você e com os outros, não fazendo ou desejando o mal absolutamente a ninguém. Queira o bem, faça o bem, deseje o bem… Você vai se sentir bem!  Fazer parte desse movimento é ser um Homem de Bem” afirma a banda.

Você acha isto um sonho e/ou uma utopia? Eu não acho…  John Lennon não achava. Muita gente não acha. Ser Homem do Bem é possível! Gostei da banda e da atitude deles!  Muito louvável e bacana.  Por isto, apresento a todos o Movimento do Bem Musical. Faço parte deste movimento que privilegia a bondade, a justiça, a simplicidade e a humildade; Que abomina esta mania compulsiva de consumismo e de  valorizar o dinheiro, as “posses” e as aparências;  Que busca valorizar a Pessoa Humana e a Natureza.

Escalando com Distonia/Climbing with Dystonia

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Raphael Nishimura  esteve  na região de Algodão de Jandaíra/Paraíba para um encontro de Escaladores do Nordeste nesta semana que passou. Ele é um profissional da escalada esportiva e tornou vice-campeão mundial e campeão brasileiro de ParaClimbing(2012) apesar da sua distonia muscular desde os 8 anos de idade.

Ele é amigo do namorado de uma sobrinha minha e ficou estes dias na minha cidade: Campina Grande.  Marcamos para nos encontrar e conversamos sobre nossas experiências de uma vida com distonia, mas não foi possível devido as agendas tumultuadas. O nosso encontro ficou para uma próxima vez.

O que me chamou a atenção é que este rapaz é um exemplo de vida, superando limitações impostas pela doença e buscando concretizar os seus sonhos.  Apesar do impedimento corporal, ele tem conseguido ser um atleta exemplar da escalada e viver a vida normalmente. Muito bacana e emocionante!

Para quem não sabe, Raphael Nishimura é uma pessoa importante no universo “Climbing” e fundou o Projeto de  Para-Escalada (ParaClimbing Brasil) em 2011, que tem como objetivo divulgar a escalada  e a inclusão de pessoas com deficiência física neste esporte.

Além de viver escalando por ai com distonia, ele é formado em Midias Digitais (PUC), MBA em Gestão de TI (FIAP) e Pós em Finanças (FGV).  Pois é, conheça mais sobre este atleta que vive com distonia nesta entrevista ao 4Climb.

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Raphael Nishimura  has recently visited the region of  Algodão de Jandaíra/Paraíba  for a Meeting of the Brazilian Northeast Climbers , in the past week.  Despite his musculorum deformans dystonia since the age of 8, he is a professional of the climbing sport. “In 2012, he overcame his disability to become Brazil’s national champion in paraclimbing and won second place at the world championships” said Felipe G. Santiago, the video’s producer.

He is a friend of my  niece’s boyfriend. During this event, he was staying in my hometown: Campina Grande.  We arranged to meet us and talk about our experiences of a lifetime with dystonia , but it has not been possible due to various commitments. Our meeting was for a next time .

What caught my attention is that this boy is an example of life , overcoming limitations imposed by the disease and seeking to achieve his dreams . Although  his disability, he has managed to be a climbing’s exemplary athlete. Very cool and amazing!

For those unaware , Raphael Nishimura is an important person in the ” Climbing  world”  and founded   ParaClimbing Brazil” Project  in 2011, which aims to promote climbing and inclusion of people with disabilities in this sport.

In addition to devoting his life to climbing with dystonia, he holds a degree  in digital media ( PUC )  and Masters in Finance ( FGV ).  Yeah , You want to know more about this athlete that lives with dystonia.  Read this interview: 4Climb.

Holocausto Brasileiro: uma relação de poder!

A palavra Holocausto tem origens remotas em sacrifícios e rituais religiosos da Antiguidade, em que plantas, animais e até mesmo seres humanos eram oferecidos às divindades, sendo completamente queimados durante o ritual. A partir de então, holocausto passou a ser definido como cremação dos corpos e esse tipo de imolação corpórea post mortem, de acordo com o Wikipédia, também foi usado por tribos judaicas, como se evidencia no Livro do Êxodo.

De acordo com a enciclopédia, a partir do século XIX a palavra holocausto passou a designar grandes catástrofes e massacres. Tanto é que após a Segunda Guerra Mundial o termo Holocausto  foi utilizado especificamente para se referir ao extermínio de milhões de pessoas que faziam parte de grupos politicamente indesejados pelo então regime nazista fundado por Adolf Hitler.

Os que faziam parte desses grupos indesejáveis eram judeus, militantes comunistas, homossexuais, ciganos, deficientes motores, deficientes mentais, prisioneiros de guerra soviéticos, membros da elite intelectual polaca, russa e de outros países do Leste Europeu, além de ativistas políticos, Testemunhas de Jeová, alguns sacerdotes católicos, pacientes psiquiátricos, criminosos de delito comum, entre outros.

Atualmente, o termo Holocausto é novamente utilizado para descrever as grandes tragédias, sejam elas ocorridas antes ou depois da Segunda Guerra Mundial. Muitas vezes a palavra holocausto tem sido usada para designar  qualquer extermínio de vidas humanas executado de forma deliberada e maciça.

Pois é, ao ler o livro “Holocausto Brasileiro: Vida, Genocídio e 60 Mil Mortes no Maior Hospício do Brasil”  fiquei impressionado como poderia existir no Brasil tanto extermínio de vidas e tanta desumanidade. Corpos dóceis, vitimas de uma hegemonia ditadora  e de uma relação de poder doentia que não foram “todos cremados”, mas sofreram todo tipo de abuso, anulação , tortura e descaso até a morte… Poucos sobreviveram!

Eu acho que a autora Daniela Arbex fez um trabalho jornalístico fantástico e escolheu um título adequado para o livro que retrata uma história de horror e barbárie na sociedade brasileira. O Hospício Colônia de Barbacena – MG pelo o que eu entendi era uma forma de esconder e eliminar pessoas “indesejáveis”  na sociedade assim como acontecera na Alemanha de Hitler.

Eu também gostei imensamente dos comentários sobre o livro que Tatianne Dantas faz neste vídeo publicado no YouTube. Por esta razão que eu gostaria de compartilhá-lo com o leitor. Na verdade, este livro traz nas entrelinhas a discussão da  relação de poder na nossa sociedade, um tema que diz respeito a saúde mental.

Esta chamada “relação de poder” discutida por Michel Foucault no seu livro “Microfísica do Poder” pode ser vista e  experienciada em todas as relações humanas na nossa sociedade, desde as mais pequenas situações até as relações institucionalizadas como este holocausto mostrado no livro de Daniela. Eu acho que este é o principal tema para ser conversado entre os profissionais da saúde mental. O livro deve ser uma referência para sensibilizar as pessoas sobre esta temática.