La Crampe de L’écrivain

Crampe de l’écrivain é o nome na língua francesa para a doença/deficiência neurológica conhecida no Brasil com o nome de câimbra do escrivão.  Na verdade, a tradução do francês para as línguas inglesa e portuguesa é “câimbra do escritor”, assim como  para qualquer outra língua é desta forma; na língua espanhola, por exemplo, CE é “calambre del escritor”.

A língua portuguesa é complexa; tanto faz um termo quanto o outro. Mas, eu penso que “Câimbra do escritor”, assim como está na língua francesa, é mais adequado –  e etimologicamente correto –  para categorizar este tipo de Distonia de Tarefa Específica. De acordo com o dicionário Aurélio a palavra “Escrivão” é sinônimo de “Escriba” e significa: “oficial público encarregado de escrever autos, atas, termos de processo e outros documentos legais junto a diversas autoridades, tribunais, corpos administrativos, etc”.  Com relação a palavra “Escritor“, a definição mais plausível é: “a pessoa que se expressa através da arte da escrita”. Por isso que, daqui em diante, ao se referir a esta condição de saúde, eu irei sempre falar em  “CE – Câimbra do Escritor“.

Na língua francesa,  a câimbra do escritor é descrita como Dystonie de fonction que significa distonia focal ou distonia de função específica. Esta categorização é usada na literatura médica brasileira, também.

Quando se tem uma limitação ou “impedimento corporal” desta natureza,  o primeiro impulso é buscar informação sobre a doença e alguma forma para minimizar o sofrimento; e depois procurar pessoas com a mesma condição de saúde para compartilhar as experiências de vida com distonia. Pois, além das limitações físicas, a distonia afeta a autoestima, provocando graus de ansiedade e depressão. E em alguns casos, a doença leva ao isolamento do convívio social e de acordo com os neurologistas, os impactos no trabalho podem ser ainda mais prejudiciais, já que os portadores da câimbra do escritor apresentam a impossibilidade da escrita e da digitação.

Com este Blog, eu pretendo criar um espaço informativo, de conscientização e educação  sobre esta doença estranha que é considerada o 3ª distúrbio neurológico do movimento mais comum depois da Doença de  Parkinson e do Tremor Essencial. Almejo, também, ajudar a desmistificá-la e encorajar a todos que vivem com distonia a sair do ANONIMATO e do CASULO.  Na verdade, a motivação para tal façanha surgiu depois de  ter participado da Comunidade  “Dystonia Neuro Movement Disorder”  no WegoHealth.

Eu acho que a nossa motivação maior deve ser a seguinte: (1º) buscar uma articulação de  todos os pacientes para sermos Defensores das pessoas com distonia e desenvolver relações diplomáticas com nossos líderes legislativos para sensibilizá-los com relação a nossa condição de saúde e ajudá-los a compreender os desafios de todos aqueles que vivem com distonia; (2º) buscar sensibilizar a população e os políticos com relação a um esforço global para investir nas pesquisas em busca da cura da distonia e outros transtornos neurológicos do movimento como a doença de Parkinson.

Nas minhas pesquisas para entender mais sobre a Câimbra do Escritor, tenho visto que em alguns países do chamado primeiro mundo as pessoas que sofrem de distonias tem um melhor suporte em todos os sentidos e estão mais organizadas a exemplo da Dystonia Advocacy Network, Amadys, Deutsche Dystonie Gesellschaft, The Dystonia Society e outras associações sem fins lucrativos; grupos de apoio e fundações de pesquisas como a DMRF.

Para que o leitor tenha noção da gravidade desta doença, eu escolhi esta foto abaixo de uma pessoa com câimbra do escritor que encontrei no site alemão Entwicklungsgruppe Klinische Neuropsychologie (Desenvolvimento de Neuropsicologia Clínica) e que mostra exatamente como é  uma das  posturas compensatórias da mão(sintoma)  ao tentar escrever:

O perdão não é um sentimento

Há uns dias atrás, eu estava numa reunião de supervisão de casos clínicos no trabalho onde discutíamos sobre as psicopatologias da atualidade e sobre emoções tóxicas quando alguém me perguntou se a dificuldade de perdoar causa problemas psicológicos. Esta questão me chamou muito a atenção, pois é esta uma temática muito presente nas nossas vidas e bastante privilegiada em vários campo do saber como a filosofia, a teologia e as tradições religiosas. Apenas recentemente é que a psicologia interessou-se também por este assunto que Roberts (1995) alcunhou de forgivingness (perdoabilidade). Para se ter ideia, trabalhos mais sistemáticos da psicologia sobre o perdão surgiram apenas na década de 80 fora do País, enquanto aqui no Brasil, estudos científicos aparecem somente no início dos anos 2000. Então, empolgado e curioso, fiz uma pesquisa breve e a priori encontrei vários textos interessantes direcionados ao senso comum e alguns artigos científicos da chamada Psicologia Positiva que trazem discussões teóricas relevantes e curiosas para começarmos a refletir sobre este assunto tão polêmico e importante que é a psicologia do perdão. Para começo de conversa, concordo com o psicólogo Emerson Bueno que o perdão não é um sentimento, é uma decisão fundamental para nossa evolução e reitero as palavras de Martin Luther King quando diz que aquele que é desprovido da capacidade de perdoar é desprovido da capacidade de amar. E digo mais: não é fácil, como se parece, ser empático com o ofensor e firmar compromisso com atos do perdão.

Perdoar não é esquecer; isso é amnésia. Perdoar é se lembrar sem se ferir, sem sofrer. Por isso é uma decisão, não um sentimento. (Pensador desconhecido)

O perdão é definido nos dicionários como remissão de pena, de ofensa ou de dívida; desculpa, indulto. Na verdade, é um processo subjetivo que tem por finalidade cessar o ressentimento tóxico (dentre eles, o principal é a raiva e o sentimento de vingança) contra outra pessoa ou contra si mesmo, decorrente de uma ofensa percebida por diferenças, erros ou fracassos. Trata-se de uma habilidade que precisa de treino. E tem uma importância tanto na dimensão ético-religiosa quanto no enfrentamento de situações de mágoas e injustiças do cotidiano das pessoas. De acordo com os estudiosos do tema não existe ainda uma definição consensual do que seja o perdão. Do ponto de vista etimológico, o verbo perdoar origina-se do latim perdonum que significa dar ou entregar um dom completamente (per-donum) sem querer nada em troca. Neste caso, seria dar ou conceder clemência e tolerância àquele que comete alguma ofensa. Por outro lado, existem outros aspectos da perdoabilidade como a capacidade de auto perdoar-se e a capacidade de reconhecimento do seu próprio erro. A expressão “pedir perdão”, por exemplo significa aceitar ou pedir desculpas, reconhecer e se redimir em relação a algo de errado.

No tocante ao ato de perdoar, segundo Santana e Lopes (2012), existem pelo menos três linhas de estudo com algumas divergências sobre o tema perdoabilidade na tentativa de uma conceituação adequada. O primeiro ponto de divergência diz respeito a questão se o perdão é um fenômeno intrapessoal ou interpessoal. O segundo ponto investiga se o perdão está mais relacionado a abrir mão de pensamentos, sentimentos e comportamentos negativos ou se inclui também elementos positivos e por último, os estudiosos buscam respostas sobre  se o perdão é um evento extraordinário ou se trata de uma experiência comum no cotidiano das pessoas. Estes pontos são bastante pertinentes para entendermos a dimensão que envolve o tema perdão. Desta forma, podemos observar que em todos este pontos de divergências se a ideia de que perdoar envolve mais do que livrar-se dos aspectos negativos, a linha que separa o perdão da reconciliação pode ser muito mais tênue e conflituosa do que se pensa. A facilidade ou dificuldade de perdoar pode estar intrinsecamente relacionada ao um percurso que vai das violações muito intensas até as ofensas menores como injurias e insultos, assim como a motivação e resiliência do injustiçado.

De acordo com o professor Paulo Vieira (2017), quando você perdoa, automaticamente, assume a responsabilidade por como você se sente. Você recupera a sua força e reassume o pleno controle sobre seu destino. Perdão é para você e não para o autor da afronta pois perdoar é remédio para a cura da sua mágoa e não para a cura ou impunidade da pessoa que lhe fez sofrer. Perdoar é a paz que você aprende a sentir quando libera quem lhe fez mal. Ao perdoar você se ajuda a ter mais controle sobre seus pensamentos e sentimentos, além de obter melhora em sua saúde física e mental. Perdão é também se tornar uma pessoa feliz e não uma vítima sofredora. Perdão é uma escolha, uma decisão, uma restituição… É perdoando que se rompe as correntes do sofrimento e passa-se a dar passos livres na própria vida. Neste aspecto, o psiquiatra e psicanalista Moises Groisman afirma que o perdão é uma atitude realizada em relação a pessoa que nos causou algum dano ou nos prejudicou de alguma forma, esteja ela interessada ou não na manutenção da convivência, para podermos viver melhor conosco e com ela. Segundo ele, para perdoar é preciso entender a história da pessoa que nos ofendeu ou causou algum dano e o que a levou a agir de tal forma. Da mesma forma, é necessário compreender de que modo, nós, que fomos magoados, colaboramos, mesmo sem perceber para que tal situação acontecesse.

Na perspectiva psicológica, portanto, as definições do perdão trazem alguns aspectos essenciais como o reconhecimento de que a ofensa foi injusta, o direito de estar ferido, e a desistência de algo a que se tinha direito (cólera, ressentimento) em favor da magnanimidade do perdão. Neste sentido, Subkoviak et al. (1992), afirma que no processo do perdão podemos perceber: a dor de quem foi ofendido e que se pode traduzir em ressentimento; o direito a sentir ressentimento mas, também, a ultrapassá-lo; a resposta ao ofensor através da compaixão, sem a obrigação de o fazer. O perdão é interpretado, então, como a capacidade de ultrapassar a mágoa, o ressentimento ou a vingança que o ofensor merecia, através da compaixão ou da benevolência. Perdoar implica, também, em compreender a ignorância do ofensor e restaurar o relacionamento.

Perdoar é adotar medidas de defesa de forma a conter o agressor para que ele não nos continue ferindo. Contudo, essa atitude defensiva deve basear-se num sentimento de compaixão e não de ódio, pois, a finalidade é educar quem nos ofende, para que ele não continue a nos ferir. Dalai Lama

O fenômeno da perdoabilidade que é um processo gradual com fases distintas e uma jornada árdua deve ser estudado com mais aprofundamento. A disposição para se permitir mergulhar neste processo do perdão significa crescer psicológica e espiritualmente a partir do sofrimento que nos foi infligido. Vários estudos científicos já comprovaram o quanto o ódio, a tristeza e a falta de perdão assolam nosso bem-estar psicológico e a nossa existência como um todo. É importante ter consciência de que perdoar não é somente um ato de benevolência para com o outro, mas sobretudo de inteligência e maturidade emocional para consigo mesmo. Este raciocínio advém do fato de que é contraproducente continuarmos reverberando este mal de forma sistemática, pois muitas vezes aquele que causou um dano, sequer está lembrando do fato. Em outras palavras, o único prejudicado somos nós mesmos. Enright (2008) propõe um modelo de como é o processo do perdão, constituído de vinte etapas pelas quais as pessoas podem passar, divididas em quatro fases distintas: fase de descoberta, fase de decisão, fase de trabalho e fase de resultados e benefícios. Portanto, o melhor a fazer é trabalhar cada aspecto negativo das “injustiças da vida”, percorrer estas etapas – cada um, no seu tempo – para fechar feridas emocionais que, muitas vezes, estão latentes há anos.

O trabalho terapêutico constante das emoções tóxicas tem o poder de curar nossa vida, pois tiramos um peso das costas. O melhor a fazer por nossa saúde é, portanto, desconstruir ou reelaborar sentimentos como raiva e tristeza, ressignificar algum acontecimento que nos foi direcionado consciente ou inconscientemente, posicionando-nos como agentes ativos do processo. Esta atitude de não-vitimização nos traz outra perspectiva diante do nosso sentimento de impotência, das nossas carências, frustrações e crises existenciais. Sendo assim, precisa ser trabalhada todas as mágoas, culpas, ressentimentos e descompensações, libertando-nos das amarras que impedem uma vida de qualidade. O perdão é um puro ato da subjetividade, um ato ético incondicional,  uma escolha livre e unilateral.   E a pessoa que demonstra dificuldades para perdoar apresenta uma personalidade rígida e intransigente, que não admite falhas, sendo muito severo consigo mesmo e com o comportamento alheio.

Santana & Lopes (2012) concordam, também, que o perdão, citando Enright et al. (1998), é uma atitude moral na qual uma pessoa considera abdicar do direito ao ressentimento, julgamentos e comportamentos negativos para com a pessoa que a ofendeu injustamente, e ao mesmo tempo, nutrir sentimentos imerecidos de compaixão, misericórdia e, possivelmente, amor para com o agressor. De acordo com estes autores, o elemento primordial para se conseguir perdoar é enxergar o culpado ou transgressor com certa compaixão. E, na sua visão, o perdão é um processo que perpassa pelas esferas do comportamento, da cognição e do afeto. Já Worthington(2005), analisa o perdão enquanto um processo que inicia-se com uma decisão ou motivação e evolui até uma mudança emocional significativa por parte da vítima de crimes ou transgressões. E de acordo com Exline & Baumeister (2001), o núcleo do processo do perdão está em abrir mão das emoções negativas, pois perdoar implica em cancelar ou suspender um débito interpessoal.

“Os fracos não podem perdoar. O perdão é um atributo dos fortes”. – Mahatma Gandhi

“Eu te perdoo”. Essas podem ser as três palavras mais difíceis de serem ditas. Apesar de simples, carregam um peso enorme. Todos nós, de alguma forma, guardamos a nossa pequena cota de ressentimento em relação a algo ou alguém e  precisamos ser curados… A pessoa que permanece dia após dia presa no ciclo das recordações, nas garras do ressentimento e no ódio persistente em relação a um evento do passado ou determinado indivíduo, desenvolve além da infelicidade um estresse crônico. A lembrança e o contato com o inimigo – pessoa que nos causou mal ou feriu – nos faz bater o coração de forma muito diversa do seu pulsar natural. Ninguém suporta viver por muito tempo dessa maneira porque não há emoção mais tóxica do que a raiva combinada com o ódio e o desejo de vingança.

Pois bem. Diante de qualquer tipo de violência ou ofensa, a grande questão que incomoda a qualquer um é como interagir com a pessoa que nos feriu ou causou alguma dor ou dano. Deve-se incriminar ou perdoar aquele que cometeu um crime grave; que traiu a confiança e o amor; que mentiu, cometeu um insulto ou uma injuria; que nos demitiu do trabalho deixando-nos numa situação difícil ou mesmo que violou algum direito nosso? Como se livrar de lembranças amargas e perdoar palavras duras e imerecidas acusações? A tendência de qualquer pessoa, a priori, é a revolta, a acusação, o menosprezo pelo infrator, atitudes precipitadas decorrentes daqueles pensamentos como: “não levo desaforo para casa”. Mas, diante desta situação é fundamental não julgar mesmo sendo vítima, tentar entender as circunstâncias a partir de várias perspectivas e não se deixar levar pelas emoções nocivas em relação a pessoa delituosa… O perdão, na verdade, é um atitude de decisão difícil, um processo gradual e uma postura emocional comedida no qual estão em jogo questões subjetivas que perturbam a paz e tira o sono de qualquer ser ofendido. Atos como abuso, trapaça financeira e infidelidade são imperdoáveis segundo Moisés Groisman. Para ele, perdoamos a pessoa que praticou o ato, caso queiramos manter a convivência com ela. Mas, o ato, em si, é imperdoável. Ao decidir perdoar, entramos numa fase onde estão processos que Enright chama de enquadramento e compaixão em relação ao ofensor. E neste transcurso, de acordo com Santana & Lopes (2012), há dois tipos de perdão: o decisional que envolve mudanças nas intenções do comportamento da pessoa que sofreu a afronta em relação ao transgressor; e o perdão emocional que se caracteriza pela substituição das emoções negativas por emoções positivamente orientadas. Quem tem dificuldade para perdoar evidencia um grau de neuroticismo elevado que limita, portanto, as suas possibilidades de amar.

“Aquele que é desprovido da capacidade de perdoar é desprovido da capacidade de amar. Há algo de bom nos piores de nós e algo de mau nos melhores de nós. Quando descobrimos isso, somos menos propensos a odiar os nossos inimigos” (Martin Luther King).

Nos relacionamentos que temos com tantas pessoas que cruzam o nosso caminho, magoamos e somos magoados. Somos grosseiros uns com os outros em vários momentos. Há uma mescla de sentimentos entre as pessoas que convivem num mesmo lar, no trabalho, no local onde estudam, no Templo religioso que frequentam e assim por diante. Enfim, o perdão é o ato de se desprender do ressentimento provocado pelas grosserias. Deve vir do coração, deve ser sincero, generoso e não ferir o amor próprio do ofendido. Não impõe condições humilhantes, tampouco deve ser motivado por orgulho ou ostentação. O verdadeiro perdão se reconhece pelos atos e não pelas palavras. Deve-se perdoar sempre infinitamente, pois precisamos ser perdoados, também. Ninguém está imune destes enredamentos. Todos precisam ser perdoados e aprender a perdoar. Pois, de acordo com o modelo de perdão interpessoal proposto por Enright, dois dos passos significativos da perdoabilidade são os seguintes: percepção de que o próprio self já necessitou do perdão de outros no passado; e percepção de que não se está sozinho, ou não se é a única pessoa a lidar com a mesma ofensa.

Mas, é importante lembrar que o perdão não significa esquecer algo doloroso ou fingir que não aconteceu; não é necessariamente se reconciliar com o autor da afronta, pois existem muitas pessoas maquiavélicas e narcisistas; não é desculpar o mau comportamento da pessoa que causou algum dano; fechar os olhos aos erros dos outros; não é negar ou minimizar seu sofrimento; desculpar todo e qualquer erro; desculpar todo aparente deslize das pessoas; e permitir que os outros se aproveitem de nossa bondade. E é relevante entender que a mesma situação pode ter que ser perdoada várias vezes, pois é um processo gradual; que não existem pessoas que não merecem perdão; e a outra pessoa não precisa pedir perdão para você perdoar.

“Perdoar significa deixar ir o passado” (Gerald Jampolsky).

E resumindo, é preciso não desaprender que o perdão é um ato de desapego, compreensão, humildade e amor. Se o amor não flui dentro de nós mesmos, isso significa que a nossa vida pode estar moribunda. Isso impede-nos de se relacionar bem com as pessoas e ter êxito na nossa existência. Desta forma, podemos reafirmar que precisamos estar atentos aos níveis de ressentimentos que são dignos de ser trabalhados pelo perdão como: a indiferença, a mágoa, o rancor, a raiva, o ódio, a acusação e a vingança. Todos estes sentimentos tóxicos guardados no nosso íntimo causa doenças psicossomáticas severas. Segundo Oliveira (2007), embora a vingança ou, ao menos, o ressentimento pareça o mais simples, há muitas razões para perdoar, ganhando o sujeito na saúde física, pois os sentimentos de cólera provocam um aumento de pressão sanguínea e prejudicam o coração; na saúde psíquica, pois o perdão liberta o espírito de pensamentos negativos povoando-os de pensamentos positivos e magnânimos; e ainda nas relações sociais, pois as emoções nocivas azedam as relações interpessoais, enquanto o espírito de tolerância e de perdão constroem a paz e a fraternidade. Diversas pesquisas científicas demonstram que perdoar (e ser perdoado) reduz a ansiedade, a depressão e a pressão arterial, promovendo também a auto-estima. Mas, sobretudo deve-se perdoar por motivo ético incondicional.

Não perdoar é, portanto, um sintoma, o sintoma da sujeição ao outro, e a incapacidade para remediar isso. Egidio T. Errico (Psicanalista Freudiano e Lacaniano de Salerno, Itália

Por isto, podemos asseverar que a falta de perdão das ofensas produz dano maior em quem está ferido do que naquele que feriu. Sem perdão não há cura das mágoas e ressentimentos. A doença interior só se complica, assim como, o bem-estar em geral da pessoa ressentida é seriamente afetada. É preciso haver decisão, habilidade de enfrentamento aos sentimentos perniciosos relacionados as ofensivas e mudança de perspectiva para não ficar preso eternamente nas garras dos ressentimentos e melindres. Pois, uma pessoa que alimenta o ódio e o rancor por causa de insultos denota falta de grandeza, suscetibilidade desconfiada e cheia de fel e, bem como, pouco aprimoramento moral, de acordo com as tradições ético-religiosas. A eliminação destes sentimentos nocivos são consideradas no âmbito religioso como “processo de apuro ou purificação espiritual”. Já para os estudiosos da psicologia da perdoabilidade, aquelas pessoas que não perdoam tem maior dificuldade em serem felizes, em estarem satisfeitas com a vida e em relacionar-se com os outros, podendo a dificuldade ou mesmo a recusa de perdão denotar alguns traços negativos ou mesmo neuróticos da personalidade.

E além disso, tais pessoas perdem a oportunidade de sensibilizar e tentar educar quem praticou a ofensa ou dano a não permanecer no erro com o mesmo comportamento, disseminando contratempos, agressões e ressentimentos. Pois, o perdão inclui a educação ou esclarecimento com relação as brutalidades. A sujeição passiva as grosserias e insolências pode potencializar os processos de força e agressividade do contraventor. Esta disponibilidade da pessoa para o processo educativo, apesar de ter sido vítima, revela a nobreza de sentimentos e virtudes como a capacidade de se colocar no lugar do outro, afabilidade, capacidade de suportar, serenidade e, enfim, o tão difícil processo da compaixão em relação ao ofensor descrito por Enright.

  • 1- ______ A psicologia do Perdãohttp://www.amenteemaravilhosa.com.br, 2017;
  • 2- ______ O poder do perdão: descubra como ele pode mudar a sua vida http://www.psicologiaviva.com.br, 2018.
  • 3- Bueno, Emerson. O perdão não é um sentimento, é uma decisão, 2017;
  • 4- Gonçalves, Sara. Razões para perdoar, 2014;
  • 5- Oliveira, José H. Barros de. Perdão e Optimismo: abordagem intercultural. Faculdade de Psicologia e C.E., Univ. do Porto. Psicologia Educação e Cultura, vol. XI, nº 1, pp.129-146, 2007;
  • 6- Santana, Rodrigo Gomes; Lopes, Renata Ferrarez Fernandes – Aspectos Conceituais do Perdão no campo da Psicologia. Psicologia: ciência e profissão, vol.32, nº3. Brasília,  2012;
  • 7- Vieira, Paulo. Poder e Alta Performance. São Paulo: Gente. pp. 240 a 243, 2017.

Câimbra do Escritor e as Implicações Emocionais

Você já se deparou, alguma vez, com um problema que não faz a menor ideia de como enfrentá-lo? Ou mesmo já se sentiu como uma pessoa estranha do tipo um mutante ou um Eduard, mãos de tesouras?  Pois é, diante de tanta dificuldade para escrever que é acompanhada de aleijão, dores, câimbras, espasmos e incômodos físicos cada vez mais embaraçosos e diante do desempenho insatisfatório e desfavorável da psicomotricidade fina em algumas tarefas específicas, assim como levando em consideração a necessidade de escrever devido a rotina da profissão, eu tenho pensado muito sobre esta minha condição de saúde que convivo desde a infância e duas circunstâncias são bastante evidentes e categóricas: a sensação de estar lidando com algo estranho que eu ainda não sei como enfrentar e o sofrimento psíquico  inusitado e recorrente desde o meu processo de alfabetização.

Outra realidade é bastante evidente nesta caminhada. É que eu sempre fiz muito esforço durante toda a minha vida para conviver com esta condição crônica de saúde conhecida como distonia focal da mão. E este enfrentamento tem se dado pelo fato de ter que fazer interface com a civilização da escrita,  pelo enorme desafio para conseguir se concentrar no intuito de manter a caneta firme numa postura ideal para escrever, pelo menos, algumas sílabas e, por fim, por ter que enfrentar as complicações e enredamentos emocionais relacionado a este transtorno neurológico incapacitante como:

  • Sensibilidade perspicaz a qualquer pedido ou demanda para escrever, pois esta solicitação ou necessidade passa a ser uma espécie de afronta, um tormento e uma ameaça;
  • Lamúria inteligível e irremediável, processo de enraivecimento e rancorização por tentar e não conseguir escrever;
  • Sentimento de desamparo e exclusão de um padrão social;
  • Sentimento de inadequação;
  • Vergonha das mãos deformadas e das garatujas conseguidas com muito esforço;
  • Tendência ao retraimento, sentimento de desespero e insegurança, humor irritadiço;
  • Medo do lápis e do ato de escrever;
  • Busca de afirmação típica de Pessoas Especiais e consequentemente vulnerabilidade da autoestima;
  • Ceticismo ou reação constantemente negativa diante de qualquer tratamento; 
  • Mudança no nível de energia apresentando cansaço e exaustão com frequência, dentre outras. 

É importante salientar que estas evidências e contratempos que compartilho aqui são somente algumas características não-motoras que podem ser comuns e preponderantes a qualquer pessoa com síndrome da câimbra do escritor. Mas, na minha história de vida sempre estiveram me atormentado a todo momento variando de intensidade e de acordo com as ocasiões e épocas específicas da vida. 

Além disso, ainda tem um outro aspecto que interfere consideravelmente na dimensão  emocional de todos nós que vivemos com esta deficiência estranha. Você já foi vítima de comentários inconvenientes que subestima ou menospreza o teu sofrimento?  Pois é,  o sofrimento aumenta cada mais quando convivemos com os julgamentos manifestado pelas pessoas através de atitudes ríspidas, incompreensíveis e não condescendentes. Neste sentido, tenho escutado  palavras ou frases “de efeito” – que, na verdade, aborrece demais qualquer paciente com câimbra do escritor e desconsidera, deverasmente, sua condição de incapaz  – como as seguintes:

  • “Você precisa ser mais forte e resistir”;
  • “Você está criando uma situação para chamar atenção”;
  • “Existem pessoas em piores situações”;
  • “Você está apenas tendo um dia ruim”;
  • “Todo mundo fica cansado”;
  • “A gente faz muitas coisas com as mãos, elas não servem só para escrever”;
  • “Você precisa se divertir mais, fazer exercícios…”;
  • “Não pode ser tão ruim assim”;
  • “Você parece que gosta de sentir pena de si mesmo”.

Atitudes e palavras como estas, das pessoas em geral, podem revelar discriminação,  intransigência, indelicadeza, indiferença, desdém e dificuldade de lidar com a dor insuportável do semelhante de acordo com a situação. Todo aquele que não consegue se enquadrar num padrão social vigente, automaticamente, torna-se inconveniente e passa a ser visto como uma pessoa intolerável. Segundo com minha experiência, tais comportamentos nos enfraquece e nos faz, cada vez mais, perder as esperanças.  E, além disso, podem complicar ou perturbar ainda mais a condição da doença ou  impedimento corporal e a saúde mental do paciente que vive com a Síndrome da Câimbra do Escritor (distonia focal da mão).

Embora eu, geralmente, goste de valorizar as opiniões das pessoas sobre as questões que envolvam a minha vida, elas perdem totalmente o impacto quando se trata desta minha condição crônica de saúde. Para minha própria sanidade, tive que aprender a ser independente da opinião dos outros e viver a minha vida da melhor maneira que conheço e  da forma como fico mais à vontade, independentemente do que os outros pensam ou dizem.

A opinião de alguém sobre nós mesmos não precisa se tornar a nossa realidade. Encontrar alívio deve ser nossa prioridade número um. Não temos que agradar aos outros. Espero que familiares, amigos e colegas de trabalho nos respeitem por isso.   Tom Seaman,  escritor e paciente com distonia generalizada.

Desta forma, a minha luta para viver harmonicamente num padrão civilizatório, em que a escrita é algo natural e espontânea, tem sido cotidiana e nesta odisseia tenho percorrido caminhos muito duros e inflexíveis, pelo fato de, a todo momento, ser confrontado e demandado a escrever. E assim presumo que seja com todo paciente com distonia focal da mão ou membro superior, cada qual com sua peculiaridade. Mas, apesar de tudo, estou aqui sobrevivendo, de forma eremítica, as dificuldades e intempéries do cotidiano. Afinal, consegui estudar, ter uma profissão e, a todo momento, estar sobrevivendo e superando as limitações típicas da doença que me transformou numa Pessoa Especial com uma deficiência física estranha.

Assim sendo, mesmo diante de tanto dificuldade para se enquadrar na civilização da escrita e diante de tanto sofrimento psíquico, posso dizer que aprendi a desenvolver características psicológicas assertivas próprias da pessoa com deficiência como as seguintes: ter um olhar distinto e mais empático para com todos os seres, ter uma maior criatividade e percepção mais refinada do universo subjetivo,  ter uma maior tendência a superação das dificuldades e desenvolvimento de habilidades para compensar uma limitação, busca incansável para ficar melhor ou encontrar alívio,  assim como um padrão mais elevado de resiliência e invulnerabilidade.  Pois bem, tenho percebido que estas características subjetivas tem coexistido,  de forma paradoxal,  àquelas supramencionadas, tornando-me incomum e mais autoconfiante para lidar com as aflições oriundas desta situação. E tenho compreendido como é estranho e sinuoso tudo isto, pois, por um lado,  deparo-me com dificuldades extremas que precipita implicações emocionais fortes todas as vezes quando me esbarro com a necessidade de ortografar  e, por outro lado, defronto-me com habilidades notáveis como que para compensar o impedimento físico e suas complicações.

Mas, mesmo assim, continuo sem saber como enfrentar, de fato, esta deficiência estranha em minha vida. Viver bem com distonia é um desafio, já que muitas vezes não dispomos de  conhecimentos e terapias  necessárias para nos dar um suporte adequado e nem tão pouco encontramos pessoas que possam nos ajudar efetivamente, pelo menos,  minimizando a gravidade da doença nos seus aspectos motores como a limitação física; não-motores como  as alterações das funções psíquicas tais como sensopercepção,  propriocepção,  atenção e  psicomotricidade; e, por fim, tendo uma melhor compreensão de suas implicações emocionais.

Neste aspecto, a importância de algumas instituições de pesquisa, estudo e grupos de apoio ao paciente da distonia pelo mundo afora tem trazido algum suporte e alívio do sofrimento psíquico e  possibilidades de elaboração subjetiva e compreensão interna das dores e tristezas do paciente com distonia.  É preciso que as pessoas se autorizem a sentir plenamente as dores das perdas e do fracasso. O fato de haver um imperativo de uma forma de escrever socialmente estabelecida  só faz com que o paciente se sinta mais culpado por não cumprir este ideal. Porque se a regra é escrever, então a câimbra do escritor é um desvio. E, portanto,  passa a ser socialmente vergonhoso, irritante e que causa constrangimento.  Daí, a relevância do acolhimento de parentes e grupos de apoio para o bem-estar de  todos nós que somos pacientes desta condição de saúde e  de deficiência excêntrica.

O grupo constitui um contexto enriquecido no sentido de proporcionar condições de prevenção e promoção da saúde, sensibiliza os participantes quanto às vivências emocionais, possibilita a expressão das tensões e sentimentos, amplia a percepção e estimula a criatividade. A técnica grupal também se mostra uma forma de intervenção para o cuidado com o sofrimento psíquico e pode auxiliar para a melhora das relações humanas.                                                                Cybele Carolina Moretto – Psicóloga.

Gerenciando os sentimentos associados à distonia

Atualmente, a distonia continua sendo uma condição difícil de tratar. Antes de tudo, chegar a um diagnóstico deste transtorno neurológico é um desafio para todos. Haverá inevitavelmente um processo de ajustamento que para muitos será angustiante. Muitos pacientes de distonia têm que continuar seus trabalhos e responsabilidades diárias e, ao mesmo tempo, tentar lidar com sua condição.  Nesta condição de saúde, as técnicas de dessensibilização sistemática pode ser uma alternativa para ajudar o paciente de distonia a enfrentar os estressores, sentimentos negativos e lidar com a doença em situações cotidianas. Pois, é importante estar ciente de que, embora as condições de saúde mental normalmente não causem distonia, pode haver uma relação importante em alguns casos entre distonia e condições de saúde mental, como estresse, depressão, ansiedade e sintomas do espectro obsessivo-compulsivo.

A dessensibilização sistemática é uma técnica de ajuda que consiste na evocação ou na repetição da vivência real de situações que consideramos ameaçadoras. De forma simultânea, é realizada uma terapia de relaxamento profundo para reduzir os estados de desconforto. Nessa técnica o paciente é treinado a desenvolver a serenidade, é colocado em contato com uma hierarquia de situações geradoras de ansiedade e é solicitado a relaxar enquanto imagina cada uma delas, assim o paciente atinge um estado de completo relaxamento, quando é exposto ao estímulo que provoca a resposta de ansiedade, como por exemplo ter que assinar o nome, mesmo com a limitação física provocado pela distonia da mão ou membro superior.

Por que a Dessensibilização Sistemática é útil para a Síndrome da Câimbra do Escritor?

A distonia é considerada um distúrbio neuromuscular e não psicológico. No entanto, viver com um distúrbio físico crônico, especialmente  como a distonia, que pode fazer você parecer diferente, pode às vezes dar origem a sentimentos de apreensão, ansiedade, medo, desesperança e desamparo. Além disso, como você provavelmente sabe, por experiência própria, a gravidade de sua distonia é frequentemente afetada por fatores psicológicos. Pense nas ocasiões em que esteve estressado e lembre como sua distonia parecia piorar. Quando você soube da natureza de seu transtorno através do diagnóstico, foi natural ter passado por fases como Estado de  Choque, Raiva (por que eu?), Desespero e Depressão. Mas, então a aceitação da doença deve seguir e ultrapassar estes estágios. A evolução através destes estágios pode levar algum tempo, mas você deve trabalhar positivamente em direção ao estágio de aceitar seu transtorno e ver como você pode contorná-lo em sua vida cotidiana. A Dessensibilização Sistemática, então, visa ajudá-lo a aceitar sua distonia e aprender a lidar com as situações difíceis de sua vida cotidiana, quando a distonia parece piorar ou quando você é confrontado com a dificuldade de escrever.

O processo de dessensibilização sistemática está orientado para enfrentar uma situação estressante de forma consciente, revivendo e expressando passo a passo o que você pensa e sente quando é exposto a aquilo que o estressa. O relaxamento vai produzir um efeito tranquilizante e o tempo vai fornecer ferramentas para que você possa adquirir um novo aprendizado, o que reduzirá o estado de angústia e estresse quando diante da limitação ou da impossibilidade de escrever quando a situação exige.

Esta técnica da Psicoterapia Behaviorista procura reforçar um comportamento aprendido de auto domínio, através da repetição, no ritmo que você considerar adequado e respeitando as suas emoções. Trata-se de desaprender as respostas negativas diante de uma situação estressante e de transformar a experiência. Para conseguir isto, é promovido um desenvolvimento de habilidades e recursos para controlar conscientemente as situações que acabam por ser angustiantes, como o ato de escrever. Neste caso, a memória cumpre o papel de recordar o novo aprendizado quando for necessário. Neste sentido, outra técnica similar é o Mindfulness que é um dos princípios da Yoga, do Tai-Chi-Chuan e práticas Taoístas; e por último, existe uma técnica baseada nos princípios da dessensibilização sistemática que se chama de Inoculação do Estresse que é um procedimento cognitivo-comportamental desenvolvido pelo psicólogo canadense Donald Meichenbaum.

O que a Dessensibilização Sistemática envolve?

Geralmente, um paciente com Câimbra do Escritor ou qualquer tipo de distonia pensa assim:
“Eles vão pensar que eu pareço bizarro”.
•”Minha vida está arruinada.”
•”O que eu fiz para merecer isso?”
• “Eu não posso mais tolerar essa dor”.
• “Meu futuro é impossível”.

Na verdade, o que uma pessoa pensa ou diz para si mesmo tem um efeito importante sobre como se sente e se comporta. As frases citadas acima são algumas das declarações autodestrutivas que você pode estar dizendo a si mesmo, sem estar ciente disso, o que interfere em seu funcionamento nas situações cotidianas, enquanto paciente da Câimbra do Escritor ou de outra distonia. Aprender a superar esses pensamentos negativos será um dos objetivos da técnica de dessensibilização. A maioria das pessoas tem que enfrentar e lidar com situações difíceis e estressantes no curso de suas vidas. O enfrentamento bem-sucedido de situações estressantes ou ansiolíticas envolve várias etapas. Qualquer que seja a situação de produção de estresse (por exemplo, escrever em público, assinar seu nome, folhear um livro, cortar as unhas, contar cédulas), você pode se ajudar em cada um desses estágios usando as técnicas deste processo terapêutico.

Uma forma simples da técnica que você pode aprender para ajudá-lo a lidar com situações estressantes da distonia focal do membro superior é a identificação dos seguintes passos:

Identificar suas autodeclarações ou pensamentos negativos e substituí-los por outros  positivos que o prepararão para enfrentar o desafio da situação estressante.

Identificar os primeiros sinais físicos de apreensão, ansiedade e medo, que podem consistir em aumento da tensão em seus músculos, batimentos cardíacos, falta de ar, rubor, ‘frio no estômago’. Então, assim que você detectar esses sintomas físicos, procurar e buscar relaxamento físico usando o método da respiração diafragmática.

• Aprender a substituir o pensamento contínuo sobre eventos passados ​​e preocupar-se com o que pode acontecer no futuro, relaxando mentalmente através do uso de imagens agradáveis.

Durante os três estágios de lidar com uma situação estressante descrita acima, você deve aprender a perceber quaisquer pensamentos autodestrutivos que entrem em sua mente e os sinais físicos de apreensão ou ansiedade que a acompanham. Você deve usá-los como um lembrete ou “campainha” para usar uma conversa interna positiva, fazer respiração diafragmática e pensar em imagens agradáveis ​​para ajudá-lo a lidar com a situação estressante. Em suma, fazer uma lista hierárquica de pensamentos ansiosos, identificar qual parte do corpo fica tensa e aplicar relaxamento muscular relacionando os pensamentos estímulos de ansiedade e estimular uma reestruturação cognitiva.

Eis a técnica em si!

O efeito de pensamentos autodestrutivos e autoafirmações negativas sobre como você pode avaliar situações estressantes e como isso afeta a gravidade de sua distonia, sua atitude em relação a seu transtorno e como você se sente e age pode ser mostrado através dos seguintes passos:

• Ativação ou criação de um evento ou situação estressante. Nesta primeira fase, cria-se um situação e desenvolve-se habilidades de confronto com o objetivo de ajudar o paciente a entender  o problema e seus efeitos nas emoções e comportamento. Um exemplo pode ser escrever na frente de estranhos.

• Crenças não assertivas significa a cadeia de pensamentos e autoafirmações que passam pela sua mente em reação a situação estressante. Um exemplo disso pode ser o pensamento “Ele vai pensar que pareço estranho”.

• Consequências que significa as emoções e comportamentos que resultam da minha crença ou pensamentos.

Pensamentos negativos e autoafirmações podem se tornar tão automáticos e habituais que você nem os percebe e muito menos os seus efeitos em sua distonia e como você geralmente se sente e se comporta. Então o primeiro grande passo é se tornar consciente deles. Você pode fazer isso ouvindo-se com uma espécie de “terceiro ouvido”. Ao pegar-se pensando negativamente e, assim que puder, escreva esses pensamentos em uma folha de papel para que você não os esqueça. Esse ato de auto monitoramento, ou de escrever seus pensamentos negativos em um bloquinho de papel, o treinará para se tornar um bom ouvinte para o seu “diálogo interno”; é o que você pensa e diz para si mesmo. As autoafirmações ou pensamentos negativos podem estar relacionados a diferentes aspectos de você como pessoa, seu futuro, reações de outros à sua distonia.

Agora trago alguns pensamentos gerais não assertivos relacionados a sentimentos para exemplificar o primeiro processo que é Ativação ou confrontação de um evento ou situação estressante.

  1. Raiva – Pensamentos de ser vítima e  punição como:  “Por que eu?”, “O que eu fiz para merecer isso?”
  2. Ansiedade Social – Pensamentos sobre o que os outros pensam de você como: “Eles pensam que sou estranho”, “Eu vou perder o controle e me fazer de bobo”
  3. Auto-estima – Pensamentos sobre você enquanto pessoa como: “Eu sou bom para nada”; “Eu não posso fazer as coisas mais simples para mim mesmo”
  4. Desamparo –  Pensamentos de ser incapaz de lidar como: “Eu não posso mais tolerar essa dor”, “O que acontecerá comigo se não houver ninguém para cuidar de mim?”
  5. Desesperança – Pensamentos sobre o futuro como: “Eu não tenho futuro com essa desordem”, “Minha vida está arruinada”.

O segundo passo, depois de ter identificado e escrito suas autoafirmações negativas, é examiná-las de perto e logicamente revisar, aprender e treinar estratégias de confronto. Essas estratégias vão  permitir ao paciente abordar as situações geradoras de estresse que foram detectadas na primeira fase. Você provavelmente descobrirá que a maioria dos pensamentos negativos ou autoafirmações são baseadas em suposições erradas e raciocínio “preto e branco”. Por exemplo, a  autoafirmação “Ele vai pensar que pareço estranho” é baseada em uma série de suposições erradas. Estas suposições erradas estão baseadas nas seguintes questões: 1) Você pode prever o que as outras pessoas pensam? 2) Outras pessoas irão julgá-lo apenas com base em como você escreve? 3) O seu valor como pessoa é determinado pela forma que outra pessoa pensa sobre você? 4) Você deve ser aceito e amado por todos que conhece?

O terceiro passo importante, depois de ter examinado de perto seus pensamentos negativos e descoberto que eles se baseiam em suposições erradas, é substituí-los por afirmações positivas alternativas ou pensamentos assertivos e construtivos que você poderia usar para ajudá-lo a lidar com situações estressantes. Pense em autoafirmações positivas e assertivas que sejam apropriadas à situação e que sejam significativas e convincentes para você. Repita as autoafirmações positivas para si mesmo com força e convicção, e com o tempo elas irão deslocar seus pensamentos negativos. Por exemplo, o pensamento negativo “Ele vai pensar que pareço estranho” quando encontro um estranho pode ser substituído pela autoafirmação positiva “Vou explicar o que o meu problema de distonia é para ele.” De forma semelhante, você pode exercitar ‘falar para você mesmo’ quando estiver diante de uma situação estressante, usando uma conversa assertisa apropriada. O objetivo desta etapa é, então, colocar em prática as estratégias aprendidas em situações reais, comprovar a utilidade das habilidades adquiridas e corrigir os problemas que vão surgindo durante o processo de exposição ao problema que no nosso caso é o ato de escrever com limitação corporal.

Na verdade, o paciente com Síndrome da Câimbra do Escritor não deve escrever,  pois o ato de escrever é um desrespeito a sua limitação e deficiência, é uma violação de direitos e, na verdade, é um insulto a sua pessoa. É a mesma coisa que pedir para um cadeirante dar uma carreira de qualquer distância entre dois pontos. Mas, nas situações em que o paciente precisa escrever onde precipitam estresse com sentimentos e pensamentos negativos latentes e em situações de comprometimento da saúde mental típicos desta doença/deficiência é necessário a prática de técnicas como a Dessensibilização Sistemática e práticas Taoístas, da Yoga e da medicina chinesa como a acupuntura. Neste aspecto, estas técnicas apenas alivia o sofrimento emocional como os medos e a ansiedade oriundos da exposição ao ato de escrever, o medo do lápis e da caneta; e busca o relaxamento muscular, a reestruturação cognitiva e a possibilidade de viver melhor com a doença.  A doença continua sem cura e maltratando muito o paciente.

Esforços quase infrutíferos

Hoje, depois de algumas tentativas no agendamento eletrônico, finalmente consegui ser atendido para a expedição da segunda via do Carteira de Identidade Civil (RG). Apesar, do agendamento, é preciso ter um pouco de paciência, pois é muita gente para ser atendida.

Mas, isso não foi um contratempo ou inconveniência.  O embaraço maior para mim aconteceu na hora de usar o  eSignPad, pois,  eu tive muita dificuldade para assinar devido a distonia focal. A doença está cada vez pior. É impressionante! E como tira a gente do equilíbrio e do prumo, facilmente.

Na verdade, o que mais me incomodou não foi o ato de não conseguir escrever, ou mais precisamente, não conseguir assinar o próprio nome com destreza. Mas, o que intentou  tirar-me do equilíbrio foi exatamente os sentimentos provocados por esta situação impertinente como: a vergonha, o descontrole e embaraço  emocional, a timidez e a vontade de evadir-se. Acrescentando-se a isto, o aparecimento de tensão e dores nas mãos, as contorções horríveis, os tremores e a necessidade de explicar o problema para a funcionária tornou aquele momento um verdadeiro suplício.

Tentei escrever no eSignPad por três vezes acatando a sugestão da funcionária. Na última tentativa, consegui com muito esforço uma assinatura menos ruim, com letras trêmulas. Ufa! Que alívio. Acho que logrei alguma coisa! Sou grato pela paciência e educação da funcionária da Casa da Cidadania de C. Grande. Mas, o que eu queria mesmo era sumir, evaporar-se. Não aguento mais passar por isto. Que coisa mais desagradável e importuna. A propósito, eu compreendo que estas são as peculiaridades psicológicas de todo paciente com distonia quando é preciso defrontar-se ou fazer interface com sua limitação ou deficiência física. Mas, a questão primordial é: até quando tenho que conviver com esta condição de saúde tão insustentável e infortúnia? Nessas horas, só vivencio e experiencio muito esforço e pouco resultado para uma coisa que parece simples para todas as pessoas: escrever. Este é apenas um recorte de momentos quase insustentáveis da condição de saúde de todos nós pacientes.

DEPOIS DA QUEDA, O COICE

Este é o título de uma música do álbum “Hey na na” (1998) da banda brasileira de rock Os Paralamas Do Sucesso que nos remete ao conhecido ditado português “além da queda, o coice”.  Esta expressão popular tem o significado de dois castigos ao mesmo tempo, quando ocorrem duas situações desagradáveis simultaneamente. Ela origina-se da situação em que o cavaleiro, além de ser derrubado da montaria ainda recebe desta um coice. E é muito comum na linguagem popular do nordeste brasileiro.

Este ano que está terminando me trouxe algumas coisas bacanas como boas amizades e conquistas importantes; ganho expressivo em conhecimento e experiência; amadurecimento pessoal e desenvolvimento da espiritualidade; e envolvimento nos serviços devocional e amoroso transcendentais. Assisti alguns filmes muito interessantes, li cerca de dez livros, escrevi alguns posts de blog, fiz três cursos de aprimoramento profissional, atuei veementemente na clínica psicológica e o mais significativo de tudo foi a publicação do ebookCâimbra do Escrivão: uma deficiência incomum” juntamente com Maristela Zamoner. Mas, apesar disso, eu diria que a frase que mais designa o ano de 2018 para mim foi exatamente esta: “Depois da queda, o coice”.

Isto porque tenho vivido e caminhado entre quedas e coices neste ano que termina agora. Neste sentido, ao mesmo tempo que atravessei o ano experimentando o amargor de pequenas injúrias e calúnias; atitudes maquiavélicas e inveja; alijamento social e assédio moral – às vezes, de forma grosseira e nítida e, às vezes, de forma subliminar e sorrateira –   enfrentei um revés financeiro penoso no trabalho e padeci, concomitantemente, de complicações árduas devido a minha doença neurológica. E como se não bastasse, fui vítima de um assalto a mão arma na sexta dia 30/11 onde levaram o carro da nossa família, celular e documentos pessoais. Contexto este que trouxe consequências severas, contratempos e complicações na minha vida. Eis, o coice! Eis, o selo do castigo!

Diante disto, paira no ar uma sútil atmosfera de estar bem rende ao precipício, usando as palavras de  Herbert Viana nesta sua belíssima canção. Sinto que a dor virou meu vício diante de tanta aflição e de tanto açoite. Tenho me perguntado: será que são provações, expiações ou meros pesadelos…  Diante de tanto martírio e tanta fragilidade, eu não compreendo, não acho relevante e não importa a explicação… Só sei que, infelizmente, eu não sou o único privilegiado destas situações inconvenientes e perniciosas neste mundo material.  Este é o cotidiano de toda as pessoas que a todo instante estar susceptível a ser vítima de todo tipo de violência e sofrimento no seu dia a dia como o roubo, a cobiça, a falsidade, a descortesia, a traição, a trapaça, o infortúnio, a desavença, a vaidade e uma infinidade de princípios irreligiosos ou não bramânicos como afirma o Srimad-Bhagavatam.

Neste aspecto, é preciso entender que todos os movimentos de nossa vida nada mais são do que um espelho do nosso passado, de acordo com os grandes eruditos do yoga. Através do karma, a dinâmica lei da ação e reação, o cosmos exerce sobre nós sua profunda pedagogia, permitindo que possamos nos deparar com os nossos velhos enganos e corrigi-los. Desta forma, por trás de todo incidente negativo, de toda situação desagradável e lamentável, existe uma valiosa lição, esperando para ser descoberta e aprendida. Portanto para a tradição espiritual do yoga todos aqueles que de alguma forma nos prejudicam, traem nossa confiança e nos decepcionam são apenas agentes do nosso próprio karma. Um verdadeiro yogi sabe que todos os adversários externos são apenas projeções de suas próprias falhas internas e que seu maior esforço deve residir em combater sua própria ignorância, vícios e falta de misericórdia. Nós atraímos energias por magnetismo que sintonizam com energias profundas do nosso psiquismo ou do nosso passado imortal para que sejamos curados das nossas máculas. Eis o que se intitula de resgate de dívidas de uma entidade comprometida!

Sempre que está aflito ou passa dificuldades, o devoto sabe que o Senhor está tendo misericórdia dele. Ele pensa: “ por causa das minhas más ações passadas, eu deveria sofrer muitíssimo mais do que estou sofrendo agora. Portanto, é pela misericórdia do Senhor Supremo que não estou recebendo todo castigo que mereço. Pela graça da Suprema Personalidade de Deus minha punição é pequena”.
Por isso, ele é sempre calmo, quieto e paciente, apesar de muitas condições aflitivas. (…) Srila Prabhupada, no significado de O Bhagavad Gita 12: 13-14.

Aqui está o ponto chave e o outro lado da moeda. Exercitar a misericórdia e compaixão por estas pessoas que estão cheias de maldades através de suas atitudes para conosco nada mais é do que ter uma atitude nobre e transcendental em relação a elas que, devido a suas ações condicionadas e contaminadas pela energia nociva e perniciosa, estão cada vez mais aumentando seu enredamento  no cativeiro da plataforma material: um enredamento pecaminoso e kármico  horripilante. E mais ainda, de acordo com o Evangelho Segundo o Espiritismo, nas instruções do Capítulo VII, devemos ser indulgentes para com as injustiças e faltas dos homens, devemos suportar com coragem as humilhações e calúnias das pessoas, pois desta forma seremos humildes e agiremos com benevolência.

“Nunca enganes a ninguém. A vida é grande cobradora e exímia retribuidora. O que faças aos outros, sempre retornará a ti.” Divaldo Franco pelo Espírito Joanna de Ângeles.

Mas, como estou no mundo material num processo de busca para alcançar a plataforma espiritual da autorrealização, confesso que tenho sorrido a contragosto, pois o meu sentimento é de desalento… A história tem se repetido, onde vivencio falta amor e de bondade, de forma persistente, na civilização pós-moderna. A crueldade humana, o ódio, os interesses egoístas, a soberba, a falsidade, a falta de respeito, a dissimulação e a vida de aparências, como em épocas remotas, imperam a minha volta. Cenário denso que tem me assustado… Ainda estou aprendendo sobre a melhor maneira de como lidar com tudo isso.  Nas marcas do meu rosto e do meu corpo estão o cansaço, o desânimo e a desilusão depois de tanto lutar e só levar topadas e coices. As minhas mãos tremem, não só por causa da doença, mas devido a constatação de tanto desamor e indiferença; de tanta miséria existencial maquiada por diversas formas. Mas, apesar de tudo, estou vivendo e procurando encontrar forças para se erguer e seguir em frente. Afinal, depois da noite de tanto dissabores, aborrecimentos e desgostos sempre vem a expectativa refletida na luz de um outro dia. Nas voltas da vida, percebo que as relações humanas nos espaços sociais são um imenso laboratório espiritual e psíquico que nos permite desenvolver-se e aperfeiçoar-se quando nos permitimos e nos esforçamos para tal.

Até cortar nossos próprios defeitos pode ser perigoso. Nunca se sabe qual é o defeito que sustenta nosso edifício inteiro.    Clarice Lispector

Poemas dos Oito Caminhos

Apresento  alguns poemas que são atribuídos a  T’an Meng-hsien e são clássicos dos ensinamentos do Tai Chi Chuan. Publicado originalmente por: Diário de Tai Chi.
Poema do Aparar (Peng)
Como explicar a energia do Aparar?
É como a água, um barco em movimento, carregando.
Torne o ch’i substancial no tan-t’ien primeiramente,
Também deve-se a cabeça pelo alto suspender.
Todo o corpo tem de uma fonte o poder.
Claramente definidos devem ser Emitir e Receber.
Mesmo que mil quilos de força use o atacante,
Sem dificuldade flutuaremos, suavemente.
Poema do Puxar para Trás (Lu)
Como explicar a energia do Puxar para Trás?
Permitindo seu avanço em nossa direção,
O oponente conduzimos,
Enquanto seguimos sua força de aproximação.
Até seu excesso continuando a  condução,
Leves e confortáveis permanecemos,
Sem a postura vertical perdermos.
Ao gastar sua força,
Vazio naturalmente ele estará; e nós,
Se o centro de gravidade mantermos,
Nunca ser superados poderemos.
Poema do Pressionar (Chi)
 Como explicar a energia do Pressionar?
Os dois lados empregamos
Em certa ocasião,
Para receber diretamente
Uma simples intenção.
Encontrando e combinando
Em uma única ação,
Recebemos indiretamente
A força da reação.
É como a bola
Na parede rebatendo,
Ou como a moeda
No tambor se derrubando,
Com tom metálico ressoando.
Poema do Empurrar (An)
 Como explicar a energia do Empurrar ?
Quando aplicado,
É como água em movimento,
Mas em meio a suavidade,
Grande força é encontrada.
Quando o fluxo é ligeiro,
A força não é estagnada.
As ondas quebram-se nos lugares altos,
Mergulham fundo nos lugares baixos.
As ondas sobem e descem,
Mas um buraco encontrando,
Nele certamente avançarão.
Poema do Puxar para Baixo (Ts’ai)
Como explicar a energia do Puxar para Baixo?
Permitimos ao adversário
Liberdade para sua força,
Seja ela grande ou pequena,
Como se algo na balança pesássemos.
Depois de avaliado,
Seu peso ou leveza conhecemos.
Girando com poucas gramas,
Muitos quilos pesaremos.
Se pelo princípio  subjacente perguntamos,
A função da alavanca descobrimos.
Poema do Tangenciar (Lieh)
 Como explicar a energia do Tangenciar?
Revolvendo como um tornado,
Se algo contra ele é atirado,
A longa distância é arremessado.
Redemoinhos em ligeiras correntes aparecem,
E como espirais são as ondas encrespadas.
Se em sua superfície as folhas caem,
Nunca de nossa vista desaparecem.
Poema do Ataque com o Cotovelo (Chou)
Como explicar a energia do Ataque com o Cotovelo?
Nosso método pelos Cinco Elementos
Deve ser considerado.
Yin e Yang acima e abaixo
São divididos,
Cheio e Vazio claramente devem
Ser distinguidos.
O oponente nosso contínuo movimento
Não pode agüentar,
E mais aterrador é o nosso
Explosivo golpear.
Quando meticulosamente dominadas são
As seis energias,
As aplicações infinitas serão.
Poema do Ataque com o Ombro
 Como explicar a energia do Ataque com o Ombro?
Entre ombros e costas
O método é dividido.
Na postura Vôo Diagonal
O ombro é usado,
Mas entre os ombros
Há também as costas.
Quando repentinamente
A oportunidade se apresenta,
Ele golpeia em colisão,
Como a mão do pilão.
O centro de gravidade
Cuidadosamente manter devemos,
Pois se o perdermos,
Certamente falharemos.

Poemas dos Cinco Passos:

Poema do Avançar
 Quando é hora de avançar,
Sem hesitação deve-se avançar.
Se obstáculos não encontrar,
Continuamente deve-se avançar.
Falhando o avanço na hora certa,
A oportunidade é perda certa.
Avaliando a ocasião de avançar
Corretamente,
Vitoriosos seremos
Certamente.
Poema do Recuar
Se nossos passos seguem
Do corpo as mudanças,
então nossa técnica será
Perfeita e bem acabada.
Evitando o cheio,
Enfatizando o vazio,
Assim o oponente
Se apoia em nada.
Falhando em recuar,
Quando se pede recuar,
Nem sábio nem corajoso
Isto pode se chamar.
Verdadeiramente,
Recuar é avançar,
Se em contra-ataque
Ele pode se tornar.
Poema do Olhar para a Esquerda
Para a esquerda e para a direita,
Yin e Yang mudam
Segundo a situação.
Evadimo-nos pela esquerda
E atacamos pela direita,
Com passos firmes e convicção.
Operam juntos pés e mãos,
Joelhos, cotovelos,
Cintura também.
Nossos atos o oponente
Sondar não pode, e contra nós
Defesa não tem.
Poema do Olhar para a Direita
Com passos perfeitos,
Fingindo à esquerda, atacamos pela direita.
Seguindo a ocasião,
Golpeamos à esquerda, atacamos pela direita.
Tudo que é frontal evitamos,
E mudanças de condições avaliando,
Lateralmente avançamos.
Cheio e vazio, esquerda e direita
Sem falhas, use técnica perfeita.
Poema do Equilíbrio Central
Estáveis e serenos como a montanha,
Estamos centrados.
Nosso ch’i baixa para o tan-t’ien,
Somos como que suspensos pelo superior.
Nosso espírito é concentrado,
A composição é perfeita no modo exterior.
Energia emitindo e recebendo,
Ambos frutos de um instante operando.

Quando a deficiência é invisível

Quando falamos em deficiência, a maioria das pessoas pensa imediatamente  nas seguintes situações:  cadeira de rodas, cão guia, linguagem em libras… Porém, as deficiências podem aparecer de muitas formas diferentes e incluem outras condições que podem não ser visíveis. Vivemos em uma sociedade onde a doença crônica permanece invisível, por exemplo. Podemos falar de realidades tão duras como a Distonia Focal da Mão que é para muitos uma doença rara, incapacitante e desconhecida e que levam algumas pessoas a justificarem suas ausências ao trabalho. E além disso,  é quase imperceptível.

Dentre as deficiências invisíveis podemos fazer referência a doenças como TDAH, a dislexia, o autismo,os transtornos do processamento sensorial, os distúrbios do sono, os transtornos mentais, a Distonia Generalizada, a Câimbra do Escritor (Distonia Focal), a Esclerose Múltipla, a Fibromialgia, as Cardiopatias, as Doenças Metabólicas, a Fibrose Cística, dentre outros. As doenças crônicas socialmente invisíveis (DCSI) são responsáveis, de acordo com a “Organização Mundial de Saúde” (OMS), por cerca de 80% das doenças de hoje. Além do sofrimento ocasionado por estas doenças debilitantes às pessoas doentes, a consternação aumenta ainda mais ao enfrentar o preconceito de uma sociedade que está muito habituada a julgar sem conhecer.

Portanto, viver com uma doença crônica incapacitante como a Câimbra do Escritor é, por sua vez, fazer uma viagem tão lenta quanto solitária. A primeira etapa desta viagem é a busca de um diagnóstico definitivo de “tudo o que acontece em mim”. Na verdade, pode-se levar anos até que a pessoa finalmente consiga nomear aquilo que a maltrata. Por outro lado, depois de ser diagnosticado e tentar conviver com os infortúnios da doença/deficiência, às vezes,  imperceptível, chega-se certamente a parte mais complexa: encontrar a dignidade e a qualidade de vida com a dor e infortúnios  como companheira de viagem.

Visíveis ou invisíveis, as doenças incapacitantes juntamente com as chamadas deficiências trazem consigo muitos desafios. Mas, a principal diferença é a falta de compreensão com aquilo que não é imediatamente perceptível. Falta de compreensão dos vizinhos, da escola, dos colegas de trabalho e até de familiares. Além disso, em muitos casos é difícil conseguir um diagnóstico e difícil de obter o tratamento adequado também.

Quantos de nós já fomos julgados, ou até já julgamos, por usar uma fila preferencial ou usufruir algum direito, sem ter uma deficiência aparente? Bom, nestas ocasiões não adianta ficar triste ou irritado. Se muitas vezes já é difícil compreender coisas que estão bem diante dos nossos olhos, imagine se for algo que não está assim tão escancarado. Veja o caso desta PACIENTE que devido a um traumatismo craniano passou a sofrer de ataxia e pouca habilidade motora. Para ela, carregar um copo de líquido sem derramar tornou-se um sonho, assim como, escrever qualquer coisa à mão é doloroso.

A maioria das classes de deficiências permite à Pessoa com Deficiência que se identifique – e seja identificado – como tal e, portanto, conte com a boa vontade da sociedade em geral e dos órgãos protetores para melhorarem sua qualidade de vida. Por outro lado, existem pessoas que possuem deficiências menos conhecidas, mas nem por isso menos importantes, já que esses pacientes também requerem adaptações que são fundamentais para conseguirem realizar com tranquilidade suas atividades mais cotidianas. Aqui se enquadra a Câimbra do Escritor.

As doenças invisíveis e o mundo emocional

O grau de deficiência de cada doença crônica varia de pessoa para pessoa. Alguns terão maior autonomia, e também existirão aqueles que, por sua vez, possam ser mais ou menos funcionais, dependendo do dia. Neste último caso, a pessoa terá momentos nos quais a doença a aprisiona e momentos nos quais, sem saber o porquê, ela se sente mais livre da doença.

Existe uma organização sem fins lucrativos chamada “Invisible Disabilities Association” (IDA). Sua função é educar e conectar a pessoa com uma “doença invisível” com seu ambiente mais próximo e com a própria sociedade. Algo que eles deixam bem claro nesta associação é que viver com uma doença crônica é um problema, mesmo no âmbito familiar ou escolar.

Muitos pacientes adolescentes, por exemplo, recebem às vezes as censuras do seu entorno porque acreditam que eles usam sua doença para não cumprir com as suas obrigações. Seu cansaço não é devido à preguiça. Sua dor não é uma desculpa para não ir à escola ou não realizar as suas tarefas. Tais situações são as que pouco a pouco podem acabar desconectando a pessoa da sua realidade, até que se torne, se é que é possível, ainda mais invisível.

A importância de ser emocionalmente forte

Ninguém escolheu suas enxaquecas,seu lúpus, seu transtorno bipolar, sua Distonia… Longe de se render diante do que a vida tem para oferecer, só resta uma opção. Assumir, lutar, ser assertivo, resiliente e levantar-se a cada dia apesar da dor, do medo, da insegurança provocado pela doença.

Uma doença crônica envolve ter de assumir muitas peculiaridades que a acompanham. Uma delas é aceitar que seremos julgados em algum momento. Devemos nos preparar com estratégias de enfrentamento adequadas.

Nós não devemos relutar em dizer o que acontece conosco, em definir nossa doença. Temos de tornar visível o invisível para que aqueles que nos cercam tomem consciência. Haverá dias nos quais aguentaremos qualquer coisa e momentos nos quais não aguentaremos nada. No entanto, continuamos a ser os mesmos.

Também devemos ser capazes de defender os nossos direitos. Tanto em nível de trabalho quanto no caso das crianças nas escolas. No meu caso, a minha experiência escolar foi traumatizante por não ter sido respeitado enquanto uma pessoa que sempre teve uma deficiência incomum.

Neurologistas, reumatologistas e psiquiatras recomendam algo essencial: o movimento. Você tem que se mover com a vida e levantar todas as manhãs. Embora a dor nos torne cativos, temos que nos lembrar de uma coisa: se pararmos nos atinge a obscuridade, as emoções negativas e o abatimento…

Por fim, algo que deve ficar claro é que as pessoas afetadas por doenças crônicas socialmente invisíveis como a Distonia Focal não precisam de compaixão. Nem tão pouco necessitamos de um tratamento especial. A única coisa  demandada é empatia, consideração, respeito… Porque às vezes as coisas mais intensas,maravilhosas ou devastadoras, como podem ser o amor ou a dor, são invisíveis aos olhos.